Friday, August 01, 2008

Série mini-resenhas I - O inimigo do rei

Hoje resolvi criar uma “seção especial” neste blog de 16 leitores (acabo de contar os “comentários”!), dedicada a resenhas rápidas de textos que li, anotei alguma impressão e deixei de lado sem pensar mais no assunto. São textos diversos que li há mais ou menos tempo. Bom, vamos à primeira mini-resenha, então.

NETO, Lira. O inimigo do rei: uma biografia de José de Alencar. São Paulo: Globo, 2006, 431 p.

Peripécias alencarinas

A melhor biografia de José de Alencar ainda é, de longe, Como e por que sou romancista, a conhecida autobiografia do escritor. No entanto, vale a pena dar uma conferida no livro do jornalista Lira Neto, ganhador do prêmio Jabuti de 2007 na categoria “melhor biografia”. Embora salpicado aqui e ali de algumas cacofonias e redundâncias, de uns poucos erros de regência e de outros defeitos menores, como os erros gráficos (chamados hoje em dia de “pastéis”, e de “gralhas”, no tempo de Alencar), o livro traz um conteúdo saboroso, fácil de digerir, com uma narrativa que prende a atenção do leitor nas reviravoltas e peripécias da conturbada vida do mestre do nosso Romantismo, para, ao fim e ao cabo, nos devolver uma imagem ao mesmo tempo heróica e quixotesca, grandiosa e “fanadinha” – humana, enfim –, raramente encontrada em outras biografias do escritor. Amigo de controvérsias, seja por índole, seja por pura teimosia, seja por defender apaixonadamente suas posições literárias e políticas, o Alencar retratado nas 431 páginas que compõem o livro de Lira Neto em nada lembra um cético. “Anti-pirrônico” por natureza, o criador de Iracema jamais se calou, defendendo seu ponto de vista sem medir esforços para tentar convencer a todos de que as suas próprias convicções eram melhores e mais certas do que as opiniões contrárias. Sua inquietação quase angustiante também o afastava de qualquer “tranqüilidade”, “pirrônica” ou não, e, aumentando o rol das contradições que desde sempre lhe são imputadas, acabou abrindo caminho àquele que é considerado o mais cético escritor brasileiro: Machado de Assis.

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