<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868</id><updated>2012-01-28T10:54:49.287-02:00</updated><title type='text'>O Dragão de São Jorge</title><subtitle type='html'>e outras histórias de Lua</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>103</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8750810369874754707</id><published>2012-01-24T17:38:00.004-02:00</published><updated>2012-01-28T10:54:49.292-02:00</updated><title type='text'>Crônicas de verão I - Essa cerveja é minha!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Praia lotada, o vermelho das barracas e cadeiras ajudando a esquentar um sol de 38 graus nas areias escaldantes. Nessas horas, não se pode ler um jornal em paz, tirando o gosto das notícias alarmantes com uma cervejinha bem gelada, que ele infalivelmente surge, implacável, à sua frente: o catador de latinha, com seu indefectível saco cheio de latas de alumínio. Parece enxergar a latinha de longe – talvez o brilho dela, talvez o cheiro, o fato é que ele vem para ficar. Não arreda pé enquanto você não entrega a ele o precioso objeto. Por sua vez, você se certifica bem se a latinha está mesmo vazia, enxuga a última gota e, não sem um quê de contrariedade, libera-a para ele, que, a passos rápidos, vai em busca de outra presa.&lt;br /&gt;Neste verão tem chovido bastante, como, aliás, vem acontecendo, independentemente da estação. Segundo alguns, culpa do controverso “aquecimento global”. De qualquer modo, é preciso aproveitar qualquer brecha de sol na cortina de água que São Pedro resolveu cerrar sobre a cidade. Mas, naquele dia, o disco solar imperando no céu não deixava dúvidas: ia dar praia.&lt;br /&gt;O helicóptero dos bombeiros passa em voo rasante e barulhento, bem junto à água, desalojando os banhistas do seu sagrado conforto. Alguém se afoga, num mar exuberante como aquele. A plaquinha com o aviso “Perigo: correnteza” torna-se inútil, absurda, obsoleta, gerando certo sentimento de impotência que parece refletir-se nas escamas prateadas da água. À noite, o sombrio noticiário na tevê: “um homem se afogou hoje no mar de Copacabana. Os bombeiros conseguiram retirá-lo da água, mas ele chegou já sem vida ao hospital”. O corpo do homem, só de calção de banho, ficará no IML até que alguém o reclame? Turista? Brasileiro? Gringo? Não é doce morrer no mar.&lt;br /&gt;“Enxuguei” a latinha, entreguei-a ao homem das latas e fui “molhar os pés”, com toda cautela possível, depois da passagem do helicóptero de salvamento. Água gelada, onda fortíssima. A plaquinha não mentia. Nem o som das hélices do helicóptero, vermelho como as barracas, que ainda repercutia no quebra-mar. E me vêm à mente a crônica belíssima de Rubem Braga, &lt;em&gt;O Afogado&lt;/em&gt;, e a abertura do romance &lt;em&gt;Barco a seco&lt;/em&gt;, de Rubens Figueiredo, boas páginas da nossa literatura que tratam de quase-afogamentos no mar. “Ele prefere ser lançado contra as pedras, ainda que se arrebente todo”. Mas por aqui não há pedras, constato. “Existe um limite para tudo”. Exceto para a imprudência, replico comigo mesma.&lt;br /&gt;Esperei algumas ondas quebrarem para retornar à barraca, onde o jornal com as notícias alarmantes e uma ou outra crônica amena me esperava. A latinha também me aguardava, encostada ao pau da barraca, curtindo uma sombra fresquinha. Antes de mergulhar no jornal, desconfiei de que a cerveja ainda estivesse gelada. Aliás, desconfiei mesmo de que houvesse alguma cerveja naquela lata. Peguei-a. Sim, estava pesadinha, mas, pelo tempo em que estive na beira da água, a cerveja devia ter virado um caldo quente. Pelo sim, pelo não, provei. Geladíssima. Virei todo o conteúdo de um gole só.&lt;br /&gt;Praia dá mesmo muita sede. Debaixo da barraca, a salvo do sol e do mar, saboreando minha cerveja gelada, constatei que as ondas, ironicamente, haviam se acalmado. Os curiosos, antes aglomerados à beira-mar, assistindo ao espetáculo de salvamento, já haviam se dispersado. O mar, pacífico, era agora uma imensa fita azul-royal ligando gentilmente entre si os continentes, as línguas, os costumes. Por mais diversos que estes sejam.&lt;br /&gt;Do nada, ele apareceu, reclamando a latinha, cheio de razões que a minha razão desconhecia. Segurei firme o alumínio. “Que desaforo”, pensei. E em voz alta: “moço, a latinha ainda não está vazia. Calma aí”. E ele: “cadê a cerveja?”. “Já disse, a lata ainda está cheia”. “Não está cheia, não”, retrucou, “estava pela metade. Quero a minha cerveja”. E a ficha começando a cair: “Cerveja? &lt;em&gt;Sua&lt;/em&gt; cerveja?”. “Sim”, continuou o homem, “essa cerveja é minha. Pedi para deixar aí enquanto dava um mergulho”.&lt;br /&gt;Olhei para meu filho, que a essa altura, assistia à discussão impassível, sentado na cadeira vermelha, exibindo apenas um leve sorriso no canto da boca. O garoto esclareceu: “É, mãe, essa cerveja é dele mesmo. Quando você estava na água, ele me pediu para guardar a latinha debaixo da barraca”.&lt;br /&gt;Sorriso amarelo, sem saber que fizesse: “É mesmo?!”. E para o garoto, que calmamente passava filtro solar: “bom saber. Assim, não deixo você tomando conta da minha cerveja”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8750810369874754707?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8750810369874754707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8750810369874754707' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8750810369874754707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8750810369874754707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2012/01/cronicas-de-verao-i-essa-cerveja-e.html' title='Crônicas de verão I - Essa cerveja é minha!'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-282977578788674642</id><published>2011-11-29T17:51:00.016-02:00</published><updated>2012-01-24T17:20:03.036-02:00</updated><title type='text'>Série minirresenhas VII – O Pequeno Príncipe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. &lt;em&gt;O pequeno príncipe&lt;/em&gt;. Trad. Dom Marcos Barbosa. Prefácios de Amélia Lacombe, Micheal Quesnel e Anne Solange Noble. Rio de Janeiro: Agir, 2004, 125 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo recontar aqui a conhecida história do principezinho que desembarca no sétimo planeta de suas aventuras, a Terra, para dar a nós, “terráqueos”, lições de amor, tolerância e sabedoria, e que os estudiosos consideram ser fruto dos trágicos tempos da guerra suscitada pelo nazismo. Gostaria apenas de chamar a atenção para o caráter cético deste belo livro, escrito por Antoine de Saint-Exupéry e publicado em abril de 1943, há pouco mais de um ano antes de ele morrer – ou melhor, desaparecer misteriosamente, uma vez que apenas os destroços do avião foram encontrados – em sua última missão como piloto de guerra, em julho de 1944. Embora frases como “o essencial é invisível aos olhos” e “o que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar” possam apresentar um viés essencialista, herdeiro da tradição platônica – que afirma que o mundo essencial (e invisível) das ideias é o mundo perfeito da Verdade, ao qual se opõe o mundo das meras aparências enganosas –, é possível vislumbrar na obra-prima do piloto francês alguns aspectos do ceticismo criado por Pirro no século III a. C.&lt;br /&gt;À moda pirrônica, &lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt; “coloca em suspenso” o “mundo dos adultos” para oferecer uma “outra” visão: a visão desarmada e sem “conceitos preconcebidos” de uma criança, que não precisa ser, necessariamente, uma visão infantilizada. Basta ser o ponto de vista de quem respeita as diferenças ou de quem tem a capacidade de “outrar-se” – velha proposta cética, retomada por poetas como Fernando Pessoa, e que Saint-Exupéry exemplifica bem nas páginas d’&lt;em&gt;O Pequeno Príncipe&lt;/em&gt;, entre um texto intensamente poético e as delicadas aquarelas, feitas pelo próprio escritor. E quem melhor que o autor para dar aos seus leitores uma ideia suficientemente precisa do menino louro com sua echarpe esvoaçante, dos terríveis baobás ou da cara feia do “homem de negócios” do quarto planeta visitado pelo principezinho? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pintura, considerada por Platão como uma “obra enganosa”, “afastada em três graus da Verdade”, foi condenada pelo filósofo, assim como a poesia e a retórica, como “mera imitação do real”. No livro de Saint-Exupéry, as “gravuras enganosas” possuem, ao contrário, imensa importância. Não tentam apenas “copiar o real”, mas também acrescentar a livre imaginação sobre ele, como o carneiro que o piloto da história desenha para o principezinho. Desconhecido para eles e para nós, o carneiro, contudo, existe, ainda que apenas dentro da caixa desenhada – única coisa que informa sobre ele.&lt;br /&gt;A certa altura, eis que surge a raposa: “Por favor, cativa-me” (p. 99), pede ela para o menino. E porque não possui um “pré-conceito” sobre raposas, o menino diz simplesmente: “Você é bem bonita”. Contrariando a imagem, talvez pré-fabricada por homens “que têm fuzis e caçam” (p. 97), de um ser abominável, esperto e trapaceiro, que só pensa em “caçar galinhas”, a raposa d’&lt;em&gt;O&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Pequeno Príncipe&lt;/em&gt; parece sugerir que, se as aparências enganam, só dispomos delas para nos orientar – outro preceito cético, utilizado, ainda, para construir uma importante personagem da história, senão a mais importante, pelo menos para o menino, que, graças a ela, soube o que é sofrer por amor. Tão igual a todas as rosas do mundo e ao mesmo tempo tão específica em sua comovente arrogância, a rosa do pequeno príncipe – que se defende dos perigos do mundo com seus ingênuos quatro espinhos – parece lembrar-nos, ceticamente, de que não devemos somente “enxergar para além das aparências”. Ao contrário, devemos levar em conta precisamente as aparências (as cinco mil rosas num só jardim) e suas limitações, que levam à necessidade dos espinhos, das redomas e também da mordaça – que o menino pede ao piloto para desenhar a fim de impedir que o carneiro, que ele leva igualmente “desenhado” na bagagem, devore a sua preciosa flor, quando ele retornar ao seu planeta. Pois somente assim poderemos, como o piloto da história, nos “consolar um pouco” (p. 121), apesar da dúvida que infinitamente persistirá: “se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa...” (p. 123).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-282977578788674642?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/282977578788674642/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=282977578788674642' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/282977578788674642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/282977578788674642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/11/serie-minirresenhas-vii-o-pequeno.html' title='Série minirresenhas VII – O Pequeno Príncipe'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7272357608181385005</id><published>2011-11-08T17:59:00.002-02:00</published><updated>2011-12-05T15:15:43.110-02:00</updated><title type='text'>Um elefante numa loja de porcelanas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pedra-sabão, tinha uns quinze centímetros de altura por uns vinte de comprimento. Pesado, parecia mais uma arma que um bibelô. Por curiosidade, ela perguntou o peso. “Tudo isso?”. Espantada, mudou-o de mão. Perguntou o preço. Nem caro, nem barato. Recolocou-o no lugar, entre corujas e cisnes também de pedra-sabão. A vendedora ficou apreensiva.&lt;br /&gt;— Não vai levar o elefantinho?&lt;br /&gt;— Ainda não me decidi – mentiu.&lt;br /&gt;Os olhos do elefante, esculpidos na pedra, fixavam-na. Ela disfarçou o quanto pôde, e, de um bote, atirou-se para fora da pequena loja. No entanto, precisava daquele bibelô. Em casa, reservava lugar para ele, na estante, entre outros bibelôs. Dia seguinte, retornou à loja. Foi direto aos artesanatos de pedra-sabão. Empalideceu, estacando diante de corujas que a olhavam de esguelha.&lt;br /&gt;— Já escolheu? – quis saber a moça ao seu lado, perseguidora.&lt;br /&gt;— O elefantinho que estava aqui ontem?... Foi vendido? – ela apontava para um vago lugar, entre dois cisnes.&lt;br /&gt;A vendedora abriu um sorriso claro e asseado.&lt;br /&gt;— Um momento – pediu. Voltou com o pesado objeto, depositando-o com cuidado nas mãos dela. – Alguém o havia reservado. Mas como você está mesmo interessada...&lt;br /&gt;Ela virava e revirava o elefantinho em suas mãos, com medo e alegria. “É ele”, pensou. Súbito, seus olhos esbarraram numa das patas dianteiras do bibelô. Mostrou-a para a vendedora.&lt;br /&gt;— Está quebrada!...&lt;br /&gt;A pequenina perna de pedra-sabão, sólida e frágil. Quebrada. O sorriso claro e asseado da vendedora voltou a iluminar a pequena loja.&lt;br /&gt;— Não! Veja, não está quebrada. É que, com certeza, o bloco de pedra usado para esculpir o elefantinho não era do tamanho exato, e foi preciso completar a perninha com um pedaço. Isso acontece demais. Mas não é defeito, de jeito nenhum – finalizou, devolvendo a ela o objeto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora colada com perfeição ao corpo do elefante, a perna evidentemente não fazia parte dele. Fraquejando mais uma vez, porém resoluta, ela depositou o elefantinho na prateleira, agarrando firme um cisne de pescoço longo, desajeitado e triste.&lt;br /&gt;— Ah! Vai ficar com o cisne... Também é lindo! – A vendedora, ainda sorrindo, pegou um pequeno bloco de papel e tirou a nota. – Quer pagar no caixa, por favor? Obrigada.&lt;br /&gt;Por trás do balcão, a dona da loja fazia os embrulhos, simples e para presente.&lt;br /&gt;— Só? – perguntou, embrulhando o cisne para presente.&lt;br /&gt;— Eu queria o elefantinho, mas está com a perna quebrada...&lt;br /&gt;Simples, a mulher detrás do balcão falou:&lt;br /&gt;— É, isso acontece. É o transporte, sabe. Esse artesanato vem de longe. Às vezes, aqui mesmo, na loja, um ou outro acaba se partindo. Tem sempre algum freguês desajeitado, que deixa cair alguma coisa. Que pena! – lamentou, abanando a cabeça.&lt;br /&gt;Ela tomou finalmente o embrulho nas mãos. Pesava um pouco, embora não fosse o elefantinho. Calma e vagarosamente, saiu da loja, deixando para trás, sem piedade, o pequeno elefante de pedra-sabão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7272357608181385005?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7272357608181385005/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7272357608181385005' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7272357608181385005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7272357608181385005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/11/um-elefante-numa-loja-de-porcelanas.html' title='Um elefante numa loja de porcelanas'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7813994119878255486</id><published>2011-11-04T11:51:00.003-02:00</published><updated>2011-11-04T12:04:08.807-02:00</updated><title type='text'>Série "entre aspas" V - Nietzsche</title><content type='html'>"Somente o jogo do artista e da criança englobam, neste mundo, um devir e um perecer, um construir e um destruir sem qualquer imputação moral, com uma inocência eternamente intacta. E é assim, como a criança e o artista, que o fogo eternamente vivo brinca, construindo e destruindo com inocência; tal jogo é o &lt;em&gt;Aion &lt;/em&gt;que o joga consigo mesmo. Transformando-se em água e terra, ele constroi, como uma criança, montinhos de areia na praia, ergue-os e os destroi; de vez em quando, recomeça a mesma brincadeira. Um instante de saciedade, e, logo depois, a necessidade de novo o assalta, assim como a necessidade força o artista a criar. Não é portanto o orgulho ímpio mas o instinto de jogo (&lt;em&gt;Spieltrieb&lt;/em&gt;) incessantemente despertado que chama para a vida outros mundos". (Nietzsche, em &lt;em&gt;A filosofia na época trágica dos deuses&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Citado por Maria Cristina Franco Ferraz, &lt;em&gt;Platão, as artimanhas do fingimento. &lt;/em&gt;Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999, p. 26-7. (Tradução do alemão para o português da autora)]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7813994119878255486?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7813994119878255486/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7813994119878255486' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7813994119878255486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7813994119878255486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/11/serie-entre-aspas-v-nietzsche.html' title='Série &quot;entre aspas&quot; V - Nietzsche'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1882487751714285022</id><published>2011-10-28T11:43:00.002-02:00</published><updated>2011-10-28T11:45:43.678-02:00</updated><title type='text'>A paixão segundo Rose ou a arte de ver do alto as ruas do Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente abriu, com alguma dificuldade, por causa do braço dolorido, a persiana meio empoeirada do pequeno escritório, ele percebeu um tanto agastado que perdera muito tempo aquele dia com o trabalho, embora soubesse que pouca coisa de fato tivesse produzido, limitando-se a revisar o texto já bastante revisado. No céu de verão, os últimos raios de sol se esbatiam contra fiapos de nuvens douradas, dispersas pelo azul como cabelos revoltos de um anjo desleixado.&lt;br /&gt;Suspensa por trás do vidro hermeticamente fechado, a cidade parecia de papel. Um imenso cartão-postal feito de suor, sangue, areia e pedra. Montanha e praia produzindo um calor de mil diabos. O ar condicionado, porém, acalmava o medo e a solidão que passeavam nas ruas apinhadas de gente lá embaixo.&lt;br /&gt;Bruscamente, ele deixou a janela. Atirou-se à poltrona reservada às poucas visitas, a olhar vazio para as prateleiras cobertas de livros e revistas especializadas. Muitos desses livros e revistas continham os artigos que escrevera, debruçando-se infinitamente sobre outros livros e revistas, fabricando eternos palimpsestos, preso em um círculo vicioso, gastando enormes pedaços de um tempo que agora ele não podia mais dispor. Projetos pessoais adiados, desejos eternamente insatisfeitos em troca do seu nome impresso ou de um convite para alguma palestra. Pressentiu assim sua vida: uma tela com grandes claros, inacabada. Sempre por retocar. Uma infinidade de simpósios, palestras, seminários. Saguões de aeroportos e noites mal dormidas. O estresse das comissárias de bordo contido todo naquela rede que segura, corretamente penteados, os cabelos: “O senhor? Vai beber o quê?”.&lt;br /&gt;Mais adiante, seu olhar esbarrou no arranjo de flores desidratado e brega, herança do antigo ocupante da sala, pendurado próximo à janela. Já perdera a conta das vezes que pedira à moça da limpeza para tirar aquilo de lá, mas, por trás daquele largo sorriso de dentes muito alvos, Rose – era o nome dela – parecia não escutá-lo.&lt;br /&gt;Consultando o relógio de pulso, ele constatou que a sessão de radioterapia daquele dia estava perdida. Deu de ombros, com a mão espalmada no bolso da camisa, no gesto de pegar os cigarros. Lembrou, porém, que desde que o médico lhe diagnosticara o câncer de próstata, que também o aconselhara a parar de fumar. Começara com uma dor discreta nas costas, na altura dos rins, que ele ia adiando dia a dia para “ver depois”. Até que o incômodo estendera-se para os ombros, limitando drasticamente as suas atividades.&lt;br /&gt;A porta abriu-se de repente. Era Rose, armada de vassoura e pá. “Dá licença, doutor?”. Rose esfregava a flanela encharcada de óleo de lustrar móveis na mesa já quase sem verniz, nas prateleiras descarnadas, e ia puxando conversa. Bastava ele perguntar “tudo bem, Rose?”, que um botão automático, do tipo “aperte o play”, disparava uma metralhadora falante. Outras vezes, porém, ela se fechava em copas, apesar do sorriso claro sempre aberto, e o play simplesmente não funcionava.&lt;br /&gt;Enquanto Rose ainda recolhia o lixo, ele, um pouco agastado com o cheiro do óleo de peroba, dirigiu-se à mesa de trabalho, retirando de dentro da velha pasta de couro preto as laudas do artigo, presas por um clipe. De testa franzida, passeou por instantes os olhos pelo trabalho impresso, sentindo necessidade de revisá-lo mais uma vez. Por fim, juntou novamente as laudas e devolveu-as à pasta, inúteis. Ligou o computador. Iria revisar o trabalho na tela mesmo, decidira.&lt;br /&gt;Moro em Costa Barros, ela disse logo no primeiro dia, como se dissesse moro ali na esquina. Rose tinha dois filhos: uma menina de sete anos e um menino de quatro. Seu atual marido não era o pai das crianças. Este, Rose perdera, grávida de oito meses. “Maior barrigão”. Estavam quase chegando em casa, ela, o marido e a menina. O assassino vinha em direção contrária. “Um tiro só, doutor”. O menino nasceu sem pai.&lt;br /&gt;Preso por durex na parede atrás da mesa dele, o “mapa do Rio de Janeiro” apresentava uma cidade perfeitamente ordeira, apesar do seu desenho irregular. Uma cidade de papel, onde as sirenes da polícia, das ambulâncias e dos bombeiros não eram, em absoluto, necessárias. Sorte grande viver na Cidade Maravilhosa sem um arranhão.&lt;br /&gt;Vista do alto, a cidade parecia caber na palma da mão, como o mapa dela, preso por durex na parede, cabia inteiro num só olhar. Do alto, encerrado naquela torre de vidro gelada, ele via a cidade como se não tivesse nada a ver com aquelas ruas e avenidas e artérias invadidas de sangue, suor, lágrimas, sorrisos, desespero e alegrias: um cidadão de gabinete. Exceto, talvez, quando saía de casa para trabalhar, atravessando as ruas dentro do carro fechado e refrigerado. De dentro do carro, o rés do chão da Cidade Maravilhosa parecia um tanto cinzento, com seus prédios de concreto e vidro fumê e seus tapetes de asfalto, cortados aqui e ali por algum inesperado canteiro verde, um outdoor colorido, uma copa de árvore retorcida à beira do rio de carros. A massa compacta de gente, essa sim, bem colorida e diversificada contra o fundo quase neutro, atravessando as avenidas como soldados enfileirados.&lt;br /&gt;Relanceou o olhar pela janela e percebeu, com uma raiva impotente de injustiçado, que o ocaso lá fora era passageiro, se renovando sempre, enquanto o seu se tornava cada vez mais irremediável e definitivo. Olhou para Rose: ela falava algo sobre a inveja das vizinhas, o marido carinhoso que ela tinha, e que esse, não, esse ninguém ia lhe tirar. Trabalhador, pai de família, responsável. A metralhadora falante novamente disparada, enquanto, lá fora, o ocaso...&lt;br /&gt;“O ocaso do Império”, de Oliveira Viana. Ele debruçara-se pacientemente sobre a obra, escrita em 1925 sobre o fim do Império no Brasil. No artigo, procurava demonstrar – e, sobretudo, convencer a si mesmo – que, muitas vezes, o olhar do historiador se impregna de um subjetivismo tal que se aproxima da pintura, mais especificamente do impressionismo. Era o caso, a seu ver, de “O ocaso do Império”, em que o quadro da ascensão da República no Brasil era considerado pelo autor de um ponto de vista essencialmente nostálgico, elegendo a queda da monarquia – e não o estabelecimento do novo regime – como centro de análise. Ele sabia que o tema era um tanto gasto, mas o que podia fazer, se suas melhores ideias o haviam abandonado? E ainda por cima precisava arranjar um título para o trabalho.&lt;br /&gt;“O ocaso do Império: uma visão impressionista da História do Brasil”, repetiu em voz alta. “O que disse?”. Era Rose, tentando estabelecer contato. Mas ele estava longe, não a escutava mais. Decidiu: era esse o título. Teclou as palavras no alto da página virtual à sua frente, quase apaziguado consigo mesmo. Retirou por instantes os olhos da tela fosforescente do computador, buscando mais uma vez a janela, mas esbarrou novamente o olhar no arranjo brega que já o tirava do sério há algum tempo.&lt;br /&gt;“Rose”, ele ia falar, mas era sexta-feira. Toda sexta-feira, ele sabia, Rose largava o serviço mais cedo, por causa do pagode, “que disso eu não abro mão”. Rose na soleira da porta, prestes a atravessá-la, levando consigo a vassoura, o espanador, o saco de lixo e a pá. “Rose”, tentou ele, “tira, por favor, esse arranjo...”. Ela nem sequer se virou. “Segunda-feira, de manhã cedo, eu tiro”, ela disse, e se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1882487751714285022?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1882487751714285022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1882487751714285022' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1882487751714285022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1882487751714285022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/10/paixao-segundo-rose-ou.html' title='A paixão segundo Rose ou a arte de ver do alto as ruas do Rio de Janeiro'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-976866335145824446</id><published>2011-10-21T16:22:00.003-02:00</published><updated>2011-10-21T16:25:27.705-02:00</updated><title type='text'>Raquel, depois que Ricardo foi embora1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O zumbido era ensurdecedor, rodopiando dentro de suas têmporas. Aos poucos, foi abrindo os olhos, e se deparou com aquela escuridão gelada e constante, rompida por um tênue fio de luz que penetrava pela rachadura da porta, lá em cima. Manhã? Tarde? Não saberia dizer. Tentou consultar o delicado relógio de pulso folheado a ouro, e ficou na mesma. Com toda aquela claridade, os ponteiros se confundiam, ficavam do mesmo tamanho e se embaralhavam, marcando horas fantasmagóricas. Para quê, afinal, precisava saber das horas?, refletia, consciente da sua condição de enterrada-viva. Mas não queria pensar. Sua cabeça doía, latejando uma dor lancinante, e isso era tudo. A garganta também doía, dilacerada, brasa viva dentro do seu corpo.&lt;br /&gt;— Miserável! – o som rouco e quase inaudível de sua voz parecia rolar sem forças pelo ar rarefeito, ecoando tropegamente pelas partículas de poeira que infestavam o cubículo.&lt;br /&gt;— Ele me paga! – me paaaaga, meeeee pagaaaaa – o som parecia se esbater pelos cantos e retornar, esfarrapado, espectro de si mesmo, assustando-a mais.&lt;br /&gt;Vasculhou mais uma vez a bolsa, à procura do celular, em vão. Evidentemente, ele o havia retirado de lá, num momento de distração. Falha imperdoável. Como fora deixar se impressionar por velhos túmulos rachados e anjos de pedra decapitados? Que vacilo. Sem dúvida, fora imprudente ao extremo. Não podia se perdoar. Mordia os lábios, desesperadamente, constatando a sua demência. Sim, fora completamente idiota. Então não sabia que não podia confiar nele? Seu estômago também doía terrivelmente. Fumara todos os cigarros que haviam restado. E agora?&lt;br /&gt;Deixou a cabeça pender, recostada à parede fria, os braços inermes ao comprido do corpo. Por um momento, sentiu-se, de fato, morta, e imaginava-se cinzenta e imóvel, dura e fria, perfeitamente integrada ao quadrilátero mortífero, envolvida pelos miasmas fétidos que se desprendiam vagarosamente da pedra das gavetas dos mortos em desintegração. Também ela desintegrando-se lentamente. Mas a dor espalhada pelo corpo pulsava quente, inquieta, anunciando-lhe misteriosamente que ainda vivia.&lt;br /&gt;Ouviu um ruído repentino, longínquo. Ficou atenta.&lt;br /&gt;— Ricardo? – ousou pronunciar o nome dele, um jato quente subitamente bombeando um sangue renovado em suas veias. Elas pulsavam, parecendo querer saltar. Sim, estava viva.&lt;br /&gt;Aos poucos, conseguiu identificar o ruído: pareciam fracos pingos de chuva, tamborilando longe, em algum lugar lá fora. Fechou os olhos, apurando bem o ouvido. Porém, mais que o barulho fraco da chuva, que chegava dilacerado lá de fora, o cheiro vivo de terra molhada penetrava ardente e forte em suas narinas, poderoso, invadindo-a toda. Sim, estava viva.&lt;br /&gt;Ela riu, histérica, uma risada descompassada e idiota, risada de quem já havia ultrapassado, de há muito, o precipício do desespero. Não, estava morta. E visualizou seu próprio esqueleto, metido em restos esfarrapados da roupa que um dia fora elegante, sufocado junto com os restos da pequena capela pela fúria violenta da vida, as plantas se enroscando pelas paredes externas, disputando espaço, abafando as cores esmaecidas da morte com seu verde de vida. Via com terror um tufo de cabelos displicentemente caído ao lado do crânio a descoberto e, ridiculamente, o relógio de ouro, circundando com folga o pulso de osso. Ainda marcaria, implacavelmente, as horas?&lt;br /&gt;Não, não estava morta, parecia ouvir dentro de si. Seu coração batendo angustiado dentro do peito, descompassado embora, mas vivo. Esmurrou com força as paredes, apenas para aquecer o sangue congelado nas veias, a pele fina mal recobrindo o sentimento de revolta em seus pulsos cerrados. Também eles doíam agora. Isso era, de algum modo, bom. Pela dor, podia sentir que ainda existia. Sentia que devia agarrar-se a este fio de esperança, ainda que fosse simplesmente para morrer no instante seguinte. Morta-viva, viva e morta, apenas isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;_______________&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1] Uma continuação do conto “Venha ver o pôr-do-sol”, de Lygia Fagundes Telles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-976866335145824446?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/976866335145824446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=976866335145824446' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/976866335145824446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/976866335145824446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/10/raquel-depois-que-ricardo-foi-embora1.html' title='Raquel, depois que Ricardo foi embora1'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7888142121679571525</id><published>2011-09-06T11:43:00.001-03:00</published><updated>2011-09-08T10:51:16.064-03:00</updated><title type='text'>Tijucano</title><content type='html'>Ninguém sabe&lt;br /&gt;se foi por causa dos gatos&lt;br /&gt;que os pombos foram embora&lt;br /&gt;ou se pela falta da maresia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Hans costumava alimentá-los&lt;br /&gt;com miolo de pão e milho&lt;br /&gt;mas o Dr. Hans também se foi&lt;br /&gt;ninguém sabe&lt;br /&gt;se antes ou depois dos pombos&lt;br /&gt;o certo&lt;br /&gt;é que levou consigo&lt;br /&gt;lembranças de outro além-mar&lt;br /&gt;que não o das cruzes de Malta&lt;br /&gt;estendidas nas janelas&lt;br /&gt;em domingos de Maraca,&lt;br /&gt;chope e pizzaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pombos talvez não aprovassem&lt;br /&gt;a falsa maresia&lt;br /&gt;que a baía da Guanabara&lt;br /&gt;sopra por sobre tudo&lt;br /&gt;- vilas, praças, prédios,&lt;br /&gt;as ruas, as raras avenidas,&lt;br /&gt;o Borel, as igrejas, o América -&lt;br /&gt;esbatendo-se no Maciço&lt;br /&gt;arrepiando Joana em seu leito obscuro&lt;br /&gt;derrubando quadros&lt;br /&gt;batendo portas&lt;br /&gt;árvores desmemoriadas pela ventania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os pardais – os pequenos pardais –&lt;br /&gt;somente eles&lt;br /&gt;estragam as pinturas dos carros&lt;br /&gt;estacionados ao longo das vias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas isto não é um privilégio tijucano)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7888142121679571525?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7888142121679571525/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7888142121679571525' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7888142121679571525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7888142121679571525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/09/tijucano.html' title='Tijucano'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7897261941488937094</id><published>2011-08-22T17:00:00.008-03:00</published><updated>2011-11-24T16:18:31.643-02:00</updated><title type='text'>Série Minirresenhas VI - A divina comédia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ALIGHIERI, Dante. &lt;em&gt;A divina comédia&lt;/em&gt;. Trad. Fábio M. Alberti. São Paulo: Nova Cultural, 2002, 430 p.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para que o instinto de amor se transforme em ato de amor, o teu entendimento recolhe imagens que, desenvolvidas no íntimo, atraem outras almas. E quando elas se entregam, essa entrega é o amor, é a própria natureza que, pelo liame do prazer amoroso, de novo se funde com o homem. E qual chama busca elevar-se, em virtude de sua forma que para o alto sempre torna, em direitura do centro onde sua remota origem ainda arde; é pelo desejo que a alma se incendeia, num impulso espiritual que não aplaca enquanto do objeto amado não consegue a posse ambicionada.&lt;/em&gt; (Dante, p. 218)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ler a obra-prima de Dante em tradução para o português acarreta sempre perdas – que não podemos estimar – do seu conteúdo original, escrito em versos e em dialeto toscano (matriz do italiano atual), na Florença do início do século XIV (1307-1321). Ainda assim, o leitor brasileiro pode se maravilhar com o texto, publicado em edição popular pela editora Nova Cultural. Na Internet, também é possível encontrar outras versões traduzidas, bem como o texto original de Dante, e quem souber italiano, poderá saboreá-lo integralmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerada precursora do Renascimento, &lt;em&gt;A divina comédia&lt;/em&gt;, ao mesmo tempo em que resgata a cultura italiana – sobretudo a língua –, traz à cena os valores da Antiguidade Clássica, misturando-os à religião católica, visto que Dante, em seu longo passeio literário, é acompanhado pelo poeta Virgílio, emblema da cultura romana antiga, enquanto, pelo caminho, vai se deparando com personagens mitológicos do panteão greco-romano e do velho e novo testamentos da Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divina comédia se divide em três partes: “Inferno”, “Purgatório” e “Paraíso”, cada uma com 33 cantos (à exceção do “Inferno”, que possui 34 cantos, sendo o primeiro de caráter introdutório), numa referência, talvez, à idade de Cristo, figura maior que, embora não explicitamente nomeada, acompanha o leitor pelas entrelinhas do texto, até o seu final, quando o narrador – o próprio Dante – se depara com a imagem divina em todo o seu esplendor e glória. O texto de Dante é, pois, um monumento de fé, um louvor ao Cristianismo – encerrando, por outro lado, ácida crítica à “Igreja terrena”, instituição que, nos tempos do poeta florentino, padecia de inúmeras mazelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As referências ao contexto político italiano e às crises por que passava Florença, cidade natal de Dante, marcam presença n’&lt;em&gt;A&lt;/em&gt; &lt;em&gt;divina comédia&lt;/em&gt;, fazendo com que muitos a vejam como uma alegoria do contexto de sua época. No entanto, o livro de Dante é, também, um canto ao amor, personificado na figura de Beatriz, sua amada que morreu tão jovem e aquela que irá conduzi-lo na escalada do Paraíso em direção à presença divina. Personagem soberana no texto, Beatriz é a personificação da virtude e da beleza, fazendo jus a um lugar no Paraíso. Como as “damas” das novelas de cavalaria dos séculos XI e XII, a quem os cavaleiros prestavam serviços e deviam honrarias, Beatriz é a fonte de inspiração do poeta, o seu sonho intangível, o seu “amor cortês”, sendo homenageada não somente n’&lt;em&gt;A divina comédia&lt;/em&gt;, mas também em diversos sonetos, baladas e canções que compõem o &lt;em&gt;Canzoniere&lt;/em&gt; de Dante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recheado de “efeitos especiais” dignos de um Steve Spielberg – dos quais se sobressaem os castigos impostos às infelizes almas nos círculos infernais –, o livro talvez fizesse enorme sucesso numa adaptação para o cinema, se não fosse pelo seu conteúdo arraigadamente religioso, fator que certamente o afasta dos interesses mercadológicos de Hollywood. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7897261941488937094?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7897261941488937094/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7897261941488937094' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7897261941488937094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7897261941488937094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/08/serie-minirresenhas-vi-divina-comedia_22.html' title='Série Minirresenhas VI - A divina comédia'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1919226616489133805</id><published>2011-08-19T23:07:00.002-03:00</published><updated>2011-08-22T16:47:04.221-03:00</updated><title type='text'>A cigarra e a formiga – da série “Revisitando contos de fadas e outras fábulas” II</title><content type='html'>A cigarra e a formiga se amavam. Um belo dia, apesar de todas as diferenças, resolveram se casar. A formiga trabalhava de dia; à noite, a cigarra saía a cantar. No fim do dia, a formiga chegava a casa: não tinha jantar, a sujeira se espalhava pelos quatro cantos, a roupa estava por passar. A cigarra, nessa hora, acordava e saía para cantar. Acostumada ao trabalho pesado, a formiga nem reclamava: lavava, passava, cozinhava. É que a cigarra era toda a graça de sua vida; sem ela, não havia sentido. Mas a cigarra também era artista – da noite. Um dia, consumida em ciúme e desespero, a formiga sua história com a cigarra acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem por aí que, quando a cigarra ficou velha e já não podia mais cantar, os amigos a levaram para o Retiro dos Artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1919226616489133805?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1919226616489133805/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1919226616489133805' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1919226616489133805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1919226616489133805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/08/serie-minirresenhas-vi-divina-comedia.html' title='A cigarra e a formiga – da série “Revisitando contos de fadas e outras fábulas” II'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4690243032039884803</id><published>2011-08-01T17:46:00.014-03:00</published><updated>2011-12-05T15:30:49.169-02:00</updated><title type='text'>Tardes de rock, noites de blues no Copa’s City</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mocinho bonito que é falso malandro de Copacabana.&lt;br /&gt;(Billy Blanco)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Você não fuma?! Tudo bem. Parece que o mundo inteiro parou de fumar mesmo. Mas é duro ficar aqui olhando o tempo sem dar um trago sequer. E aquele cartaz lá na sala do doutor, hein? “É proibido fumar em local fechado”. Fala sério. Tá bom. Já disse que conto. Curioso você, hein? Quer saber como a conheci? Quando a vi pela primeira vez, não pensei que ela... Tinha pedido um contrafilé com fritas, salada, arroz, macarrão e até feijão, que é servido separado. Como eu ia saber? Ela estava na mesa, com a irmã dele e a sobrinha dele, de dois aninhos, como eu ia saber? Deviam ser umas sete da noite, super cedo, e ela estava jantando. Comia com um apetite furioso. Porque depois ia trabalhar, só eu não sabia. Não tinha ninguém jantando, só ela. Todo mundo estava bebendo chope, filando as fritas dela. Só ela não bebia. Mas acho que não estou contando do jeito certo. Antes, eu entrei no bar delas. Mas lá é só um pouso no caminho sem volta delas. É onde descansam, se alimentam. Lá, elas não trabalham. E eu gostei quando ela grudou os olhos negros nos meus, uma coisa quente me derretendo todo. Sentia minha mão escorregando no copo de chope.&lt;br /&gt;É, eu estava bebendo muito. Talvez por isso não prestei atenção em nada naquela noite. Quer dizer, só nela. Logo nela, pô. Fiquei puto quando ela foi embora. Pensei que ia se encontrar com algum namorado. Como eu ia saber? Acabou de comer, pagou e se foi. Voltei na noite seguinte, e ela estava lá, mesmo horário, mesma comida. Deu sete e meia, se mandou, agitando o cabelão. Ela tinha um cabelo sensacional, comprido. Como brilhava aquele cabelo preto dela. E eu, que estava matando aula no cursinho só para ver aquela piranha. Se o velho soubesse, me matava. Mas a culpa também é meio dele. Foi um pouco por causa dele que conheci o bar. Eu estava puto com o velho. Fui andar no calçadão, pensando num jeito de descolar uma grana extra, esticar a merreca que o velho me dava. Eu sei que ele pagava o cursinho. Nem obrigação de verdade tinha. Mas prometeu ajudar, disse para eu vir para Copa, e eu vim, não vim? Ele nem filho tem. A mulher morreu faz pouco tempo.&lt;br /&gt;Andei, andei, andei até rachar no calçadão. De repente me deu uma vontade doida de ir para a areia. Tirei o tênis e as meias. Odeio andar na areia de tênis, a gente fica parecendo aqueles gringos que vão à praia vestidos da cabeça aos pés. Tirei a camiseta também, enrolei-a e pendurei-a na bermuda. Fui andando bem devagar, sentindo a areia na sola do pés. Não sei se foi porque tinha tirado as meias e a camiseta, mas comecei a sentir um frio esquisito, uma coisa meio gelada que não sei se vinha da areia ou de dentro de mim. Era mês de julho, praia vazia. Uma grande sombra cobria quase toda a areia. Só havia uns pombos, pulando aqui e ali, deixando as marcas de suas patinhas sobre os milhares de pegadas de gente. Já reparou que areia mais pisada é aquela? Tenho nojo de pombo. Na verdade, odeio pombos. Alguns ambulantes, poucos, já iam embora. O sol se escondia cada vez mais rápido por detrás da fileira de prédios, aumentando a sombra na areia. Peguei um cigarro, para esquentar um pouco, mas fui andando com ele apagado na mão. Estava sem o isqueiro. Sabia muito bem onde o tinha deixado: na janela do banheiro, perto do aquecedor, que eu tinha ligado para o banho, antes de sair de casa. Só não lembrava se, depois, eu havia desligado o gás. Isso eu não lembrava. E se o gás estivesse vazando? E se o velho estivesse dormindo?&lt;br /&gt;Um cidadão acenou para mim, também segurando um cigarro intacto, apagado. Ei, tem fogo? Rimos de bobeira mesmo, sem motivo. Sem combinar, fomos saindo da areia. De volta ao calçadão. Sentamos num daqueles bancos de concreto, perto de um quiosque. Coisa mais difícil era acender um cigarro na praia. Ninguém tinha fogo. Parece que o mundo tinha parado de fumar de repente. Naquela hora, queria apenas acender o cigarro. Só isso. Eu ainda não sabia que, depois, ganharia aquele isqueiro com minhas iniciais gravadas. Às vezes penso que foi por causa do isqueiro que agora estou aqui. Eu não queria recuperá-lo, levá-lo comigo como uma lembrança idiota?&lt;br /&gt;Ele gostava de conversar. Em menos de meia hora, eu já sabia tudo de sua vida. Tinha vindo do interior da Bahia, mas antes de chegar em Copa tinha passado por São Paulo, Minas, Porto Alegre, Curitiba. Contou que já o tinham chamado até para a Colômbia, Bolívia. Mas que ele não era louco de trocar a terra dele por outro país. Que tomava conta de um bar, o Copa’s City, conhece? E que agora podia dizer que estava muito bem. A irmã dele também tinha vindo da Bahia. Uma sacanagem, uma menina tão legal, abandonada com uma criancinha de colo. Tão trabalhadeira. Ela trabalhava em casa de família e ele olhava a menina para ela durante o dia. Mas hoje era dia da folga dela, e ela estava com a filha, passeando na praça. Que quando ele não estava com a sobrinha e nem no bar, ficava ali, na praia, respirando uma maresia. Que cheiro de maresia era bom demais. O mar tem cheiro de mulher, né não? O mar de Copa, então...&lt;br /&gt;Então ele disse que precisava ir andando, estava na hora de ir trabalhar, e me chamou. Perguntou se eu não queria conhecer o bar. Tinha o cursinho. Mas eu sabia que a aula já tinha dançado mesmo, quase sete da noite. Deixei rolar. Uns dias depois ele veio com essa ideia de me arranjar um trampo lá no bar. Eu havia comentado que precisava arrumar minha vida, ganhar meu dinheiro. Ele disse que eu podia ajudar a servir as mesas. O bar era pequeno, mas ficava cheio. Afinal, era caminho delas. Mas depois que ele viu o sucesso que eu fazia com as meninas, mudou os planos.&lt;br /&gt;Pô, caramba. Eu andava fumando demais, bebendo demais, me arrebentando. Peguei uma gripe que me derrubou, acho que porque não me alimentava direito. Não tinha mulher para cuidar da gente, de mim e do velho. A empregada, uma coroa evangélica cheia de manias, tinha dado o fora. Trocou a gente por uma cobertura. Ainda bem. A comida dela era horrível. Mas aí a gente ficava largado de vez, cada um para um lado, se virando. A essa altura, o dinheiro do cursinho era torrado no bar das meninas. E o velho não fazia a menor ideia. Ainda bem, senão eu me ferrava de vez. Ia levando. Não lembro direito como, mas ela começou a cuidar de mim. Comprava vitamina C, mandava eu me alimentar direito. Passei a jantar no bar. No começo, eu pagava. Depois, comecei a pendurar. Por fim, ela estava me bancando. E todo mundo falando. Mas eu não tinha jeito para o que ele queria. Eu? Agenciar mulher para gringo?! Tá maluco, meu chapa. Não tenho jeito para o negócio, não pelo negócio em si. Mas é que nunca fui bom comerciante.&lt;br /&gt;Toda noite eu ia lá. Jantávamos juntos, depois ela ia embora, e eu ficava esperando pela sua volta. Madrugada, já. Às vezes, ela nem voltava. Era ele que me mandava embora, sempre. Tomava conta de mim mais que o velho. Dizia para eu sair daquela vida. Mas toda tarde eu ia para a kit dela. E o velho pensando que eu tinha mesmo arrumado um trampo. Quando ele ameaçou cortar a grana do cursinho, fui obrigado a abrir o jogo. Quer dizer, meio jogo. Inventei umas histórias. Disse que tinha ficado no emprego só dez dias, em experiência. Que o gerente não tinha ido com a minha cara, acabou me dispensando. Ele quis saber que trabalho era aquele que eu tinha arrumado. Acho que engasguei muito naquela hora. Sorte que o telefone tocou. Era uma mulher que andava pegando no pé do velho.&lt;br /&gt;Mas eu também ficava bolado. Acho que era um pouco de medo de me apegar demais. Comecei a olhar para outras mulheres que estavam me dando mole, ali mesmo, no bar. Mas eu sabia que não valia a pena trocar seis por meia dúzia. Fora dali, nenhuma me dava bola. Nem as do cursinho. Que aliás eu já tinha largado há um tempão.&lt;br /&gt;Devagar, fui trocando as tardes na kit pelo calçadão. De volta ao calçadão, pensava, pensava, olhando os pombos, as crianças, os turistas. Só depois das oito aparecia no bar. Não queria encontrá-la. Ela não sabia onde eu morava. Ninguém sabia. Ainda bem. Mas tinha hora que não dava, eu mesmo forçava para vê-la. E ela sempre me aceitava. A gente ia para a kit dela e começava tudo de novo. Um inferno. Fazer o quê?&lt;br /&gt;De volta ao calçadão. Agora era definitivo. Eu não ia mais me deixar levar. Arrastar minha vida naquela esculhambação. Eu ia embora do Rio, de Copa, daquele bar. Estava decidido. Era sério. Era tão sério que comecei a arrumar as malas. Tinha umas coisas minhas na kit dela. Uma mochila, que eu ia precisar. Um par de chinelos, um boné. Talvez, uma sunga. E uma camiseta. O isqueiro. Lembrei do isqueiro que ela havia me dado. Um isqueiro folheado a ouro, com minhas iniciais. Não podia deixar minhas coisas para trás. Muito menos o isqueiro. Era uma lembrança que eu fazia questão de levar. Pelo menos, o isqueiro. Eu tinha a chave da kit. Esperei dar umas oito horas, perambulando pelas ruas de Copa. Calçadão não, que eu não queria topar com ela. Tinha dias que eu não a via. E também eu não tinha ido ao bar na noite anterior. Já disse, queria terminar com aquilo. Por isso, fui até a kit, pegar minhas coisas. Fui num horário que eu sabia que ela não estaria lá.&lt;br /&gt;Agora, ninguém acredita em mim. Estou ferrado de vez. Disseram que eu tinha direito a um telefonema. Telefonar para quem? Para quê? Para o velho? Pra matá-lo de desgosto? Estou contando a verdade. Se eu soubesse... Mas ninguém tem bola de cristal, é ou não é? Fiquei sabendo que ela não tinha passado no bar no horário de costume. Mas ninguém estranhou. Quem vai ligar para a rotina de uma...&lt;br /&gt;Cheguei no prédio dela deviam ser umas oito e meia da noite. Aquela espelunca tem um porteiro, sei lá, um faz-tudo, servente, faxineiro, zelador. Só ele trabalha lá. Um cara grosso, mal-encarado. Nunca fui com a cara dele. Quando cheguei, ele não estava na portaria. Ele nunca fica lá. Deixa o portão aberto e some. Mora no subsolo do prédio. Dizem que tem uns negócios esquisitos com gente barra pesada. Ele não estava na portaria. E também não encontrei ninguém. Subi no elevador sozinho. Câmeras? Aquela espelunca?! Claro que não.&lt;br /&gt;Quando cheguei no andar dela, o décimo, estava tudo às escuras. Achei melhor não acender a luz do corredor. Por via das dúvidas, dei umas batidinhas na porta. Não toquei a campainha, para não fazer barulho. Esperei. Nenhum sinal. Peguei a chave e abri a porta. Ia ser rápido, eu pegaria a mochila, enfiaria minhas coisas dentro dela, sairia de novo e pronto, tudo acabado. A janela estava toda aberta, podia sentir a maresia. Uma corrente fria de ar invadiu a kit. A porta bateu com estrondo. Acendi a luz.&lt;br /&gt;A kit estava vazia. Aproveitei até para fazer xixi no banheiro minúsculo. Fui juntando minhas coisas. Enfiei tudo na mochila, mas faltava o isqueiro. Olhei em volta, remexi os lençóis revirados na cama. Onde estaria o bendito isqueiro? Lá fora, a noite parecia agitada. Escutei umas sirenes. Primeiro, a do corpo de bombeiros, fazendo aquele alarme todo. Em seguida, a sirene da polícia, breve, depois silenciou. Uma noite normal em Copa, não? Abaixei-me e dei uma olhada debaixo da cama, à procura do isqueiro. Nada. Apenas sapatos dela amontoados, como de costume. Pensei em fechar a janela, o vento estava forte, mas achei melhor não. Afinal, apaguei a luz e bati a porta.&lt;br /&gt;Fui descendo pelas escadas, acho que para me acalmar. Dez lances de escada. Não que estivesse nervoso, mas me sentia um pouco tenso. Estava livre, afinal. Com certeza, nunca mais a veria. Quando cheguei lá embaixo, o maldito estava na portaria. Ele me olhou com uma cara de espantalho. Não entendi direito o que se passava. Um tremendo tumulto tomava conta da calçada do prédio. De cara, vi a ambulância dos bombeiros. A polícia também estava lá. Todas aquelas luzes vermelhas piscando. E uma multidão de curiosos. Um cenário espetacular e, no meio dele, um corpo estendido na calçada. Uma mulher jovem, em decúbito dorsal. Diziam que ainda estava viva, agonizante. Não pude ver o rosto, os longos cabelos negros e brilhantes o cobriam.&lt;br /&gt;O porteiro apontou para mim e começou a gritar “É ele! É ele! Ele veio lá de cima.”&lt;br /&gt;Não sei porque estou aqui, juro. A polícia não acredita em mim, ninguém acredita. A única coisa que espero é que o velho não leia os jornais. Nem veja o noticiário na tevê. Ia ser muito duro para ele. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4690243032039884803?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4690243032039884803/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4690243032039884803' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4690243032039884803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4690243032039884803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/08/tardes-de-rock-noites-de-blues-no-copas.html' title='Tardes de rock, noites de blues no Copa’s City'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1944646379646681814</id><published>2011-07-15T16:53:00.000-03:00</published><updated>2011-07-15T16:54:10.200-03:00</updated><title type='text'>À sombra do apocalipse</title><content type='html'>Choveu sangue das tetas de Deus&lt;br /&gt;ao som de um estradivárius&lt;br /&gt;desafinado&lt;br /&gt;choveram pétalas de rosas que se tornaram tarântulas&lt;br /&gt;e derramaram tênue veneno sobre as santas nuas&lt;br /&gt;do místico circo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveu – a tarde inteira –&lt;br /&gt;estrela devida&lt;br /&gt;e indevida&lt;br /&gt;choveram virtuosas cascatas&lt;br /&gt;vermelhas&lt;br /&gt;fogueiras afrodisíacas que se desmanchavam a um sopro&lt;br /&gt;leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveram pequenos mártires alados&lt;br /&gt;equipados com sangue róseo&lt;br /&gt;e doce.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1944646379646681814?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1944646379646681814/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1944646379646681814' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1944646379646681814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1944646379646681814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/07/sombra-do-apocalipse_15.html' title='À sombra do apocalipse'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6821117838285279951</id><published>2011-07-06T17:54:00.015-03:00</published><updated>2011-07-11T16:26:29.084-03:00</updated><title type='text'>A arte de andar de ônibus nas ruas do Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar. É fatigante o exercício? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(João do Rio, &lt;em&gt;A alma encantadora das ruas&lt;/em&gt;) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quem costuma pegar ônibus no Rio de Janeiro sabe que a arte de andar de ônibus nesta cidade pode ser, também, a arte de chorar nos ônibus que circulam no trânsito carioca. Os usuários dos transportes coletivos do Rio estão sujeitos a toda sorte de fatores: trânsito ruim, carros nem sempre em perfeito estado de conservação, passagem cara e motoristas despreparados tanto para lidar com o trânsito quanto para o trato com o público. Muitos deles parecem mesmo esquecer a função primordial para a qual são contratados, sem o que a sua existência não teria sequer sentido: recolher e desembarcar passageiros nos pontos distribuídos ao longo das vias públicas. Do lado dos motoristas, as reclamações também são muitas. Pesquisa realizada em 2008 pelo psicólogo Haroldo Willuweit de Oliveira, da UnB, lista os principais problemas enfrentados pelos motoristas de ônibus interestaduais e de caminhões, mas pode-se afirmar que os mesmos fatores são enfrentados também pelos motoristas urbanos: condições estressantes de trabalho, geradas tanto pelas péssimas condições das estradas (no caso dos motoristas urbanos, pelo péssimo trânsito) quanto pelo excesso de horas de trabalho, má remuneração, ônibus sem manutenção. Isto sem falar nos assaltos, que preocupam tanto motoristas quanto passageiros.&lt;br /&gt;Para tentar resolver o problema do congestionamento no trânsito, a prefeitura do Rio criou recentemente o “bilhete único”, um cartão eletrônico que permite ao seu portador utilizar até duas linhas de ônibus diferentes num intervalo máximo de duas horas, pagando por isto o valor de apenas uma passagem. Não se sabe ao certo se o que estaria por trás dessa medida – que, sem dúvida, traz algum benefício para o trabalhador – é o fim dos ônibus “bairro-a-bairro” como tentativa de desafogar o gargalo no trânsito em pontos cruciais do Rio, como Copacabana, por exemplo, saturada já de tantos ônibus que por lá transitam. Adicionalmente, pode ser uma forma de atriar os passageiros para o uso dos bilhetes eletrônicos, evitando assim o acúmulo de funções que se verifica em alguns ônibus, nos quais o motorista também é obrigado a fazer as vezes de cobrador.&lt;br /&gt;As empresas de ônibus também parecem empenhadas em melhorar seus serviços, disponibilizando ao público números de telefones que recebem reclamações, elogios ou sugestões para os serviços prestados. Também já foi veiculada durante algum tempo na TV campanhas apresentando o motorista de ônibus como um “amigo” que leva o trabalhador até o seu trabalho e a sua casa, numa clara tentativa de valorizar a imagem do profissional do volante aos olhos do público, que teria como resultados uma diminuição nos conflitos entre passageiros e motoristas e a melhoria do serviço.&lt;br /&gt;O treinamento dos motoristas, no entanto, continua sendo um ponto crítico na real melhoria dos transportes coletivos de ônibus do Rio de Janeiro, pois ainda o que se observa no dia-a-dia, com raras exceções, dignas de elogios, é a arbitrariedade do “piloto”, a desatenção com o passageiro – sobretudo com o idoso – e mesmo a inabilidade na prática da direção. A exceção fica por conta das motoristas de ônibus mulheres que, segundo reportagem publicada pelo &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt; em 02/09/2008, são mais atenciosas e cuidadosas, colocando em prática os princípios da direção defensiva. Os passageiros, por sua vez, não se preocupam em enxergar no motorista de ônibus um profissional qualificado – responsável, afinal de contas, pelas vidas que transporta –, vendo-o muitas vezes meramente como uma máquina, um prolongamento do próprio ônibus. No entanto, não sendo uma máquina, mas pessoas que conduzem uma máquina, evidentemente não se aplicam aos motoristas dos ônibus as “leis da robótica”, estando assim aqueles que entram em seus ônibus sujeitos ao livre-arbítrio humano – o que envolve o humor e o nível de stress do profissional e mesmo sua habilidade ao volante e sensibilidade para perceber as dificuldades dos passageiros, notadamente no caso dos idosos.&lt;br /&gt;Uma efetiva melhoria do transporte público de ônibus no Rio de Janeiro envolveria necessariamente, de um lado, uma política de valorização profissional dos motoristas - que tenha por objetivos evitar a estressante "jornada dobrada" e o acúmulo de funções - e, de outro lado, o reconhecimento, por parte das empresas, do passageiro como usuário de um serviço que deve ser de boa qualidade. Quanto à relação motorista/passageiro, esta só pode ser melhorada com a consciência de todos, por meio de políticas de educação para o trânsito, de pertencerem a uma grande cadeia urbana, onde estão inseridos os ônibus, o trânsito, os motoristas e os passageiros.&lt;br /&gt;Afinal, se as ruas do Rio de Janeiro possuem uma alma, como dizia João do Rio no início do século XX, certamente uma parte dela são os ônibus. Para se tornarem a “alma encantadora das ruas”, que tanto buscava o escritor carioca, porém, ainda há muito em que se investir. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://onibusbrasil.com/blog/2010/07/25/dia-do-motorista-homenagem-justa-mas-pouco-a-comemorar/"&gt;http://onibusbrasil.com/blog/2010/07/25/dia-do-motorista-homenagem-justa-mas-pouco-a-comemorar/&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.unb.br/noticias/bcopauta/index2.php?i=461"&gt;http://www.unb.br/noticias/bcopauta/index2.php?i=461&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/page/portal/portalpublico/Imprensa/Mulheres%20no%20volante%20Rio"&gt;http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/page/portal/portalpublico/Imprensa/Mulheres%20no%20volante%20Rio&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6821117838285279951?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6821117838285279951/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6821117838285279951' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6821117838285279951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6821117838285279951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/07/para-compreender-psicologia-da-rua-nao.html' title='A arte de andar de ônibus nas ruas do Rio de Janeiro'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1150020110848363698</id><published>2011-06-15T17:21:00.008-03:00</published><updated>2011-06-20T17:08:09.748-03:00</updated><title type='text'>O lobo mau e a chapéu vermelho – da série “Revisitando contos de fadas e outras fábulas” I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Lobo Mau se apaixonou pela Chapéu Vermelho, e desde que a conheceu só pensava num jeito de pegá-la. Então teve uma ideia brilhante: resolveu esperá-la na casa da Vovozinha. Assim que lá chegou, o Lobo Mau quis fazer amizade com a velha, a ver se ela o apoiava no seu namoro. Mas, como estava faminto, não resistiu, e comeu a vovó com roupa e tudo. “Bom, já que estou aqui’, pensou ele, “só me resta esperar por ela”.&lt;br /&gt;Quando a Chapéu chegou, o Lobo foi direto ao assunto: “Chapéu, sei que dizem por aí que só penso em comê-la, mas também quero namorá-la. Você me aceita do jeito que sou?”. A Chapéu olhava as grandes garras do Lobo, suas orelhas enormes, seu rabo comprido, e os dentes bem afiados. Viu também os seus olhos. E estes eram sinceros e claros. E estavam muito abertos, para poder vê-la melhor. Impossibilitada de resistir a tamanha paixão, concordou: “Tudo bem, eu topo, mas com uma condição: que você desengula a minha avó”.&lt;br /&gt;O caçador, que xeretava tudo pela janela, prontamente se ofereceu para resgatar a velhinha da barriga do Lobo. Fez uma cesariana no Lobo Mau – sem anestesia, que ele era machão –, e a velhinha renasceu, com toca e tudo.&lt;br /&gt;Casaram-se numa sexta-feira com noite de lua cheia e tiveram muitos lobisominhos. E teriam sido muito felizes se o Lobo – ah! Lobo Mau, tão mau – não fosse tão ciumento. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1150020110848363698?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1150020110848363698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1150020110848363698' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1150020110848363698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1150020110848363698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/06/o-lobo-mau-e-chapeu-vermelho.html' title='O lobo mau e a chapéu vermelho – da série “Revisitando contos de fadas e outras fábulas” I'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5513077747370960597</id><published>2011-06-07T15:31:00.008-03:00</published><updated>2011-06-07T17:06:22.440-03:00</updated><title type='text'>Av. Rio Branco - da Série "Cartões nada Postais"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-J2wHQCoEWiI/Te6ErJHOpFI/AAAAAAAAAHQ/tT9_Y05AC40/s1600/bomb%2B5.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615571662093067346" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-J2wHQCoEWiI/Te6ErJHOpFI/AAAAAAAAAHQ/tT9_Y05AC40/s200/bomb%2B5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-X9keMQwJ0pM/Te6EmAfn84I/AAAAAAAAAHI/d2ldUjvpGtY/s1600/bomb%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615571573880124290" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-X9keMQwJ0pM/Te6EmAfn84I/AAAAAAAAAHI/d2ldUjvpGtY/s200/bomb%2B4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto isto, no coração da Cidade Maravilhosa, os Bombeiros Militares fecham ruas e avenidas, lutando por condições mais dignas de viver e trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5513077747370960597?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5513077747370960597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5513077747370960597' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5513077747370960597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5513077747370960597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/06/av-rio-branco-da-serie-cartoes-nada.html' title='Av. Rio Branco - da Série &quot;Cartões nada Postais&quot;'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-J2wHQCoEWiI/Te6ErJHOpFI/AAAAAAAAAHQ/tT9_Y05AC40/s72-c/bomb%2B5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8147354862528632907</id><published>2011-06-07T11:25:00.003-03:00</published><updated>2011-06-07T15:21:04.649-03:00</updated><title type='text'>O menor conto do mundo</title><content type='html'>Considerado o menor conto do mundo, "O dinossauro", miniconto de Augusto Monterroso, apesar de seu pequeno tamanho, já começa a render alguns quilômetros de textos, virtuais ou não. Publicado no livro de estreia do autor, em 1959, no México, este, porém, não é somente "o menor conto do mundo": consegue ser, também, o maior dos pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;El dinosaurio&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba alli. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8147354862528632907?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8147354862528632907/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8147354862528632907' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8147354862528632907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8147354862528632907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/06/o-menor-conto-do-mundo.html' title='O menor conto do mundo'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8775480388434357268</id><published>2011-05-19T11:46:00.008-03:00</published><updated>2011-05-20T17:08:26.127-03:00</updated><title type='text'>Um retrato - da Série "Cartões nada Postais"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-CxzvuGZ1xZ0/TdUuZitQ96I/AAAAAAAAAGs/LWBN5vSlx8Y/s1600/Hospital-escola%2BS%25C3%25A3o%2BFrancisco.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608439927308089250" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-CxzvuGZ1xZ0/TdUuZitQ96I/AAAAAAAAAGs/LWBN5vSlx8Y/s200/Hospital-escola%2BS%25C3%25A3o%2BFrancisco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este na foto* é o Hospital-Escola São Francisco de Assis, pertencente à UFRJ, localizado na Av. Presidente Vargas, uma das mais movimentadas da área central do Rio de Janeiro. Triste retrato da saúde e da educação públicas no Brasil, reunidas num só lugar. Enquanto isto, no coração da Cidade Maravilhosa, livrarias são fechadas e mais restaurantes se abrem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Clique na foto para ampliar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8775480388434357268?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8775480388434357268/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8775480388434357268' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8775480388434357268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8775480388434357268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/05/um-retrato.html' title='Um retrato - da Série &quot;Cartões nada Postais&quot;'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-CxzvuGZ1xZ0/TdUuZitQ96I/AAAAAAAAAGs/LWBN5vSlx8Y/s72-c/Hospital-escola%2BS%25C3%25A3o%2BFrancisco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4107636224054444469</id><published>2011-04-04T17:28:00.010-03:00</published><updated>2011-04-05T11:06:33.005-03:00</updated><title type='text'>flashes do mundinho-fashion-carioca</title><content type='html'>&lt;li&gt;Muito mais que &lt;em&gt;over&lt;/em&gt;: usar botas no leve outono do Rio de Janeiro. Hoje (28º) vi um par delas, até os joelhos. &lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Numa vitrine da Rio Branco: calça, saia, blusa, casaco, tudo do mesmo pano. Resultado de alguma promoção da fábrica de tecido? &lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Blusa básica não dá. O que dizer de quatro, cinco, seis delas no armário, uma para cada dia, variando somente a cor?! &lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Tristeza que dá ver os manequins nas vitrines usando a mesma roupa a semana inteira. &lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4107636224054444469?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4107636224054444469/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4107636224054444469' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4107636224054444469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4107636224054444469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/04/flashes-do-mundinho-fashion-carioca.html' title='flashes do mundinho-fashion-carioca'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2753222326194715386</id><published>2011-03-23T16:58:00.008-03:00</published><updated>2011-03-24T16:57:16.319-03:00</updated><title type='text'>Dízimo</title><content type='html'>Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus vinha meio sacolejante.&lt;br /&gt;A mulher no ponto fez o sinal.&lt;br /&gt;O motorista, porém, não parou,&lt;br /&gt;embora viesse devagar.&lt;br /&gt;A mulher avançou de repente,&lt;br /&gt;se interpondo na frente&lt;br /&gt;do ônibus, o que obrigou&lt;br /&gt;o motorista a dar uma brusca freada.&lt;br /&gt;Estava com pressa para ir trabalhar,&lt;br /&gt;que o patrão não era de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Meu filho, pode abrir a porta de trás&lt;br /&gt;pra mim entrar?, pediu ela, humildemente.&lt;br /&gt;Trazia muitas sacolas, de plástico branco,&lt;br /&gt;e queria facilitar seu acesso ao ônibus.&lt;br /&gt;O motorista não respondeu. Mas&lt;br /&gt;um rapaz, postado em pé junto à roleta,&lt;br /&gt;próximo ao cobrador, falou:&lt;br /&gt;— Abre aí, tio, deixa ela entrar.&lt;br /&gt;A mulher olhou para o rapaz. Ah, mas&lt;br /&gt;não é o Sandrinho, lá da comunidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro rapaz, próximo à porta, ajudou&lt;br /&gt;a mulher a subir com as sacolas.&lt;br /&gt;Não eram grandes, mas&lt;br /&gt;eram bem pesadinhas. Este outro rapaz&lt;br /&gt;devia ser amigo do Sandrinho. A mulher&lt;br /&gt;das sacolas não lembrava o nome, mas&lt;br /&gt;sabia que era da comunidade.&lt;br /&gt;— Deus abençoe vocês dois, disse ela,&lt;br /&gt;acomodando-se no banco, com&lt;br /&gt;suas sacolas branquinhas, de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos em pé, Sandrinho e o amigo,&lt;br /&gt;no ônibus quase vazio.&lt;br /&gt;E Sandrinho:&lt;br /&gt;— Tia, quanto é que a senhora pesa?&lt;br /&gt;— Hein? - Por trás das grossas lentes,&lt;br /&gt;a mulher viu a balança&lt;br /&gt;postada ao pé da roleta do ônibus.&lt;br /&gt;Era uma balança pequena, daquelas&lt;br /&gt;que as madama usam no banheiro.&lt;br /&gt;Para controlar o peso, sabe como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandrinho levantou um pouco a voz,&lt;br /&gt;alterado: — Muito bem, muito bem.&lt;br /&gt;Aqui é que nem com o pastor.&lt;br /&gt;Só dez por cento, é o que a gente&lt;br /&gt;vai levar, completou.&lt;br /&gt;— É, dez por cento do que você pesar,&lt;br /&gt;esclareceu para os presentes&lt;br /&gt;o amigo do Sandrinho.&lt;br /&gt;(A mulher das sacolas agarrou-se&lt;br /&gt;febrilmente a elas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandrinho, revólver em punho&lt;br /&gt;– e só agora a tia percebia –,&lt;br /&gt;mandou-a subir na balança: — Já.&lt;br /&gt;As sacolas de plástico branco&lt;br /&gt;abandonadas sobre o banco do ônibus.&lt;br /&gt;A um sinal de Sandrinho, o parceiro&lt;br /&gt;pegou uma delas. Abriu. E então,&lt;br /&gt;muito bem acondicionada, a droga&lt;br /&gt;saltou à vista de todos. (E a mulher&lt;br /&gt;era gorda, a balança confirmava.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima da balança, a mulher&lt;br /&gt;suava frio, suas vistas escureciam.&lt;br /&gt;E por sua mente, em desvario&lt;br /&gt;de agonia, duas caras&lt;br /&gt;diferentes desfilavam. A primeira,&lt;br /&gt;a do patrão, severa, terrível. Desumana.&lt;br /&gt;E depois, como em &lt;em&gt;flashes&lt;/em&gt; que já não servem&lt;br /&gt;pra nada, vinha e ia e ia e vinha&lt;br /&gt;a face do doutor do posto&lt;br /&gt;de saúde lá da comunidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2753222326194715386?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2753222326194715386/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2753222326194715386' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2753222326194715386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2753222326194715386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2011/03/dizimo.html' title='Dízimo'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-155848855808193591</id><published>2010-11-17T16:44:00.013-03:00</published><updated>2011-03-29T10:43:08.287-03:00</updated><title type='text'>Série minirresenhas V - Vidas e doutrinas de filósofos ilustres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;LAÊRTIOS, Diôgenes. &lt;em&gt;Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres&lt;/em&gt;. Trad. do grego, introdução e notas Mário da Gama. 2. ed., reimpressão. Brasília: Editora da UnB, 2008. 360 p. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terminada enfim a leitura de &lt;em&gt;Vidas e doutrinas de filósofos ilustres&lt;/em&gt;, escrito por Diógenes Laêrtios no século III a. C., impressiona o esforço destes antigos e ilustres filósofos&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;gregos que, numa época em que morria-se de piolhos (!) e a paralisia era coisa normalíssima, procuravam a todo custo preservar e defender suas ideias. Assim, podemos também compreender melhor o conceito de "valor de eternidade" que Walter Benjamin forjou em sua famosa comparação das esculturas gregas com a "reprodução técnica" da arte contemporânea. Do mesmo modo, impressiona a descrição que faz Diógenes dos seus personagens, transmitindo-nos tamanha vivacidade, como nesta cena, entre Crates, o cínico, e Zenon, o fundador do estoicismo: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Seu encontro com Crates ocorreu nas seguintes circunstâncias: após haver comprado púrpura na Fenícia, Zenon sofreu um naufrágio nas proximidades do Peiraieus; dirigiu-se então a Atenas (nessa época Zenon tinha trinta anos de idade) e sentou-se na loja de um livreiro. Lendo o segundo livro das &lt;em&gt;Memorabília&lt;/em&gt; de Xenofon, sentiu tanta satisfação que perguntou onde seria possível encontrar homens como Sócrates. “Naquele exato momento Crates passava por lá, e o livreiro apontou para o filósofo e disse: ‘Segue aquele homem!’ Desde então ele se tornou discípulo de Crates; seu espírito mostrou-se fortemente inclinado para a filosofia, porém era muito tímido para adaptar-se ao despudor cínico. Percebendo esta resistência e querendo superá-la, Crates deu-lhe uma panela cheia de lentilhas para levar ao longo do Cerameicôs; vendo que ele estava envergonhado e tentava esconder a panela, Crates partiu-a com um golpe de seu bastão. Zenon começou a fugir, enquanto as lentilhas escorriam de suas pernas, e Crates disse-lhe: ‘Por que foges, meu pequeno fenício? Nada te aconteceu de terrível.’”. (p. 181) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-155848855808193591?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/155848855808193591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=155848855808193591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/155848855808193591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/155848855808193591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/11/serie-minirresenhas.html' title='Série minirresenhas V - Vidas e doutrinas de filósofos ilustres'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1266013637536476501</id><published>2010-09-24T15:57:00.005-03:00</published><updated>2010-09-24T16:06:00.718-03:00</updated><title type='text'>O Estrangeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cena banal: um homem e seu cachorro. É noite. O homem traz o pequeno cão pela coleira e a toda hora o puxa para perto de si, mas o animal, atiçado pelo odor invisível da calçada, segue uma trilha que só a ele é dada a perceber. O homem, no entanto, o traz à rédea curta, frustrando os seus intentos. Passo por eles com certa margem de cautela. O homem (voz rouca): “Bono diê mei-ni-na”. “Como?”. Ele olha em direção ao céu escuro e fumacento, enquanto a luz pálida do poste cai sem piedade sobre a cabeça do estrangeiro. É uma cabeça esquisita, em cujo olhar lampejam coisas de remotos lugares. E dentro dela talvez passem filmes ruins, terríveis, dos quais ele não possa se libertar. O estrangeiro move a cabeça, sacolejando todo o seu conteúdo, mas, como o cão a seus pés, não pode fugir, condenado para sempre às mesmas cenas. “No, no”, corrige-se ele, “bona notche, senhô-rra”. E lamento que desta vez ele tenha tão bem acertado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1266013637536476501?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1266013637536476501/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1266013637536476501' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1266013637536476501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1266013637536476501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/09/o-estrangeiro.html' title='O Estrangeiro'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4843342184262719444</id><published>2010-09-17T15:56:00.002-03:00</published><updated>2010-10-20T16:29:08.277-03:00</updated><title type='text'>Domingo, Maio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido acordou esquisito. A mulher também, mas quis fazer tudo como de costume. Errou, porém, a quantidade do pó, e o café ficou perdido, o que aumentou o constrangimento do homem, a xícara quase intacta esfriando sobre a mesa da cozinha, enquanto ele desdobrava o jornal à cata de alguma notícia alarmante, alguma catástrofe natural de grandes proporções, um escândalo público, um crime hediondo. Algo que pudesse abafar o grito dentro do peito. Sem mágoa, silenciosamente a mulher retirou a xícara cheia de café bem preto da mesa. Lá fora, os pardais rejubilavam-se ao sol claro da manhã de domingo (era domingo), e o homem lembrou-se de ir para a frente da casa, para aquecer-se um pouco ao sol branco do outono (era maio). Largou o jornal sobre a bancada de alvenaria que contornava o pequeno jardim e sentiu a necessidade que as plantas tinham de serem regadas, o frio seco crestando as folhas das roseiras cultivadas com tanto esmero pela mulher.&lt;br /&gt;Na cozinha, ela lavava a louça do café, enquanto pensava no que fazer para o almoço. Almoço de domingo. Há quanto tempo não sabia mais o que era isto? Ela e o marido eternamente de dieta. A filha caçula, a única que ainda morava com eles, tinha ido dormir na casa do noivo, não iria aparecer antes das sete da noite.&lt;br /&gt;Na frente da casa, empunhando o velho regador de plástico azul cheio d’água, o marido molhava as plantas, sentindo-se meio deslocado nesta tarefa. O carro verde-escuro descansando na garagem, num domingo verde-claro como aquele. Até que ele se cansou e entrou. Desajeitado, sentou-se novamente à mesa da cozinha, observando a mulher abrir e fechar as portas dos armários e da geladeira, fazendo limpezas desnecessárias. A mulher olhou para ele. E viu-lhe as olheiras, que denunciavam as noites mal dormidas, as idas e vindas constantes ao hospital, a espera infindável do desfecho que parecia não querer vir nunca. Viu os olhos muito azuis dele, herança da mãe, marejarem um instante, desamparados, e sabia que tudo que dissesse não poderia servir, em absoluto, de consolo. Aproximou-se dele e apenas pousou a mão em seu ombro.&lt;br /&gt;O telefone tocou. Era a Zélia, avisando que iria render a Carmem junto ao leito da mãe. Não, não havia nenhuma novidade. A não ser aquela espera desesperançada que Antônio, o filho mais velho de Dona Clotilde, sessentão já, não sabia mais como suportar. Ele voltou ao jardim e, enquanto observava as gotículas que escorregavam mansamente pela pele das rosas recém-aguadas, reviu, nítido, todos os domingos passados na casa da mãe, que, agora, agonizava no hospital. Reviu o dia em que levara, orgulhoso, seu primeiro neto para a mãe conhecer. O segundo neto. E o terceiro. As irmãs, mais novas que ele, também levavam aos poucos os seus próprios netos. E os bisnetos da Dona Clotilde se multiplicavam. As comidas sobre o fogão também. Enormes panelas onde a velha depositava suor e amor, no sagrado almoço do domingo na “casa da vovó”.&lt;br /&gt;— Meu filho, cadê a Tereza?&lt;br /&gt;— Ela não vem, mãe. Foi para a casa do pai dela, não lembra?&lt;br /&gt;Dona Clotilde se inquietava um instante, os olhos extremamente azuis piscando muito, perturbada. Depois, a ausência de Tereza ia se diluindo pela tarde cheirando a biscoito de polvilho assado com açúcar e canela e café fresquinho, a criançada desafiando o cachorro preso no fundo do quintal.&lt;br /&gt;À beira do jardim bem cuidado, Antônio revia a mãe se enrugando lentamente, os olhos azuis perdendo o viço, o cabelo virando um chumaço de algodão. Era como um espelho para ele, que também se ia encolhendo, a calva cada vez mais calva, os músculos flácidos, problemas de saúde de toda sorte, colesterol, diabetes, pressão alta. O diabo. O tempo infiltrava-se em sua arquitetura e provocava vazamentos por todos os lados. O edifício ruía. Via a mãe se desfazendo lentamente. “Meu filho, meu filho. Meu filho!”. E o mundo à sua frente também se desfazia numa mancha colorida em que as rosas vermelhas, amarelas e brancas do jardim subitamente se fundiam contra o fundo verde. Antônio chorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4843342184262719444?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4843342184262719444/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4843342184262719444' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4843342184262719444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4843342184262719444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/09/domingo-de-maio.html' title='Domingo, Maio'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5990807632864397134</id><published>2010-09-13T16:59:00.009-03:00</published><updated>2010-10-20T16:25:03.689-03:00</updated><title type='text'>Inventário dos utensílios: a manteigueira, as chávenas, o açucareiro.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"O almoço era frugal como de costume. Café com leite muito bem feito, três pães, um para cada pessoa, e excelentes bananas-maçãs. Todos os domingos punha-se invariavelmente no meio da mesa uma grande manteigueira de louça azul, como era o resto do aparelho. Fábio nos primeiros tempos destampava sem cerimônia a manteigueira e empastava a fatia; mas acabou-se a primeira porção e só restava a crosta ligeira que fica aderente às paredes da louça. Ricardo fez-lhe compreender que não deviam se tornar pesados à excelente senhora, cuja hospitalidade era oferecida de tão bom coração. Desde esse dia a tampa da manteigueira caiu como a lousa de um túmulo, para não mais se abrir. Posta no meio da mesa ela não era mais do que um símbolo ou um emblema; atestava a decência do almoço, pois na opinião da dona da casa não havia mesa capaz sem manteiga.&lt;br /&gt;No domingo em que estamos, D. Joaquina fez uma surpresa a seus hóspedes. Havia quatro ovos quentes.&lt;br /&gt;— Oh! exclamou Fábio alegremente. A Nanica brilhou desta vez.&lt;br /&gt;— Estes sobraram de uma dúzia que estou guardando para tirar uma ninhada.&lt;br /&gt;— É verdade, minha tia. Havemos de fazer uma sociedade para ficarmos ricos de repente. Conheço um americano que inventou uma máquina de chocar ovos...&lt;br /&gt;— Já sei; para tirar os pintos sem galinha.&lt;br /&gt;— Ora! Isto não vale nada. A minha máquina é coisa mais sublime; olhe, minha tia: mete-se um ovo, um ovo só. Três dias depois abre-se a porta da máquina, e enche-se a capoeira de galos, galinhas e frangos.&lt;br /&gt;— Grandes?&lt;br /&gt;— Pois então? Manda-se vender à cidade a primeira capoeira. Mas como as galinhas antes de saírem da máquina puseram lá os ovos, e estes já estão feitos galinhas, é um não acabar!&lt;br /&gt;A velha ria-se às gargalhadas das pilhérias do sobrinho; e assim iam temperando o almoço com o sal da alegria e do prazer, que é sem dúvida o melhor adubo."&lt;br /&gt;(José de Alencar, 1872, &lt;em&gt;Sonhos d’Ouro&lt;/em&gt;, cap. IV)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tinham acabado de almoçar.&lt;br /&gt;A sala esteirada, alegrava, com o seu teto de madeira pintado a branco, o seu papel claro de ramagens verdes. Era em julho, um domingo, fazia um grande calor; as duas janelas estavam cerradas, mas sentia-se fora o sol faiscar nas vidraças, escaldar a pedra da varanda; havia o silêncio recolhido e sonolento de manhã de missa; uma vaga quebreira amolentava, trazia desejos de sestas ou de sombras fofas debaixo de arvoredos, no campo, ao pé da água; nas duas gaiolas, entre as bambinelas de cretone azulado, os canários dormiam; um zumbido monótono de moscas arrastava-se por cima da mesa, pousava no fundo das chávenas sobre o açúcar mal derretido, enchia toda a sala de um rumor dormente.&lt;br /&gt;Jorge enrolou um cigarro, e muito repousado, muito fresco na sua camisa de chita, sem colete, o jaquetão de flanela azul aberto, os olhos no teto, pôs-se a pensar na sua jornada ao Alentejo. Era engenheiro de minas, no dia seguinte devia partir para Beja, para Évora, mais para o sul até São Domingos; e aquela jornada, em julho contrariava-o como uma interrupção, afligia-o como uma injustiça. Que maçada por um verão daqueles! Ir dias e dias sacudido pelo chouto de um cavalo de aluguel, por esses descampados do Alentejo que não acabam nunca, cobertos de um rastolho escuro, abafados num sol baço, onde os moscardos zumbem! Dormir nos montados, em quartos que cheiram a tijolo cozido, ouvindo em redor, na escuridão da noite tórrida, grunhir as varas dos porcos! A todo o momento sentir entrar pelas janelas, passar no ar o bafo quente das queimadas! E só!&lt;br /&gt;Tinha estado até então no ministério, em comissão. Era a primeira vez que se separava de Luísa; e perdia-se já em saudades daquela salinha, que ele mesmo ajudara a forrar de papel novo nas vésperas do seu casamento, e onde, depois das felicidades da noite, os seus almoços se prolongavam em tão suaves preguiças!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Eça de Queirós, 1878, &lt;em&gt;O primo Basílio&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As negras serviam as infindáveis sobremesas. Ester propôs que tomassem o café na sala. Virgílio levantou-se rapidamente, tomou da cadeira da qual ela se levantava, puxou-a para trás fazendo espaço para ela sair. Horácio olhava com certa longínqua inveja. Maneca Dantas admirava os modos do advogado. Considerava que a educação era uma grande coisa. E pensou nos filhos e os imaginou, no futuro, iguais ao Dr. Virgílio. Ester saía da sala, os homem a seguiram.&lt;br /&gt;Chuviscava no campo, um chuvisco miúdo, atravessado pela claridade da lua. As estrelas eram muitas, nenhuma outra luz empanava sua luz celeste. Virgílio chegou até a porta, andou um passo na varanda. Felícia entrava com a bandeja de café, Ester servia o açúcar. Virgílio voltou, fez a consideração como se declamasse um poema:&lt;br /&gt;- Só na mata se vê uma noite tão bela...&lt;br /&gt;- Está bonita, sim... - apoiou Maneca Dantas que mexia sua xícara de café. Voltou-se para Ester: - Mais uma colherzinha, comadre. Gosto de café bem doce...Mais uma vez atendeu ao advogado. - Muito bonita a noite e essa chuvinha ainda dá mais graça... - fazia força para acompanhar o ritmo que Virgílio e Ester emprestavam à conversa. Ficou contente porque teve a impressão de que dissera uma frase parecida com as deles.&lt;br /&gt;- E o doutor? Pouco ou muito açúcar?&lt;br /&gt;- Pouco, dona Ester... Basta... Muito obrigado... A senhora também não acha que o progresso mata a beleza?&lt;br /&gt;- Ela entregou o açucareiro a Felícia, tardou um minuto a responder. Estava pensativa e séria.&lt;br /&gt;- Acho que o progresso também tem tanta beleza...&lt;br /&gt;- Mas é que nas grandes cidades, com a iluminação, nem se vêem as estrelas... E um poeta ama as estrelas, dona Ester... As do céu e as da terra...&lt;br /&gt;- Mas há outras noites que não são de estrelas...agora a voz de Ester era profunda, vinha do coração. - Nas noites de tempestade é horroroso...&lt;br /&gt;- Deve ser terrivelmente belo... - a frase subia pela sala, dançava diante de todos. Completou: - É o belo horrendo...&lt;br /&gt;- Talvez... - disse Ester. - Mas eu tenho medo nessas noites - e o olhava com um olhar súplice, como a um amigo de largos anos.&lt;br /&gt;Virgílio viu que ela já não representava e teve pena, imensa pena. Foi nesse momento que pousou os olhos nela com doçura e com verdadeiro interesse. E os pensamentos risonhos e astuciosos de antes desapareceram substituídos por algo mais sério e mais profundo."&lt;br /&gt;(Jorge Amado, 1943, &lt;em&gt;Terras do Sem Fim&lt;/em&gt;, cap. 7 de “A Mata”) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5990807632864397134?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5990807632864397134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5990807632864397134' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5990807632864397134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5990807632864397134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/09/inventario-dos-utensilios-manteigueira.html' title='Inventário dos utensílios: a manteigueira, as chávenas, o açucareiro.'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4225765441926284111</id><published>2010-08-27T16:26:00.021-03:00</published><updated>2011-03-31T16:06:02.423-03:00</updated><title type='text'>Diógenes Laertios e os Sete Sábios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agora, ao levantar-me, apesar do cansaço de ontem, meti-me a ler algumas páginas de Prometeu de Ésquilo, através de Leconte de Lisle; ontem entretive-me com o Phedon de Platão, também de manhã; veja como ando grego, meu amigo. (Machado de Assis, em carta a Mário de Andrade) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O estudo da filosofia antiga é uma tarefa bastante árdua, pois as fontes são precárias, confusas ou simplesmente não existem mais. Muitos estudiosos de hoje devem ao trabalho de pesquisa de Diógenes Laertios, que viveu no século III e compilou boa parte do pensamento dos filósofos antigos, o conhecimento de que dispõem. Mesmo em sua época, Diógenes já se ressentia dessas lacunas e o seu esforço foi, em grande medida, no sentido de sanar tal dificuldade. As origens da filosofia, segundo o próprio Diógenes, são difíceis de desvendar, não se podendo afirmar com exatidão quem foram os primeiros filósofos, nem mesmo o local de surgimento. Diógenes cita, no início do seu trabalho, autores que dizem terem existido filósofos entre os persas, os babilônios, os indianos e os egípcios, para logo em seguida reafirmar a origem helênica da filosofia: “Esses autores ignoram que os feitos por eles atribuídos aos bárbaros pertencem aos helenos, com os quais não somente a filosofia mas a própria raça humana começou” (Livro I, 4º §). O trabalho de Diógenes Laertios, deste modo, se constitui antes de mais nada em uma defesa da cultura grega, em seu sentido mais amplo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ironicamente, porém, pouco se sabe sobre o autor de &lt;em&gt;Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres&lt;/em&gt; (ou simplesmente &lt;em&gt;Vidas dos filósofos&lt;/em&gt;), havendo dúvidas quanto ao seu nome – se Diógenes Laertios ou Laertios Diógenes –, local de nascimento e a época em que viveu, levando os estudiosos a situarem sua obra de acordo com os últimos filósofos mencionados por ele. Da mesma forma, suas convicções filosóficas são ignoradas, podendo-se afirmar com certeza apenas que ele dedicou-se a biografar filósofos de variadas correntes e a compilar seu pensamento de forma praticamente imparcial, ainda que simplesmente copiando de outras fontes a que recorria, e das quais não raro transcrevia sem grandes cuidados. Felizmente, essa sua obra, escrita em 10 Livros, conservou-se, sendo redescoberta durante o Renascimento, quando foi, a exemplo de inúmeros outros textos gregos, reeditada, em tradução para o latim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a &lt;em&gt;Vidas dos filósofos&lt;/em&gt; de Diógenes Laertios é uma fonte valiosa de estudos, no Brasil, devemos o acesso a tal fonte ao trabalho de tradução do professor Mário da Gama Kury, que a apresenta com uma ótima Introdução, onde são disponibilizadas informações igualmente valiosas. Neste espaço, valendo-me do trabalho do professor Mário da Gama, faço um breve resumo da vida e pensamento dos filósofos apresentados por Diógenes como “precursores”, ou os “Sete Sábios”, que em sua maioria ocuparam cargos ou funções públicos e cujo desempenho e figura pública chamaram a atenção em sua época, tornando-se verdadeiras “lendas” – ainda que, enquanto filósofos no sentido estrito, muitos deles não pudessem ser assim considerados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os precursores da filosofia – os Sete Sábios&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A respeito dos lendários “Sete Sábios”, Diógenes Laertios chama a atenção para o fato de que há diversas imprecisões nas informações disponíveis sobre eles, inclusive quanto ao número correto deles, que alguns afirmam serem 17. Nas diversas listas elaboradas pelos estudiosos, são constantes apenas quatro nomes: Tales, Sólon, Pítacos e Bias. Além disto, segundo Diógenes, “as palavras dos Sábios são registradas de maneiras diferentes, e atribuídas ora a um, ora a outro”. Estes “sábios”, além de terem sido, em sua maioria, contemporâneos entre si, e de serem considerados, quase todos, “o primeiro em sapiência” ou “o mais sábio dos sábios”, tinham em comum o gosto pela elaboração de enigmas e também o fato de terem vivido, de modo geral, por volta do ano 500 a. C., alguns um século para mais, outros para menos. Não admira, pois, que, na época de Diógenes Laertios, que viveu no século III da era cristã – quase um milênio depois dos Sábios – as dificuldades em se conhecer a vida e a obra destes “precursores” fossem imensas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A seguir, apresento resumidamente os 11 Sábios listados por Diógenes Laertios (na mesma ordem, não cronológica, em que ele os apresenta), informando, sempre que possível, o local e ano aproximado de nascimento, suas principais características e máximas, as obras deles a que Diógenes se refere, idade aproximada da morte e, quando houver, a inscrição que consta em sua estátua ou túmulo. Para uma melhor exemplificação, inseri trechos em itálico, transcritos do texto de Diógenes, traduzido por Mário da Gama. O trabalho é encerrado com uma brevíssima conclusão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;TALES &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu por volta de 640 a. C. e viveu em Miletos, cidade da Ásia Menor [atual Turquia], não se sabendo se era milésio de nascimento ou se recebeu a cidadania milésia após ser banido da Fenícia. Dedicou-se à política e depois passou a observar a natureza, quando descobriu a constelação da Ursa Menor. Sustentou pela primeira vez a imortalidade da alma. É dele o provérbio “Conhece-se a ti mesmo”, que teria sido plagiado por Quílon, outro dos Sete Sábios. Conta-se que Tales não teve filhos, e que adotou o filho de sua irmã. Quando alguém lhe perguntou por que não tivera seus próprios filhos, ele respondeu: “Por amor aos filhos”. Conta-se também que quando sua mãe tentou induzi-lo a casar-se, ele respondeu que era muito cedo, e quando, mais tarde, ela voltou a pressioná-lo, ele ponderou que já era tarde demais. Existe uma carta conservada dele a Sólon. É autor de apenas duas obras, &lt;em&gt;Do Solstício&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Do Equinócio&lt;/em&gt;, pois afirmava que os demais assuntos estavam acima da capacidade de conhecimento dos homens. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Tales dizia que a morte não diferia da vida. ‘Por que, então’, disse alguém, ‘não morres?’ ‘Porque’, disse ele, ‘não faz diferença’. Quando lhe perguntaram quem era mais velho, o dia, ou a noite, ele respondeu: ‘A noite é mais velha por um dia’. Alguém lhe perguntou se um homem pode ocultar aos deuses uma ação má: ‘Não’, respondeu Tales, ‘nem sequer um mau pensamento’. A um adúltero que lhe perguntou se poderia negar a acusação mediante juramento ele respondeu que o perjúrio não era pior que o adultério. A alguém que lhe perguntou qual era a coisa mais difícil ele respondeu: ‘Conhecer-se a si mesmo’. ‘E qual a mais fácil?’ ‘Dar conselhos aos outros’. (...) Tales nos diz que devemos lembrar-nos dos amigos, quer estejam presentes, quer ausentes; que não devemos orgulhar-nos de nossa aparência, e sim esforçar-nos por ser belos no caráter. ‘Não devemos enriquecer de maneira condenável’ – diz Tales – ‘e nem mesmo uma palavra deve tornar-nos odiosos a quem confiou em nós’. ‘Deves esperar de teus filhos tudo que fizestes por teus pais’.” &lt;/em&gt;(p. 22) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu aos 78 anos de idade ou, segundo Sosicrates, aos 90 anos. Sua estátua possui a seguinte inscrição: “A IÔNICA MILETOS NUTRIU E REVELOU ESTE TALES, ASTRÔNOMO ENTRE TODOS O MAIS ANTIGO PELA SAPIÊNCIA”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SÔLON&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu em Salamina e foi arconte em Atenas em 594 a. C., onde elaborou diversas leis, das quais a primeira foi a Lei da Liberação, com o objetivo de resgatar pessoas que, por força da pobreza, tomavam dinheiro emprestado e acabavam forçados a se tornarem servos. Algumas leis de Sólon: se alguém se negasse a sustentar os pais, seria punido com a privação dos direitos cívicos, assim como quem dilapidasse seu próprio patrimônio; a ociosidade era um crime pelo qual qualquer pessoa poderia fazer o ocioso prestar contas de sua vida; o guardião de um órfão não podia se casar com a mãe do tutelado; o herdeiro subsequente na sucessão, em caso de morte dos órfãos, era impedido de ser guardião dos mesmos. Sólon reduziu as honrarias concedidas aos atletas competidores, alegando ser moralmente pernicioso aumentar as recompensas dos vencedores. O povo ateniense o queria como tirano, mas ele recusou-se. Percebendo que seu parente Peisístratos intentava tomar o poder, alertou os cidadãos e foi declarado como louco pelos partidários de Peisístratos. Deu grande contribuição na preservação dos poemas de Homero. Sólon disse que o limite da vida é de 70 anos. São dele as palavras “A fala é o espelho dos atos” e também a máxima “Nada em excesso”. Ao chorar a perda do filho, alguém lhe disse “Não adianta!”, ao que ele respondeu: “Choro precisamente porque não adianta!”. Existem conservadas cartas dele a Pesístratos, Períandros, Epimenides e Croisos, e uma carta de Pesístratos para ele. Sua obra consiste nas leis que ele elaborou e inscreveu em tabuletas giratórias, discursos, exortações a si mesmo, elegias, poemas diversos, totalizando cerca de cinco mil versos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Conta-se que Croisos, suntuosamente vestido, sentou-se em seu trono e perguntou a Sólon se alguma vez tinha visto alguma coisa mais bela. Sólon respondeu: ‘Galos, faisões e pavões, pois eles brilham com as cores naturais, miríades de vezes mais belas’. Sólon foi viver na Cilícia e fundou uma cidade chamada Sôloi por causa de seu nome. Nela Sólon instalou uns poucos atenienses, que com o decurso do tempo corromperam a pureza do dialeto ático, e por isso dizia-se que cometiam ‘solecismos’. (...) Sólon costumava dizer que as pessoas influentes junto aos tiranos se assemelhavam aos pequenos seixos usados para calcular, pois da mesma forma que cada seixo representava ora um número grande, ora um pequeno, os tiranos tratavam cada pessoa à sua volta às vezes como importante e famosa, e às vezes como insignificante. Quando lhe perguntaram por que ele não elaborara lei alguma contra o parricídio o sábio respondeu: ‘Porque espero que ela seja desnecessária’. (...) Seus conselhos eram os seguintes: ‘Confiai mais na nobreza de caráter que nos juramentos; nunca mintais; tende em vista objetivos dignos; não sejais precipitados ao fazer amigos, mas, uma vez feitos, não os deixeis; aprendei a obedecer antes de comandar; tomai as melhores decisões, e não as mais agradáveis; fazei da razão o vosso guia; não convivais com os maus; honrai os deuses e reverenciai os pais’.”&lt;/em&gt; (pp. 25, 27 e 28) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sólon morreu em Chipre, aos 80 anos de idade. Sua estátua possui a seguinte inscrição: “ESTA SALAMINA QUE PÔS FIM À INJUSTA VIOLÊNCIA DOS MEDOS GEROU SÓLON, LEGISLADOR SAGRADO”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;QUÍLON&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era lacedemônio. Foi escolhido para éforo por volta de 560 a. C., quando propôs a designação dos éforos para auxiliarem os reis. Dizia que a excelência de um homem consiste em prever o futuro até onde este pode ser discernido pela razão. Aconselhou Hipócrates a não se casar ou, se já fosse casado, divorciar-se e deserdar os filhos. É autor da máxima “Garantia dada, desgosto à vista”. Conservou-se uma carta dele a Períandros. Escreveu uma elegia de 200 versos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Quando lhe perguntaram qual a diferença entre o homem culto e o ignorante Quílon respondeu: ‘As esperanças fundadas’. ‘Que coisas são mais difíceis?’ ‘Guardar um segredo, usar bem o lazer, ser capaz de suportar uma ofensa’. Seguem-se alguns de seus preceitos: ‘Domina a língua, principalmente num banquete, não fales mal dos vizinhos, pois quem fizer isso ouvirá a propósito de si mesmo coisas que lamentará; não ameaces pessoa alguma, pois isso é típico das mulheres; visita mais depressa os amigos na adversidade que na prosperidade; faze um casamento modesto; nada digas de mal a respeito dos mortos; honra a velhice; guarda-te a ti mesmo; prefere um prejuízo a um lucro desonesto, pois o primeiro faz sofrer no momento, e o outro para sempre; não rias do infortúnio alheio; sê bondoso quando forte, se queres ser respeitado e não temido pelos vizinhos; aprende a ser um senhor sábio em tua própria casa; não deixes a língua antecipar-se ao pensamento; domina a ira; não abomines a arte divinatória; não desejes o impossível; não deixes pessoa alguma ver-te apressado; evita gesticular enquanto estiveres falando, pois isso é sinal de insanidade; obedece às leis; cultiva a tranquilidade’.” &lt;/em&gt;(p. 31) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu bastante idoso em Pise, depois de congratular-se com o filho pela vitória olímpica deste no pugilismo. Em sua estátua havia a seguinte inscrição: “ESPARTA COROADA DE LANÇAS GEROU ESTE QUÍLON, O PRIMEIRO DOS SETE SÁBIOS EM SAPIÊNCIA”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;PÍTACOS &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era mitilênio. Após uma guerra contra Atenas pelo território de Aquileís, os mitilênios deram o governo a Pítacos, que exerceu o poder por 10 anos e depois renunciou. Um dos seus preceitos era: “É difícil ser bom”. Conta-se que, quando mandaram o assassino de seu filho à sua presença, Pítacos restituiu-lhe a liberdade, dizendo: “É melhor o perdão agora do que o arrependimento mais tarde”. Outros afirmam porém que o preso libertado por ele foi o poeta Alcaios, e que suas palavras foram: “A clemência é melhor que a vingança”. Uma de suas leis impunha penalidade dobrada a quem cometesse a ofensa em estado de embriaguez. Sua máxima é: “Percebe a oportunidade”. Pítacos tinha diversos apelidos: Sárapos, por causa dos pés chatos que arrastava ao caminhar; Frieiras, porque tinha rachadura nos pés; Fanfarrão, Pança, Barrigão, Desmazelado e ainda Janta-no-escuro, porque jantava sem acender a lâmpada. Conserva-se uma carta dele a Croisos. Escreveu elegias totalizando cerca de 600 versos e a obra em prosa &lt;em&gt;Das leis&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Certa vez, quando lhe perguntaram qual era a melhor coisa, Pítacos respondeu: ‘Desincumbir-se bem da tarefa presente’. (...) Quando um foceu disse que seria necessário procurar um homem excelente, Pítacos retrucou: ‘Se o buscares com muito cuidado, nunca o encontrarás’. Ele deu as seguintes respostas a diversas perguntas: ‘O que é agradável?’ ‘O tempo.’ ‘O que é obscuro?’ ‘O futuro.’ ‘O que merece confiança?’ ‘A terra.’ ‘O que não merece confiança?’ ‘O mar’. Pítacos disse que é próprio dos homens prudentes prever as dificuldades para evitar que elas se concretizem, e é próprio dos corajosos enfrentá-las quando elas aparecem. Não devemos divulgar nossos planos antecipadamente, pois se eles falharem ninguém rirá de nós. Não devemos recriminar quem quer que seja vítima de infortúnios, pois a justiça divina pode fazê-los reverter contra nós. Cumpre-nos restituir o que nos foi confiado. Não devemos falar mal de um amigo, e nem mesmo de um inimigo. Devemos praticar a piedade, amar a moderação, cultivar a verdade, a fidelidade, a competência, a habilidade, a sociabilidade e a solicitude.”&lt;/em&gt; (p. 33) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu em 570 a. C., com mais de 70 anos de idade. Em seu túmulo havia a seguinte inscrição: “COM LÁGRIMAS MATERNAIS ESTA SAGRADA LESBOS CHORA O FINADO PÍTACOS, POR ELA GERADO”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;BIAS &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bias nasceu em Priene e é considerado o primeiro dos Sete Sábios. Exerceu a advocacia sempre na defesa do bem. Conta-se que morreu bastante idoso defendendo um cliente: depois de falar, reclinou a cabeça no colo do seu neto, enquanto o advogado da outra parte discursava. Os juízes deram ganho de causa a Bias, mas quando todos se levantaram no tribunal, perceberam que Bias estava morto. Sua máxima é: “Os homens em sua maioria são maus”. Por volta de 570 a. C. estava em seu auge. Sua obra se compõe de um poema de dois mil versos sobre a Iônia (atual Turquia). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Ser forte, dizia Bias, é obra da natureza, porém a capacidade de ser útil à pátria é um dom da alma e da sapiência. A abundância de riquezas chega a muitos graças à sorte. Ele também disse que as pessoas incapazes de suportar o infortúnio eram realmente infortunadas; que desejar o impossível é uma doença da alma, bem como não pensar nos males alheios. Quando lhe perguntaram o que é difícil Bias respondeu: ‘Suportar dignamente as mudanças da sorte para pior’. (...) Bias dizia que devíamos medir a vida como se tivéssemos de viver muito e pouco; que devíamos amar como se um dia tivéssemos de odiar, pois a maioria das criaturas é má. Ele dava também os seguintes conselhos: ‘Sê lento para começar a agir, mas persevera firmemente na ação depois de começar’; ‘Não fales precipitadamente, pois é sinal de insânia’; ‘Ama a prudência’; ‘Admite a existência dos deuses’; ‘Não louves um homem indigno por causa de sua riqueza’; ‘Vence pela persuasão, e não pela força’; ‘Atribui as tuas boas ações aos deuses’; ‘Faze da sabedoria a tua provisão para a viagem desde a juventude até a velhice, pois ela merece mais confiança que todos os outros bens’.” &lt;/em&gt;(p. 36) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seu túmulo havia a seguinte inscrição: “ESTA PEDRA COBRE BIAS, NASCIDO NA NOBRE TERRA DE PRIENE E ORNAMENTO MAIOR DOS IÔNIOS”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;CLEÔBULOS &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu em Lindos, mas Dúris afirma que era cário. Atribui-se a Cleôbulus a reconstrução do templo de Atena. Defendia que também as mulheres deveriam ser educadas e dizia que devemos prestar serviços a um amigo para conservar a amizade e ao inimigo, para transformá-lo em amigo; dizia ainda que devemos nos guardar das censuras dos amigos e das intrigas dos inimigos e que devemos aprender a suportar com dignidade as mudanças da sorte. Cleôbulos também aconselhava que, ao sair de casa, nos perguntemos o que pretendemos fazer, e a regressar, o que fizemos. Sua máxima é: “A moderação é ótima”. Conservou-se uma carta dele a Sólon. Sua obra se compõe de cantos e enigmas, com cerca de três mil versos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Cleôbulos aconselhava a prática de exercícios físicos; dizia que devemos ouvir mais que falar; exortava-nos a optar pela instrução e não pela ignorância, a evitar palavras de blasfêmia, a ser amigos da excelência e hostis à deficiência moral, a fugir à injustiça, a aconselhar os governantes da cidade para o melhor, a não nos deixarmos dominar pelo prazer, a nada fazermos mediante violência; a educar os filhos, a pôr termo à inimizade.”&lt;/em&gt; (p. 37) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu aos 70 anos de idade. Sobre seu túmulo há a seguinte inscrição: “ESTA TERRA DE LINDOS, ADORNADA PELO MAR E PÁTRIA DO SÁBIO CLEÔBULOS, CHORA O EXTINTO". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;PERÍANDROS&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Períandros era de Corinto, havendo dúvidas sobre a existência de dois Períandros, que seriam parentes, sendo um tirano e o outro o sábio, nascido na Ambracia. Aristóteles afirmava que o sábio é que era coríntio. Os que consideram que o tirano era o sábio, afirmam que ele exerceu a tirania entre 625 e 585 a. C. Sua máxima é: “Perseverança em tudo” e também “Não faças por dinheiro, pois temos de ganhar o que deve ser ganho”. Segundo consta, foi um tirano cruel. Num acesso de cólera, deu um ponta pé na esposa grávida, que a matou. Arístipos afirma que, quando jovem, Períandros manteve relações sexuais com a própria mãe, que havia se apaixonado por ele. Quando o fato foi descoberto, Períandros ficou amargurado e passou a ser severo com todos. Em seu governo, não permitia que ninguém vivesse na cidade sem seu consentimento. Dele conservaram-se as cartas endereçadas aos Sábios e a Proclés. Existe também a carta que recebeu de Trasíbulos. Sua obra se compõe de um poema exortatório de dois mil versos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Ele dizia que os tiranos que pretendem estar seguros devem fazer da lealdade, e não das armas, seu corpo de guarda. A alguém que lhe perguntou por que ainda era tirano, Períandros respondeu: ‘Porque é tão perigoso afastar-me voluntariamente quanto ser deposto’. Seguem-se outras frases suas. ‘A tranquilidade é bela.’ ‘A hesitação é perigosa.’ ‘ O ganho é ignóbil.’ ‘A democracia é melhor que a tirania.’ ‘Os prazeres são efêmeros, as honras são imortais.’ ‘Sê moderado na prosperidade, prudente na adversidade.’ ‘Sê invariavelmente o mesmo em relação a teus amigos, estejam eles na prosperidade ou na adversidade.’ ‘Seja qual for o teu compromisso, honra-o.’ ‘Não divulgues os segredos.’ ‘Pune não somente os transgressores mas também os que estão na iminência de transgredir’.”&lt;/em&gt; (p. 39) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu deprimido, aos 80 anos de idade. Seu cenotáfio possui a seguinte inscrição: “ESTA TERRA DE CORINTO, PRÓXIMA AO MAR NO GOLFO, QUE FOI SUA PÁTRIA, RECEBEU PERÍANDROS, SUPREMO EM RIQUEZA E SAPIÊNCIA". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ANÁCARSIS, o Cita &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu na Cítia, mas sua mãe era helênica e por isto Anácarsis falava as duas línguas. Veio para Atenas por volta de 591 a. C. Conta-se que, ao chegar à casa de Sólon, mandou dizer, por um serviçal, que ansiava por vê-lo e ser seu hóspede. Sólon respondeu pelo mensageiro que os homens costumavam escolher os hóspedes entre seus concidadãos, ao que Anácarsis retrucou que estava em sua pátria, e tinha o direito de ser tratado como hóspede. Surpreso com a presença de espírito do cita, Sólon o recebeu e fez dele um grande amigo. Devido ao seu entusiasmo pela cultura helênica, Anácarsis tornou-se suspeito de subverter as instituições da Cítia. Teria inventado a âncora e a roda dos oleiros. Conserva-se uma carta dele a Croisos. Sua obra consiste num poema de 800 versos em que ele trata das instituições dos helenos e dos citas, dissertando sobre simplicidade, frugalidade e assuntos de guerra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Anácarsis dizia que as vinhas produzem três tipos de uvas: o primeiro do prazer, o segundo da embriaguez e o terceiro do desgosto. (...) Quando lhe perguntaram como uma pessoa poderia evitar o risco de tornar-se alcoólatra, ele respondeu: ‘Tendo diante dos olhos a imagem repugnante dos ébrios.’ (...) Quando lhe perguntaram se havia flautas na Cítia ele respondeu: ‘Não, nem vinhas.’ (...) Insultado por um ateniense pelo fato de ser cita, o sábio respondeu: ‘Minha pátria me desabona, e tu desabonas a tua.’ À pergunta: ‘Que coisa nos homens é ao mesmo tempo boa e má?’ ele respondeu: ‘A língua.’ Anácarsis dizia que era preferível ter um amigo merecedor de grande estima a ter muitos amigos merecedores de nenhuma. Ele definia a praça do mercado como um lugar onde os homens podiam enganar-se uns aos outros e trapacear.”&lt;/em&gt; (p. 41) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao regressar à Cítia, foi morto pelo irmão, durante uma caçada. Outras versões sustentam que ele foi morto enquanto celebrava ritos helênicos. Sua estátua possui a seguinte inscrição: “REFREIA A LÍNGUA, O VENTRE E O SEXO”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;MÍSON&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu local de nascimento é incerto, sendo que alguns dizem que ele nasceu em Quen, um povoado de Oita, e outros que era eteu, nascido em Étis, um distrito da Lacônia. Outros dizem que Míson era de Eteia, cidade de Creta. Outros ainda o consideram arcádio. Consta que seu pai era um tirano. Sabe-se que Anácarsis encontrou-se com ele em Quen e que estava no apogeu por volta de 600 a. C. Era considerado um misantropo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Certa vez Míson foi visto em Esparta rindo sozinho num lugar deserto, e quando alguém apareceu subitamente e perguntou a razão de seu riso sem que ninguém estivesse por perto, sua resposta foi: ‘Justamente por isso!’ Aristôxemos diz que a causa de sua existência obscura foi a circunstância de ele não haver nascido em uma cidade, e sim num povoado sem importância. Em conseqüência de sua obscuridade, alguns autores, mas não Platão, o filósofo, atribuem seus preceitos a Peisístratos. (...) Míson costumava dizer que não devemos investigar os fatos a partir dos argumentos, e sim os argumentos a partir dos fatos, pois não se reuniam os fatos para demonstrar os argumentos, e sim os argumentos para demonstrar os fatos.”&lt;/em&gt; (p. 42) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu aos 97 anos de idade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;EPIMENIDES&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu em Cnossos, na ilha de Creta e estava no apogeu por volta de 600 a. C. Usava longos cabelos, contrariando os costumes locais. Conta-se que seu pai o enviou ao campo para buscar uma ovelha perdida, mas Epimenides desviou-se do caminho e, ao meio-dia, foi tirar um cochilo em uma caverna, na qual permaneceu adormecido por 57 anos. Quando despertou, sem perceber que o tempo havia passado, foi em busca da ovelha, mas como não a achava, retornou à fazenda, a qual encontrou mudada e de posse de novo dono. Quando chegou em sua casa na cidade, viu-se cercado de estranhos que queriam saber quem era ele. Encontrando o irmão mais novo, agora um senhor idoso, tomou conhecimento do que se passara. Por causa disto, Epimenides tornou-se caro aos deuses e conta-se que ele possuía poderes divinatórios. Quando Atenas foi atingida por uma calamidade, os atenienses pediram-lhe ajuda para cumprir a determinação da sacerdotisa, que mandou purificarem a cidade. Seus poemas totalizam cinco mil versos. Também compôs uma epopéia de 6.500 versos sobre a construção da nau Argó e a viagem de Iáson a Colquis. Existe dele uma carta conservada a Sólon. Sua obra em prosa versa sobre os sacrifícios e a constituição dos cretenses. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Fundou ainda em Atenas o templo das Eumenides, segundo o testemunho de Lôbon de Argos em sua obra Sobre os Poetas. Afirmava-se que ele purificou pela primeira vez casas e campos, e também fundou templos. Há quem sustente que Epimenides não adormeceu, mas se afastou dos homens durante algum tempo, dedicando-se a colher raízes com propriedades medicinais. (...) Demétrios relata que Epimenides recebeu das Ninfas um certo alimento e o guardou no casco de uma vaca; ingeria pequenas porções desse alimento, que era inteiramente absorvido por seu organismo, e nunca foi visto comendo outra coisa.”&lt;/em&gt; (p. 44) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Flêgon afirma que Epimenides viveu 157 anos; para os cretenses, ele viveu 299 anos, enquanto Xenofanes de Colofon disse que ele viveu 154 anos. Teopompos, por sua vez, diz que ele envelheceu em tantos dias quantos foram os anos em que esteve dormindo. Os lacedemônios, obedecendo a um oráculo, guardam o seu corpo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;FERECIDES&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu em Siros e foi discípulo de Pítacos, tendo sido o primeiro a escrever a respeito da natureza e da origem dos deuses. Encontrava-se no apogeu por volta de 540 a. C. Conta-se que ele possuía o dom da premonição, prevendo acontecimentos futuros. Existe dele uma carta conservada a Tales, uma obra sobre os deuses e um relógio solar em Siros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Ferecides exortou os lacedemônios a não darem muita importância ao ouro e à prata, como diz Teôpompos nas&lt;/em&gt; Maravilhas&lt;em&gt;, acrescentando que havia recebido essa ordem de Heracles num sonho; na mesma noite Heracles reiterou aos reis que obedecessem a Ferecides (alguns autores contam essa história a respeito de Pitágoras).&lt;/em&gt;” (p. 45) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há dúvidas quanto à sua morte, não se sabendo se ele foi assassinado, suicidou-se, lançando-se do alto do monte Côricos, ou se morreu devastado pela ftiríase. Seu túmulo possui a seguinte inscrição: “O PINÁCULO DE TODA A SABEDORIA ESTÁ EM MIM, MAS SE ALGO ME ACONTECER DIZE A MEU PITÁGORAS QUE ELE É O PRIMEIRO ENTRE TODOS NA TERRA HELÊNICA. FALANDO ASSIM NÃO MINTO”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Palavras finais&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diógenes escreveu, em sua obra (não conservada) &lt;em&gt;Epigramas em todos os metros&lt;/em&gt;, poemas para alguns dos Sábios, transcritos por ele em seu texto conservado, e que deixo de fazê-lo aqui. Embora Diógenes Laertios tenha elaborado uma lista de 11 Sábios, e não sete, conforme a "lenda", aqueles homenageados em versos por ele são curiosamente em número de sete, conforme a seguir: Tales, Sólon, Quílon, Bias, Períandros, Anácarsis e Ferecides. Destes, o único não nascido em território grego é Anácarsis, que, contudo, mereceu ser incluído por Diógenes Laertios tanto na lista dos Sábios como na homenagem em versos. A propósito deste Anácarsis e da suspeita de subversão das instituições de sua pátria, ficou-me a seguinte dúvida: teria sido ele um dos primeiros "anarquistas" da História, ou o termo "anarquista" é que derivou-se do seu nome? Enigmas gregos... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Referência bibliográfica: &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;DIOGENES LAERTIOS. “Livro I – Origem e precursores da filosofia”. In: _________________. &lt;em&gt;Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres&lt;/em&gt;. Trad. do grego, introdução e notas de Maria da Gama Kury. 2ª edição, reimpressão. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2008, p. 13 a 46. [1978] &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4225765441926284111?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4225765441926284111/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4225765441926284111' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4225765441926284111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4225765441926284111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/08/diogenes-laertios-e-os-sete-sabios.html' title='Diógenes Laertios e os Sete Sábios'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6796097951573133745</id><published>2010-02-02T16:28:00.018-03:00</published><updated>2010-06-24T17:34:40.736-03:00</updated><title type='text'>Pequena prateleira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#663366;"&gt;&lt;strong&gt;Newton-Leibinitz (1). Os Pensadores.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Revista Argumento, Ano 1, n. 3, janeiro 1974.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#009900;"&gt;Brasil: de Castelo a Tancredo. Thomas Skidmore.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Diógenes Laêrtios.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Caras do Rio. Ângela Moura (org.).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#3366ff;"&gt;Revista Desafios do Desenvolvimento, Ano 4, n. 38, dez/2007.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#cc33cc;"&gt;Revista Vertentes, n. 33, jan-jun/2009.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#330099;"&gt;Caderno de Resumos VIII ECEL-UFRJ 2007.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ff0000;"&gt;Congresso Internacional ABRALIC. Programação geral 2006.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Clarice em cena: 30 anos depois. André Luís Gomes (org.).&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;50 anos de Formação Econômica do Brasil. Tarcísio Patrício Araújo, Salvador Teixeira Werneck Vianna e Junior Macambira (orgs.).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Os arraiais e as vilas nas Minas Gerais. Marco Antonio Silveira.&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#003333;"&gt;&lt;em&gt;Revista Desafios do Desenvolvimento, Ano 7, n. 60, abr.-maio/2010.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6796097951573133745?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6796097951573133745/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6796097951573133745' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6796097951573133745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6796097951573133745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/02/pequena-prateleira.html' title='Pequena prateleira'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4419783086697747849</id><published>2010-01-22T15:23:00.006-03:00</published><updated>2010-10-20T16:37:14.545-03:00</updated><title type='text'>Comida mineira de raiz</title><content type='html'>Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ocupação das Minas Gerais foi um processo difícil, iniciado em 1693 com os bandeirantes paulistas que, em busca de riquezas, escravizavam índios pelo interior do Brasil. Evidentemente, àquela época a região ainda não era conhecida por “Minas Gerais”, mas pelos nomes dos acidentes geográficos do lugar, como “Ribeirão do Carmo”, “Serra dos Congonhas”, etc. A descoberta do ouro atraiu imediatamente para lá gente de todos os cantos da Colônia e também de Portugal, resultando num conflito com os paulistas que ficou conhecido como “Guerra dos Emboabas” (1707-1710). Vencida a guerra pelos emboabas – os demais imigrantes, que disputavam com os paulistas a posse do território –, teve lugar a fundação de pequenos arraiais e vilas, que começaram a ser ocupados por todo tipo de gente do Brasil-Colônia, bem como por um número elevado de escravos, trazidos da África para a exploração das minas. Data desta época a fundação de Comarcas, como as de Vila Rica e do Rio das Velhas, que possuíam Ouvidores designados pela Coroa portuguesa para resolver os conflitos locais. Finalmente, em 12/09/1720, foi criada a Capitania de Minas Gerais, cuja capital era Vila Rica, a atual Ouro Preto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os mineiros enfrentavam muitas dificuldades no dia-a-dia. A exploração do ouro provocava inflação na economia local. Devido ao transporte precário, os gêneros alimentícios eram caros e difíceis de serem obtidos, assim como outros gêneros de primeira necessidade: roupas, sapatos, mobiliário, tudo era custoso em meio à corrida pelo tão cobiçado metal dourado. O item mais escasso de todos era o sal, e houve mesmo uma época em que este era usado até como moeda de troca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com tão grandes dificuldades, não admira que a gente do lugar apelasse constantemente para a imaginação para conseguir colocar na mesa – nas casas em que havia essa peça de mobília, geralmente trazida de Portugal ou encomendada literalmente a peso de ouro a carpinteiros locais – a comida de todo dia. Foi destas condições que surgiu o famoso angu mineiro (veja a "receita" em &lt;a href="http://blogdereceitasdabel.blogspot.com/"&gt;http://blogdereceitasdabel.blogspot.com/&lt;/a&gt;, post de 11/01/2010), prato que leva apenas fubá e água, consumido com couve refogada e linguiça de porco frita. A culinária mineira tem, portanto, origem nas coisas simples, que podiam ser conseguidas mais facilmente, como a mandioca frita. Com o fim da exploração aurífera na região, os mineiros passaram a se dedicar a outras atividades, como a pecuária e a cafeicultura. Consequentemente, a culinária mineira também sofreu modificações, passando a incluir no cardápio ingredientes como a carne de boi e o açúcar, que antes eram difíceis de serem conseguidos. Doces caseiros, como o de cidra (e outros, sempre servidos com o queijo-minas), e biscoitos diversos, como a broinha de milho, também foram incorporados à gastronomia mineira. No entanto, as características fundamentais – que tornam a cozinha mineira diferenciada e muito saborosa – permaneceram inconfundíveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, com a influência de outras cozinhas, novos ingredientes e costumes, a cozinha mineira se diversificou bastante. A banha de porco, por exemplo, foi quase totalmente substituída pelo óleo vegetal, mais saudável. Por outro lado, essas mudanças permitiram o surgimento de uma gama de pratos que, não raro, lembram muito pouco a boa e velha culinária das Minas Gerais. Com uma infinidade de modismos – com nomes como “Romeu e Julieta” (para designar o queijo-com-goiabada) e “Iaiá com Ioiô” (picadinho de carne e verduras com angu de fubá), aliados a pratos criados por &lt;em&gt;chefs&lt;/em&gt; de restaurantes inspirados em cozinhas estrangeiras –, a comida mineira de raiz, aquela que nasceu ao pé das serras e dos ribeirões das Minas Gerais, corre o risco de ser descaracterizada por completo. Não à toa, algumas receitas foram preservadas e registradas como “patrimônio cultural” de Minas Gerais, como a receita do pão de queijo, por exemplo. Outro “patrimônio gastronômico mineiro”, que foi devidamente registrado para se evitar futuras descaracterizações, é o delicioso (embora pouco saudável) queijo-minas. No entanto, medidas como essa são meramente tentativas, e nada podem contra a ação do tempo. Apenas este dirá como será a comida servida em Minas Gerais daqui a algumas décadas ou, quem sabe, centenas de anos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4419783086697747849?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4419783086697747849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4419783086697747849' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4419783086697747849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4419783086697747849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2010/01/comida-mineira-de-raiz.html' title='Comida mineira de raiz'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7684646067977907210</id><published>2009-11-24T16:11:00.031-03:00</published><updated>2011-06-07T17:45:41.122-03:00</updated><title type='text'>Os Atos Institucionais: lembranças de uma "Ditadura com D maiúsculo"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Atos Institucionais e seus respectivos Atos Complementares foram uma série de medidas arbitrárias que permitiram assegurar o pleno exercício do poder à ditadura militar que se instalou no Brasil de abril de 1964 a março de 1985, quando um civil, José Sarney, assume finalmente a presidência da República. Promulgadas entre 09/04/1964 e 14/10/1969, essas medidas de exceção receberam o nome de “Atos Institucionais” na evidente impossibilidade de serem reconhecidas como “Atos Constitucionais” – já que eram tudo, exceto subordinadas à Carta Magna do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro da série – que, a bem da verdade, não sabia que inaugurava série tão sinistra – foi redigido pelo jurista Francisco Campos e pelo advogado Carlos Medeiros da Silva e celebrava a “Revolução” ao mesmo tempo em que conferia poderes quase ilimitados ao chefe do Executivo. Entre outros desmandos, afirmava que o Congresso Nacional recebia sua legitimidade do Ato Institucional, e não ao contrário (&lt;strong&gt;!&lt;/strong&gt;), além de conceder ao Alto Comando Revolucionário prerrogativas para cassar mandatos legislativos e suspender por dez anos os direitos políticos dos que fossem considerados “ameaças” à segurança do país, entre outras medidas. Com efeito, o Congresso Nacional foi o alvo principal desse Ato, tendo os parlamentares contrários aos militares sofrido cassações, expurgos e suspensão de direitos políticos, entre outras punições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quinto Ato Institucional, o famoso AI-5, promulgado em 13/12/1968 (uma sexta-feira), estabeleceu outras tantas arbitrariedades, como a suspensão de &lt;em&gt;habeas corpus&lt;/em&gt; para qualquer cidadão, além de decretar o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado e a intervenção nos estados e municípios. O estado de sítio, de acordo com o AI-5, também poderia ser decretado por tempo indeterminado, assim como a suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão, o confisco de bens, a suspensão das garantias constitucionais de liberdade de reunião e de associação, a aposentadoria de ocupantes de cargos públicos e a cassação de mandatos eletivos. Também estabelecia a censura da imprensa, das correspondências, telecomunicações e diversões públicas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surgido num contexto de insatisfação popular generalizada, expressa pelas greves do operariado de Minas e Osasco em abril e julho de 1968, pela ação da Igreja, pela greve dos bancários do Rio e pela eclosão da guerrilha urbana, o AI-5 não visava combater um grupo isolado. Como observam Sebastião Cruz e Carlos Estevam Martins (1984), com a publicação do AI-5 “instaurou-se o controle absoluto. (...) As oposições, que tanto tinham falado de ditadura, viam-se agora diante de uma Ditadura com ‘D’ maiúsculo. Para começar, o novo instrumento de poder por meio do qual se institucionalizava o arbítrio não tinha data prefixada para deixar de existir. Simplesmente abolia, por prazo indeterminado, os limites constitucionais antepostos à ação governamental. Dali para diante, o presidente passava a ter à sua disposição um formidável arsenal de poderes excepcionais... (...). A repressão abateu-se sobre o país, atingindo pessoas e instituições. O Congresso foi posto em recesso. Quatro senadores e 95 deputados tiveram seus mandatos cassados. (...) Os delegados da censura instalaram-se nas redações dos jornais, nas emissoras de rádio e televisão, nas casas de espetáculo. As forças policiais e os serviços secretos passaram a atuar de forma desabrida e totalmente irresponsável, violando a privacidade dos lares, da correspondência e das comunicações, cerceando discricionariamente o exercício de todas as liberdades públicas. As detenções assumiram o caráter de seqüestros e se multiplicaram em ondas sucessivas. Todo cidadão, independentemente de classe, raça ou credo, tornara-se em princípio suspeito de prática de delitos contra a segurança nacional” (CRUZ e MARTINS, 1984, p. 37). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros Atos terríveis foram o AI-13 e o AI-14, promulgados a 05/09/1969. O primeiro estabelecia a pena de banimento permanente do país para qualquer brasileiro (e não apenas os políticos) considerado perigoso para a segurança nacional, enquanto o segundo restabelecia a pena de morte no Brasil (&lt;strong&gt;!!&lt;/strong&gt;) em casos de “guerra externa, psicológica adversa, revolucionária ou subversiva”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 14/10/1969, o Alto Comando do Exército expediu os últimos Atos Institucionais: o AI-16, que declarava vacantes os cargos de presidente e vice-presidente, fixava regras para a eleição dos próximos ocupantes desses cargos e estipulava a duração do novo governo até 15/03/1974; e o AI-17, pelo qual militares que houvessem atentado ou viessem a atentar contra a coesão das forças armadas poderiam ser transferidos para a reserva (embora com salários integrais). O AI-17 evidenciava assim a reação militar à insatisfação (e até mesmo revolta) que alguns militares, como os generais Syzeno Sarmento e Albuquerque Lima, demonstraram com a indicação de um colega deles - o general Médici - para a Presidência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Congresso Nacional, suspenso desde dezembro de 1968, foi reaberto pelos Atos Complementares (ao AI-16) de nºs 72 e 73, para a eleição presidencial, realizada em 25/10/1969, quando foi ratificada a escolha do general “quatro estrelas”1 Emílo Garrastazu Médici pelos votos da ARENA. No entanto, no dia 17/10/69, antes das eleições – ou seja, antes mesmo de ser declarado oficialmente presidente (&lt;strong&gt;!!!&lt;/strong&gt;) –, Médici promulgou, garantido pelo AI-16, de 14/10/1969, e seus respectivos ACs, uma emenda na Constituição, fortalecendo ainda mais o Executivo, a Lei de Segurança Nacional e aumentando o prazo do estado de sítio, além de reduzir o número de cadeiras da Câmara dos Deputados e das Assembleias Estaduais. A emenda constitucional também determinava que o número de deputados federais por estados fosse definido segundo o número de eleitores registrados, e não pelo total da população do estado, como antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa emenda, totalmente arbitrária, promulgada por um presidente que ainda não havia sido eleito, evidenciava, conforme observa o historiador Thomas Skidmore, a fraqueza do Congresso, que “o impedia até de rever a lei mais importante do país” (SKIDMORE, 1988, p. 202). Skidmore relembra também, em seu livro, os casos de resistência à ditadura no Brasil, praticada tanto por guerrilheiros como por membros do clero, e a consequente prática repressiva (leia-se “tortura”) dos militares no combate aos opositores do “regime”. Uma dessas práticas infames e revoltantes, citada por Skidmore, foi o assassinato do estudante guerrilheiro Stuart Jones, líder do MR-8, movimento revolucionário que sequestrou, em 04/09/1969, o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, em troca da libertação de 15 prisioneiros políticos. Foi essa ação da guerrilha, aliás, que suscitou a reação militar expressa nos Atos Institucionais nºs 13 e 14, promulgados no dia seguinte ao do sequestro do embaixador. O “banimento permanente” referido no AI-13 foi imediatamente aplicado aos 15 prisioneiros políticos trocados por Elbrick e enviados para o México. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Stuart Jones foi capturado pela ditadura em maio de 1971 e “morreu torturado. Foi atado à traseira de um carro com a boca no cano de descarga e arrastado em volta do pátio da prisão. (...) Jones tinha pai americano e mãe brasileira, esta uma desenhista de modas muito conhecida com o nome profissional de Zuzu Angel, que nunca recebeu qualquer explicação oficial sobre a morte de seu filho. Mulher de enorme persistência, ela protestou contra o silêncio do governo junto a quem quer que fosse, e sendo conhecida nos círculos da moda dos Estados Unidos e da Europa, esses protestos eram reproduzidos pela imprensa estrangeira. Quando o secretário de Estado Henry Kissinger visitou o Brasil em fevereiro de 1976, ela conseguiu despistar a fortíssima segurança e atirar em suas mãos documentos sobre a morte de seu filho para constrangimento e raiva dos funcionários do Ministério das Relações Exteriores. Ela estava convicta de que o governo planejara matá-la (deixou uma declaração a esse respeito), e na verdade morreu em 14 de abril [de 1976] em acidente de automóvel (...)” (SKIDMORE, &lt;em&gt;op. cit&lt;/em&gt;., p. 241).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não somente jovens guerrilheiros (e suas indefesas mães) foram alvo da repressão institucionalizada. Thomas Skidmore também relata que “o ano de 1969 vira a violência aumentar contra os religiosos. Em maio, o Padre Pereira Neto, um jovem sacerdote que trabalhava intimamente ligado a Dom Helder Câmara em programas para a juventude, foi linchado em Recife. Os matadores nunca foram identificados, mas poucos duvidaram que tal crime só podia ter sido cometido por alguém estreitamente ligado às forças de segurança. Em outros lugares, a polícia fazia batidas regularmente em conventos e escolas. Uma prisão de 40 suspeitos incluiu a madre superiora de um convento” (SKIDMORE, idem, p. 273).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caso famoso e revoltante, citado por Skidmore, foi a morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida a 25/10/1975 no DOI-CODI, em São Paulo. “Em outubro de 1975 Herzog soube por amigos que as forças de segurança do Segundo Exército estavam à sua procura. Num esforço sincero para cooperar, compareceu pessoalmente ao quartel daquela unidade. Ele não tinha a mínima idéia de que o serviço de inteligência daquele órgão militar o considerava um conspirador comunista./ No dia seguinte o comando do Segundo Exército informou que Herzog havia cometido suicídio em sua cela depois de ter assinado uma confissão declarando-se membro do Partido Comunista. São Paulo ficou espantado. Ninguém acreditava na versão de suicídio. Ali estava um membro proeminente do jornalismo subitamente morto, certamente por desmandos dos torturadores. O fato de Herzog ser judeu aumentava a assustada reação dos paulistas, porque houvera insinuações de anti-semitismo na conduta passada da linha dura. Estudantes e professores entraram em greve por três dias na Universidade de São Paulo e o sindicato dos jornalistas declarou-se em sessão permanente para exigir a abertura de inquérito, exigência feita também pela Ordem dos Advogados. Além disso, 42 bispos de São Paulo assinaram uma declaração denunciando a violência do governo” (SKIDMORE, ibidem, pp. 344-346).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para a “História do Brasil” recente, a impressão que se tem é a de que, ao promulgar o primeiro Ato Institucional, os militares enveredaram por um caminho desconhecido até para eles mesmos. Ditados pelas circunstâncias mais imediatas, os Atos Institucionais - estabelecendo condições que permitiram não apenas à ditadura militar brasileira "o pleno exercício do poder", mas também a mortandade brutal de tantos brasileiros - denotam a mais completa falta de planejamento, ao mesmo tempo em que deixam entrever a fragilidade de um governo que necessitava de todas as armas para exercer o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;CRUZ, Sebastião C. Velasco e; MARTINS, Carlos Estevam. “De Castello a Figueiredo: uma incursão na pré-história da ‘abertura’”. In: SORJ, Bernardo; ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de (orgs.). &lt;em&gt;Sociedade e política no Brasil pós-64&lt;/em&gt;. 2ª. ed. São Paulo: Brasiliense, 1984, pp. 13-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;SKIDMORE, Thomas. &lt;em&gt;Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964 a 1985&lt;/em&gt;. 8ª ed. Trad. Mário Salviano Silva. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004. [1988]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A escolha de Médici como candidato à presidência foi baseada na decisão de que somente generais com patentes de quatro estrelas seriam elegíveis. Esta manobra visava afastar o nome do general Albuquerque Lima, cuja patente era de apenas três estrelas. Albuquerque Lima era um nome controverso entre os militares, que se incomodavam com suas críticas às políticas econômicas e suas ideias nacionalistas. O Alto Comando das Forças Armadas, responsável pela escolha do candidato, alegou então que o presidente deveria dar ordens a generais de quatro estrelas, e assim não poderia ter uma patente inferior a dos seus subordinados. Esta história nojenta está registrada em Skidmore (2004, pp. 197-199), que também informa que Albuquerque Lima não aceitou essa decisão sem reagir, escrevendo uma carta de protesto ao ministro do Exército. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7684646067977907210?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7684646067977907210/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7684646067977907210' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7684646067977907210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7684646067977907210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/11/os-atos-institucionais-lembrancas-da.html' title='Os Atos Institucionais: lembranças de uma &quot;Ditadura com D maiúsculo&quot;'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4880320788549126224</id><published>2009-10-21T10:41:00.013-03:00</published><updated>2010-01-18T10:27:20.099-03:00</updated><title type='text'>A hora da estrela de Mademoiselle Charlotte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A revolução francesa me fascinou de repente. E foi quando resolvi escrever sobre a realidade dessa revolução. Qualquer que seja o que quer dizer “realidade” “dessa” “revolução”. O que narrarei, como mulher? – já que essa realidade me ultrapassa? Escreveria com lágrimas sobre barões guilhotinados e meninos amotinados? Pelo menos, o que escrevo não pede favor a ninguém – talvez implore algum socorro aos mortos.&lt;br /&gt;Foi quando Marat me fascinou de repente. Eu ia dizer que resolvi escrever sobre Marat? Mas Marat foi morto por uma mulher, o que me faria escrever não sobre ele, o conteúdo, mas sobre ela, que era pura forma. E por que eu escreveria sobre ela? Antes de tudo porque captei o apelo dela e assim às vezes a forma é que faz conteúdo. Escrevo portanto não por causa da Liberdade mas por motivo grave “de força maior”, como dizem os requerimentos oficiais, ou por “força de lei”. (O apelo da francesa já começa a me contaminar?)&lt;br /&gt;Não, não é fácil escrever sobre revoluções. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como espelhos despedaçados.&lt;br /&gt;Ah que medo de começar, mesmo já sabendo o nome da moça: mademoiselle Charlotte de Corday. Sem falar que a história me desespera por simples demais. O que me proponho contar parece fácil: está nos livros de História e à mão de todos os mouses. Mas a sua elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que já está quase apagado, soterrado sob o pó de uma história tantas vezes (mal) contada. Com mãos de dedos duros enlameados apalpar o invisível da própria História.&lt;br /&gt;Mas por enquanto não é confortável: para falar da moça tenho que imaginar Marat sem fazer a barba durante dias e adquirir olheiras escuras por dormir pouco, só cochilar de pura exaustão, ele, que era um revolucionário. Além de vestir-se com roupa velha rasgada. Tudo isso para impressionar a moça. Sabendo no entanto que talvez fosse melhor se apresentar de modo mais convincente a essa francesa que muito reclama de quem está neste instante mesmo mergulhado em um banho regenerador.&lt;br /&gt;(Quando penso que eu poderia ter nascido ela &lt;a name="OLE_LINK5"&gt;– &lt;/a&gt;e por que não? – estremeço. E parece-me covarde fuga de eu não ser – sinto culpa por não ter sido eu a matar Marat?)&lt;br /&gt;Estou procurando danadamente achar na existência de Charlotte pelo menos um topázio de esplendor. Até o fim talvez o vislumbre, ainda não sei, mas tenho esperança. (Mas não – ela pegou a faca)&lt;br /&gt;Marat: &lt;em&gt;— Para desdenhar da moça tenho que me domar e para poder captá-la tenho que degustar frutas importadas e beber vinho branco gelado pois faz calor neste cubículo onde me tranquei e de onde tenho a veleidade de querer ver a revolução. Também tive que me abster de sexo e de filosofias. Sem falar que não tenho mais contato com ninguém. (Todos se assustam com minha pele sem cor?) Voltarei algum dia à minha vida anterior? Duvido muito. Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio nem escrevo para não me contaminar com falsos luxos intelectuais. Pois como eu disse a revolução tem que se parecer com a revolução, instrumento meu. Ou não sou um revolucionário? Na verdade sou mais ator porque, com apenas um modo de pontuar, faço malabarismos de encenação, obrigo o respirar plebeu a me acompanhar nesse difícil entrecho.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Charlotte: &lt;em&gt;— Tudo isso acontece no ano este que passa e só acabarei esta história difícil quando eu ficar exausta da luta, não sou uma desertora.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Com fúrias de desenvoltura estou usando a palavra já escrita e isso estremece em mim que fico com medo de me afastar da Verdade e cair no abismo povoado de gritos por demais iguais: o inferno da minha liberdade. Mas continuarei.&lt;br /&gt;O que se segue é apenas uma tentativa de reproduzir três páginas que li sobre a revolução que jogaram no lixo, para o meu desespero, de Marat e de Charlotte – e que os mortos me ajudem a suportar o quase insuportável, já que de nada me valem os burgueses vivos, ainda que de fato alguns nobres tenham sido degolados. Nem de longe conseguiram igualar a tentativa de repetição artificial dessa revolução, nem mesmo como farsa. E quem sabe o que originalmente se passou no encontro de Charlotte com o revolucionário? É com humildade que contarei agora a história da história. Portanto se me perguntarem como foi direi: não sei, perdi o encontro.&lt;br /&gt;Marat, de novo: —&lt;em&gt; E eis que fiquei agora receoso dessa francesa. E a pergunta é: como luto? Verifico que luto de ouvido assim como aprendi inglês (e francês) de ouvido. Antecedentes do meu lutar? sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto. E só minto na hora exata da mentira. Mas quando luto não minto. Que mais? Sim, não tenho classe social, marginalizado que sou. A classe alta me tem como um monstro esquisito, a média com desconfiança de que eu possa desequilibrá-la, a classe baixa nunca vem a mim. Mas um dia certamente me reverenciará.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis termos técnicos? Mas aí que está: &lt;a name="OLE_LINK10"&gt;Charlotte &lt;/a&gt;não tinha nenhuma técnica, nem estilo, ela era ao deus-dará. Eu que também não mancharia por nada deste mundo com palavras de plágio o ato extremamente simples dessa francesa. Durante o dia eu faço, como Charlotte, gestos despercebidos por mim mesma. Pois foi dela um dos gestos mais despercebidos nesta história de que não tenho culpa e que saiu como saiu. A francesa vivia numa espécie de atordoado nimbo, entre céu e inferno. Nunca pensara em “eu sou eu”. Acho que julgava ter direitos legalizados, ela, que era apenas um acaso, feita de fatos de que não tratam os jornais. Houve milhares como ela? Sim, havia. Pensando bem: quem não é um acaso na vida? Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque gostaria de escrever sobre este ato que um dia foi um fato. É quando entro em contato com forças revolucionárias minhas, encontro através de mim o vosso Deus revolucionário. Marat? Marx? Babeuf? Para qual deles escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço estar numa galáxia longínqua e estranha dentro de mim mesma. Sou eu? Espanto-me com o meu próprio encontro.&lt;br /&gt;(Charlotte me incomoda tanto que fiquei oca. Estou oca desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama de sua missão. Estou com raiva. Uma cólera de derrubar copos e quebrar vidraças. Como vingar Marat? Ou melhor, como compensá-lo? Já sei: amando meu cão que não será guilhotinado como a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente.) A submissão.&lt;br /&gt;E agora &lt;a name="OLE_LINK11"&gt;–&lt;/a&gt; agora nem um cigarro posso mais acender – não sobraram espaços possíveis (talvez, os virtuais?) em que ninguém incomode quem fume. Vou para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?!&lt;br /&gt;Não esquecer que houve um tempo em que todos os morangos mofaram.&lt;br /&gt;Sim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4880320788549126224?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4880320788549126224/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4880320788549126224' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4880320788549126224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4880320788549126224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/10/hora-da-estrela-de-mademoiselle.html' title='A hora da estrela de Mademoiselle Charlotte'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2789066828468298101</id><published>2009-10-08T19:15:00.007-03:00</published><updated>2009-10-15T17:34:45.905-03:00</updated><title type='text'>Uma paráfrase</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu Deus, só agora me lembrei que a gente plagia. Mas — mas eu também?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Paráfrase de “Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas — mas eu também?!”, de Clarice Lispector, em &lt;em&gt;A hora da estrela&lt;/em&gt;)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2789066828468298101?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2789066828468298101/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2789066828468298101' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2789066828468298101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2789066828468298101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/10/uma-parafrase.html' title='Uma paráfrase'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-99541015878193459</id><published>2009-10-05T15:30:00.011-03:00</published><updated>2010-01-12T14:36:03.308-03:00</updated><title type='text'>Andy Warhol  versus Benjamin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É comum atribuir-se a Andy Warhol, o "papa" da Pop Art, a frase que diz que, num futuro próximo, todos terão os seus quinze minutinhos de fama, graças à aparição pública de sua imagem. O que pouca gente diz (ou que a maioria omite, tanto faz) é que, na verdade, essa frase não é originalmente de Andy Warhol. Não se sabe se propositalmente ou não, o fato é que a célebre frase tornou-se repetida à exaustão - exatamente como os ícones pops que Warhol "seriava" em seus quadros -, lamentavelmente com autoria equivocada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Walter Benjamin, em seu texto "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica" - que, pelo visto, não é tão conhecido assim, nem se "reproduziu" tanto quanto a suposta frase de Andy Warhol -, já havia previsto a "fama instantânea de todos". Neste texto, escrito em 1935, o teórico da Escola de Frankfurt, que se dedicou aos estudos sobre a apropriação técnica da obra de arte na sociedade capitalista contemporânea, profetizou também a proliferação em massa de escritores (o que começa a se tornar uma "verdade virtual", demonstrada em tantos blogs). Diz Benjamin:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"No que diz respeito ao cinema, os filmes de atualidades provam com clareza que todos têm a oportunidade de aparecer na tela. Mas isso não é tudo. &lt;em&gt;Cada pessoa, hoje em dia, pode reivindicar o direito de ser filmado.&lt;/em&gt; Esse fenômeno pode ser ilustrado pela situação histórica dos escritores em nossos dias. Durante séculos, houve uma separação rígida entre um pequeno número de escritores e um grande número de leitores. No fim do século passado, a situação começou a modificar-se. Com a ampliação gigantesca da imprensa, colocando à disposição dos leitores uma quantidade cada vez maior de órgãos políticos, religiosos, científicos, profissionais e regionais, um número crescente de leitores começou a escrever, a princípio esporadicamente. No início, essa possibilidade limitou-se à publicação de sua correspondência na seção 'Cartas dos leitores'. Hoje em dia, raros são os europeus inseridos no processo de trabalho que em princípio não tenham uma ocasião qualquer para publicar um episódio de sua vida profissional, uma reclamação ou reportagem. Com isso, a diferença essencial entre autor e público está a ponto de desaparecer. Ela se transforma numa diferença funcional e contingente. A cada instante, o leitor está pronto a converter-se num escritor" (BENJAMIN, Walter. &lt;em&gt;Obras escolhidas&lt;/em&gt;. V. 1. Trad. Sergio Paulo Rouanet. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 184). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Observe-se que, no texto de Benjamin, há um grifo, como se o autor quisesse chamar a atenção para suas palavras. Evidentemente, elas tiveram bem mais que quinze minutos de fama, infelizmente divorciadas de quem primeiro as pronunciou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-99541015878193459?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/99541015878193459/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=99541015878193459' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/99541015878193459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/99541015878193459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/10/benjamin-e-adorno.html' title='Andy Warhol  versus Benjamin'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5351600320627725465</id><published>2009-09-19T15:14:00.024-03:00</published><updated>2011-08-18T16:23:41.891-03:00</updated><title type='text'>Queridos amigos</title><content type='html'>Cada um deles carrega&lt;br /&gt;um pedacinho de mim.&lt;br /&gt;Falsos amigos passarão.&lt;br /&gt;Estes, passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5imra-3dI/AAAAAAAAAFM/C3SOD4T-6dM/s1600-h/img143.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390354220639509970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5imra-3dI/AAAAAAAAAFM/C3SOD4T-6dM/s200/img143.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5iZBO-LLI/AAAAAAAAAFE/JyUXX6_uyBE/s1600-h/img142.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390353985976544434" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5iZBO-LLI/AAAAAAAAAFE/JyUXX6_uyBE/s200/img142.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5iCZ4NsUI/AAAAAAAAAE8/aNAdnVIwMwQ/s1600-h/img141.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390353597454987586" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5iCZ4NsUI/AAAAAAAAAE8/aNAdnVIwMwQ/s200/img141.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5hq9XACfI/AAAAAAAAAE0/FcqwsvX63tg/s1600-h/img140.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390353194662496754" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5hq9XACfI/AAAAAAAAAE0/FcqwsvX63tg/s200/img140.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr10fkxq_6I/AAAAAAAAAEs/Jyu-dDkC52M/s1600-h/img010.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385588815201763234" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr10fkxq_6I/AAAAAAAAAEs/Jyu-dDkC52M/s200/img010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1zlqI9L6I/AAAAAAAAAEk/lAzP14U6OSE/s1600-h/img048.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385587820209188770" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1zlqI9L6I/AAAAAAAAAEk/lAzP14U6OSE/s200/img048.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1y9rCzMiI/AAAAAAAAAEc/s6OWIbOLgGQ/s1600-h/img049.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385587133257036322" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1y9rCzMiI/AAAAAAAAAEc/s6OWIbOLgGQ/s200/img049.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yrhTTa6I/AAAAAAAAAEU/D3gt3YChfxU/s1600-h/img021.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385586821404257186" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yrhTTa6I/AAAAAAAAAEU/D3gt3YChfxU/s200/img021.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yjWqqx9I/AAAAAAAAAEM/TlaABZPdoYs/s1600-h/img007.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385586681110513618" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yjWqqx9I/AAAAAAAAAEM/TlaABZPdoYs/s200/img007.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yCONX-xI/AAAAAAAAAEE/3a1gDvXS74U/s1600-h/img139.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385586111904480018" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1yCONX-xI/AAAAAAAAAEE/3a1gDvXS74U/s200/img139.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1qAQFy2-I/AAAAAAAAADU/qVq2YzLVjzw/s1600-h/img013.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385577281956797410" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1qAQFy2-I/AAAAAAAAADU/qVq2YzLVjzw/s200/img013.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1poy_QLxI/AAAAAAAAADM/YD39Zc30IW0/s1600-h/img015.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385576879007739666" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1poy_QLxI/AAAAAAAAADM/YD39Zc30IW0/s200/img015.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1nwEM2e_I/AAAAAAAAADE/0mQRNv6QutQ/s1600-h/img034.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385574804864007154" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sr1nwEM2e_I/AAAAAAAAADE/0mQRNv6QutQ/s200/img034.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5351600320627725465?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5351600320627725465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5351600320627725465' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5351600320627725465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5351600320627725465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/09/queridos-amigos.html' title='Queridos amigos'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Ss5imra-3dI/AAAAAAAAAFM/C3SOD4T-6dM/s72-c/img143.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1289689823668653994</id><published>2009-08-10T20:48:00.006-03:00</published><updated>2010-02-02T13:58:17.182-03:00</updated><title type='text'>Feliz Dia dos Pais, Bentinho!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem, domingo, comemorou-se mais um Dia dos Pais, e esta data merece, além dos parabéns e comemorações devidas, também uma reflexão. Ser pai não é lá coisa muito fácil. Não apenas pelo fato de ser o pai, tradicionalmente, o "provedor", o "responsável" - tarefa que, muitas vezes e em muitos casos, é assumida por mães - mas sobretudo pelo aspecto social. A paternidade é, antes de mais nada, um construto social, pois apenas recentemente a tecnologia científica colocou à disposição da sociedade o recurso do "teste do DNA", permitindo assim dirimir eventuais dúvidas em casos de paternidade suspeita ou de investigação de paternidade, isto é, paternidade não assumida. Nesse último caso, quando há uma recusa da parte do homem em submeter-se ao teste do DNA, a Justiça brasileira aceita como comprovação da paternidade "fatos sociais", tais como provas de convívio, depoimentos de testemunhas, etc. Voltando ao teste do DNA, esse grande avanço científico, com o tempo, certamente contribuirá para gerar mudanças no interior dos próprios valores sociais. Porém, por longo tempo antes desse importante evento, a confirmação da paternidade esteve sujeita unicamente à palavra materna, confirmada por uma série de ritos sociais que a validam, sendo o casamento o mais evidente deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, deter o pleno conhecimento sobre a paternidade do filho é um poder muito grande, conferido biologicamente à mulher, pois, salvo em casos específicos e raros, a maternidade está acima de qualquer suspeita. Esse amplo poder, porém, foi, em tempos imemoriais, arrebatado à mulher, evidentemente por meios nada pacíficos inicialmente, que resultaram na submissão feminina e foram depois referendados "socialmente", permitindo ao homem moldá-lo aos seus próprios interesses. Assim surgiram as sociedades fundadas no patriarcalismo, do qual faz parte o próprio elemento ordenador da sociedade ocidental, independentemente de sua feição capitalista: o patrimonialismo, que, tal como o patriarcalismo, funda-se na figura do &lt;em&gt;Pater&lt;/em&gt;, o pai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na literatura brasileira, a questão da paternidade como construto social, inserida em um determinado contexto histórico, foi exemplarmente trabalhada por Machado de Assis, na obra-prima &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt;. Ali vê-se, mais do que o eterno "dilema da dúvida", e mais do que a justificativa de um advogado com formação de seminarista para os seus atos covardes contra mulher e filho, ali vê-se a vacilação do homem diante do poder feminino, simbolizado pelos "olhos de ressaca" de Capitu. Uma "ressaca" que se abre em fuga ao domínio do Patriarca, ameaçando mesmo "tragá-lo". "Capitu era mais mulher do que eu era homem", afirma, a certa altura de suas memórias, o próprio Bento Santiago.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa última tentativa de validar o exílio imposto por ele a Capitu e seu filho na Europa, Bento Santiago afirma, ao final do livro, que "a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos", e reivindica ainda a cumplicidade do próprio leitor: "se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca" (cap. 148, "E bem, e o resto?"). No entanto, não era apenas a "fruta" que estava "dentro da casca". Dentro da fruta, bem guardada como um segredo, também havia uma semente - a semente do conhecimento da paternidade, acessível apenas a Capitu. Essa semente, capaz de provocar algum tipo de mudança (indesejável) na sociedade escravocrata e patriarcal do Brasil oitocentista, não deveria mesmo germinar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1289689823668653994?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1289689823668653994/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1289689823668653994' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1289689823668653994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1289689823668653994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/08/feliz-dia-dos-pais-bentinho.html' title='Feliz Dia dos Pais, Bentinho!'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1382956347892144331</id><published>2009-06-24T10:37:00.003-03:00</published><updated>2009-06-24T10:43:08.856-03:00</updated><title type='text'>Série "cartões postais da cidade maravilhosa" III - Ilha Fiscal</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkIsgGy0mFI/AAAAAAAAACk/CzXhroGKnqk/s1600-h/Ilha+Fiscal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350888237360781394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkIsgGy0mFI/AAAAAAAAACk/CzXhroGKnqk/s320/Ilha+Fiscal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="OLE_LINK4"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Ilha Fiscal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Foto de Marc Ferrez, 1885.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a name="OLE_LINK3"&gt;“Nenhuma dessas coisas preocupava Natividade. Mais depressa cuidaria do baile da ilha Fiscal, que se realizou em novembro para honrar os oficiais chilenos. Não é que ainda dançasse, mas sabia-lhe bem ver dançar os outros, e tinha agora a opinião de que a dança é um prazer dos olhos. Essa opinião é um dos efeitos daquele mau costume de envelhecer. Não pegues tal costume, leitora. Há outros, também ruins, nenhum pior, este é o péssimo. Deixa lá dizerem filósofos que a velhice é um estado útil pela experiência e outras vantagens. Não envelheças, amiga minha, por mais que os anos te convidem a deixar a primavera; quando muito, aceita o estio. O estio é bom, cálido, as noites são breves, é certo, mas as madrugadas não trazem neblina, e o céu aparece logo azul. Assim dançarás sempre.”&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Machado de Assis, &lt;em&gt;Esaú e Jacó&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1382956347892144331?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1382956347892144331/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1382956347892144331' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1382956347892144331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1382956347892144331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/06/serie-cartoes-postais-da-cidade_24.html' title='Série &quot;cartões postais da cidade maravilhosa&quot; III - Ilha Fiscal'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkIsgGy0mFI/AAAAAAAAACk/CzXhroGKnqk/s72-c/Ilha+Fiscal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-500495924084079476</id><published>2009-06-23T10:18:00.007-03:00</published><updated>2009-06-23T15:10:59.594-03:00</updated><title type='text'>Série "cartões postais da cidade maravilhosa" II - Pão de Açúcar</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkDb9iuZihI/AAAAAAAAACU/SWbnamVIzb4/s1600-h/P%C3%A3o+de+A%C3%A7%C3%BAcar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350518207656069650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 241px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkDb9iuZihI/AAAAAAAAACU/SWbnamVIzb4/s320/P%C3%A3o+de+A%C3%A7%C3%BAcar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Pão de Açúcar antigo. Foto de autor desconhecido.&lt;br /&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.starnews2001.com.br/bondinho_rio.html"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;http://www.starnews2001.com.br/bondinho_rio.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Na porta já havia alguns visitantes à espera do bonde. Como não estivesse o veículo no ponto, foram indo ao longo da fachada do manicômio até lá. Em meio do caminho, encontraram, encostada no gradil, uma velha preta a chorar. Coleoni, sempre bom, chegou-se a ela:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que tem minha velha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pobre mulher deitou sobre ele um demorado olhar, úmido e doce, cheio de uma irremediável tristeza, e respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah! Meu &lt;em&gt;sinhô&lt;/em&gt;!... É triste... Um filho tão bom, coitado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E continuou a chorar. Coleoni começou a comover-se; a filha olhou-a com interesse e perguntou no fim de um instante:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Morreu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Antes fosse, &lt;em&gt;sinhazinha&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E entre lágrimas e soluços contou que o filho não a conhecia mais, não lhe respondia às perguntas; era como um estranho. Enxugou as lágrimas e concluiu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Foi &lt;em&gt;coisa-feita&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois afastaram-se tristes, levando n'alma um pouco daquela humilde dor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia estava fresco e a viração, que começava a soprar, enrugava a face do mar em pequenas ondas brancas. O Pão de Açúcar erguia-se negro, hirto, solene, das ondas espumejantes, e como que punha uma sombra no dia muito claro."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Lima Barreto, &lt;em&gt;Triste fim de Policarpo Quaresma&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-500495924084079476?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/500495924084079476/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=500495924084079476' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/500495924084079476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/500495924084079476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/06/serie-cartoes-postais-da-cidade_23.html' title='Série &quot;cartões postais da cidade maravilhosa&quot; II - Pão de Açúcar'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SkDb9iuZihI/AAAAAAAAACU/SWbnamVIzb4/s72-c/P%C3%A3o+de+A%C3%A7%C3%BAcar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-232346898456151325</id><published>2009-06-22T17:11:00.014-03:00</published><updated>2009-06-23T10:32:40.984-03:00</updated><title type='text'>Série "cartões postais da cidade maravilhosa" I - Cascatinha Taunay</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sj_shgb43iI/AAAAAAAAACM/lrIjcPS8Ki4/s1600-h/Cascata+Taunay.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350254942726184482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sj_shgb43iI/AAAAAAAAACM/lrIjcPS8Ki4/s320/Cascata+Taunay.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;Foto: Thiago R. Pires&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://br.olhares.com/cascatinha_taunay_foto108184.html"&gt;http://br.olhares.com/cascatinha_taunay_foto108184.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Brancos lençóis de espuma se desdobravam pelas escarpas do rochedo, como as pregas de alvo manto flutuando sobre as espáduas de Agar, a africana. A vegetação se debruçando de um e outro lado, derrama sobre a cachoeira uma sombra doce, que torna mais negra a pedra e mais cândida a espuma. Há cascatas muito mais ricas e abundantes do que essa, não só na grande massa das águas, como na vastidão e aspereza dos penhascos. Têm, sem dúvida aspecto mais soberbo e majestoso; inspiram n'alma pensamentos mais graves e sublimes. A Cascatinha da Tijuca, porém, prima pela graça; não é esplêndida, é mimosa; em vez da pompa selvagem respira uma certa gentileza de moça elegante; bem se vê que não é uma filha do deserto; está a duas horas da corte, recebe freqüentemente diplomatas, estrangeiros ilustres e a melhor sociedade do Rio de Janeiro. Assim não se despenha ela com a fúria de uma serpente, mas com a indolência com que uma senhora da moda se derreia no recosto do divã. Sua voz não é um trovão, mas um rumorejo que embala docemente o coração. Perto dela sente-se no ar o hálito fresco das águas que se esfrolam, e não a constante neblina produzida pelos borbotões que se desfazem em pó com a violência do choque." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;José de Alencar, &lt;em&gt;Sonhos d'ouro&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-232346898456151325?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/232346898456151325/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=232346898456151325' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/232346898456151325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/232346898456151325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/06/serie-cartoes-postais-da-cidade.html' title='Série &quot;cartões postais da cidade maravilhosa&quot; I - Cascatinha Taunay'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sj_shgb43iI/AAAAAAAAACM/lrIjcPS8Ki4/s72-c/Cascata+Taunay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7589323023418354150</id><published>2009-05-22T15:10:00.003-03:00</published><updated>2011-08-18T16:29:14.775-03:00</updated><title type='text'>O explicador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Quando as pessoas morrem, elas vão para o céu?&lt;br /&gt;Ele parecia ter esperado desde sempre por essa pergunta. Por isso, não titubeou:&lt;br /&gt;— Depende. Só se forem anjos. Mas se forem gente, vão para debaixo da terra, pra virar semente.&lt;br /&gt;O menino arregalou os olhos negros, duas bolas de jabuticabas cintilantes.&lt;br /&gt;— Virar semente?!&lt;br /&gt;— É... Nunca ouviu falar em “ficar pra semente”? Então, as pessoas ficam para semente, são enterradas e, se derem sorte, podem até germinar, brotar, criar raízes, sair de novo da terra, com tronco, galhos, copas, folhas. Podem até dar frutos, como um dia deram filhos.&lt;br /&gt;— Árvores? As pessoas quando morrem viram árvores?&lt;br /&gt;— Não, não. Nem todo mundo, esqueceu? Apenas a gente comum. As pessoas que são anjos vão direto para o céu, brincar nas nuvens, tocar harpa, essas coisas que os anjos fazem.&lt;br /&gt;O menino esfregou devagar o pé descalço na grama crescida. Ela estava úmida e cortante.&lt;br /&gt;— Gente quando morre também vira grama?&lt;br /&gt;— Grama? Não, claro que não, disse o homem, meio indeciso.&lt;br /&gt;Ambos desceram o olhar para o chão. Uma fila de formigas passava, em disciplina militar, levando seus eternos pedaços de folhas verdes sobre as cabeças. Ele prosseguiu:&lt;br /&gt;— Grama é comida de bicho. Gente não vira comida de bicho. Gente vira árvore, daquelas grandes. Palmeira, cedro, jacarandá, pinheiro, carvalho...&lt;br /&gt;— Pinheiro? Carvalho?&lt;br /&gt;O menino apertava agora as jabuticabas dos olhos, pensativo.&lt;br /&gt;— Eu conheço um garoto chamado Pedro Carvalho.&lt;br /&gt;— Viu só? É por isso que as pessoas têm esses nomes de árvores. Eu tenho um tio chamado José Pinheiro.&lt;br /&gt;O menino sorriu. Calou-se uns instantes e, talvez porque algum aspecto lhe parecesse ainda obscuro, retrucou:&lt;br /&gt;— Também tenho um amigo com nome de bicho, o Eduardo Leão.&lt;br /&gt;O homem deu uma risada, surpreso.&lt;br /&gt;— É?! Também tenho um amigo com nome de bicho, Júlio Leitão.&lt;br /&gt;— As pessoas quando morrem também viram bicho?&lt;br /&gt;Ele pensou um pouco antes de responder. Por fim, decidiu:&lt;br /&gt;— Não, não. Só árvore. Veja bem: na natureza, há três espécies de seres: as pessoas, as plantas e os bichos. As pessoas podem ser anjo ou gente, e isso faz diferença quando elas morrem. As plantas são de dois tipos: as árvores, que foram gente que viraram semente, e os arbustos. Os bichos são os bichos. Não têm nada a ver nem com as pessoas nem com as plantas.&lt;br /&gt;— Arbustos? O que são os arbustos?, quis saber o menino, um tanto impaciente com o didatismo da explicação.&lt;br /&gt;— Arbustos são as plantas que não são árvores. São as plantas rasteiras, que servem de alimento às pessoas e aos animais. O capim é um arbusto. E o arroz, o xuxu, o maracujá, as abóboras, as flores. A grama.&lt;br /&gt;Mas o menino parecia não esquecer o amigo, Eduardo Leão, e insistiu:&lt;br /&gt;— Por que as pessoas não podem virar bicho quando morrem?&lt;br /&gt;— Porque bicho é bicho, pessoas são pessoas, ora.&lt;br /&gt;O garoto torceu a boca num muxoxo e percebeu que ele não conseguia explicar esse ponto muito bem. Não insistiu. Foi quando tocou a ponta do pé num pedregulho frio, redondo e gasto. Então, perguntou:&lt;br /&gt;— E as pedras?&lt;br /&gt;— As pedras? Bom, as pedras são pessoas que não deram certo, e ficaram encantadas. Petrificadas como estátuas.&lt;br /&gt;O menino lembrou-se de uma pedra que havia no quintal de casa, que parecia um homem sentado, com o rosto carrancudo e pensativo. A pedra com o homem dentro ficava ali parada, debaixo de sol, debaixo de chuva.&lt;br /&gt;— E a água?&lt;br /&gt;— O que tem a água?&lt;br /&gt;— Água não pode ter sido pessoas. Nem bicho – afirmou o menino.&lt;br /&gt;— Não, não pode. A água serve para lavar as pessoas e os bichos. As plantas também. A água lava tudo. Lava por dentro e por fora, e depois vai para o céu. Até os anjos a água lava, e depois volta. A água sobe e desce. E quando bebemos a água, ficamos sabendo que existe o céu, como é lá, o que os anjos fazem e tudo. É porque a água esteve lá. E nos conta dentro da gente. É como um segredo que todo mundo conhece.&lt;br /&gt;Depois de uns minutos de silêncio, o homem por fim decretou:&lt;br /&gt;&lt;a name="OLE_LINK1"&gt;—&lt;/a&gt; É assim que são as coisas. E as coisas estão bem postas e as coisas funcionam assim.&lt;br /&gt;O menino olhou em volta. E viu, para além da grama, a mangueira, carregada de frutos ainda verdes, os pássaros, nuvens. As pessoas ao fundo – homens, mulheres, algumas crianças –, metidas em uniformes brancos como os deles. Um gato cinzento de olhos azuis caminhava indiferente sobre o muro alto, encravado de pequenos cacos de vidros coloridos. Uma mulher regava a pequena horta cultivada a um canto do imenso pátio. Sim, as coisas pareciam bem postas. Mesmo assim, talvez para certificar-se, o menino fez mais uma pergunta:&lt;br /&gt;— E as coisas? O que são as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio, 20-22/05/09 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7589323023418354150?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7589323023418354150/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7589323023418354150' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7589323023418354150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7589323023418354150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/05/o-explicador.html' title='O explicador'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6417031375210295649</id><published>2009-04-20T20:38:00.002-03:00</published><updated>2009-04-21T13:08:41.795-03:00</updated><title type='text'>“Um país se faz com...</title><content type='html'>... homens e livros” (Monteiro Lobato), e também com:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. moradia&lt;br /&gt;. saúde&lt;br /&gt;. trabalho&lt;br /&gt;. escolas públicas de qualidade&lt;br /&gt;. bibliotecas públicas bem equipadas e com acervo constantemente atualizado&lt;br /&gt;. saneamento básico&lt;br /&gt;. transporte urbano de massa com condições dignas&lt;br /&gt;. respeito e atenção para com a criança, o adolescente e o idoso&lt;br /&gt;. respeito às diferenças&lt;br /&gt;. respeito e proteção às etnias nativas&lt;br /&gt;. respeito e proteção ao meio ambiente&lt;br /&gt;. obras literárias de domínio público digitalizadas e amplamente compartilhadas&lt;br /&gt;. obras de diversos campos do saber de domínio público digitalizadas e amplamente compartilhadas&lt;br /&gt;. difusão cultural&lt;br /&gt;. amplo acesso ao lazer e à prática de esportes&lt;br /&gt;. amplo acesso ao registro civil&lt;br /&gt;. justiça eficiente, equânime e ágil&lt;br /&gt;. estradas em boas condições&lt;br /&gt;. previdência e assistência social&lt;br /&gt;. segurança pública eficiente&lt;br /&gt;. extinção do analfabetismo&lt;br /&gt;. educação no trânsito&lt;br /&gt;. políticas públicas de prevenção às drogas&lt;br /&gt;. extinção do trabalho escravo&lt;br /&gt;. erradicação da pobreza&lt;br /&gt;. extinção do trabalho infantil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6417031375210295649?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6417031375210295649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6417031375210295649' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6417031375210295649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6417031375210295649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/04/um-pais-se-faz-com.html' title='“Um país se faz com...'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2918855441537086140</id><published>2009-04-04T21:03:00.004-03:00</published><updated>2009-04-04T21:18:44.780-03:00</updated><title type='text'>Série "entre aspas" IV - Marx</title><content type='html'>"O tempo é tudo; o homem não é nada: no máximo, ele é a carcaça do tempo." (Marx, in &lt;em&gt;Miséria da filosofia, 1847.&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;[Citado por Guy Debord, &lt;em&gt;A sociedade do espetáculo&lt;/em&gt;. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997, p. 103.]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2918855441537086140?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2918855441537086140/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2918855441537086140' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2918855441537086140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2918855441537086140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/04/serie-entre-aspas-iv-marx.html' title='Série &quot;entre aspas&quot; IV - Marx'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8666630403727946562</id><published>2009-02-04T09:53:00.001-03:00</published><updated>2009-02-04T09:54:45.363-03:00</updated><title type='text'>Série "entre aspas" III - Lévi-Strauss</title><content type='html'>"Nestes estabelecimentos em que o vinho está incluído no preço das refeições, cada conviva encontra diante de seu prato uma modesta garrafa com um líquido na maioria das vezes ruim. Esta garrafa é parecida com a do vizinho, como o são as porções de carne e de legumes que uma criada distribui à volta, e, entretanto, uma singular diferença de atitude se manifesta logo em relação ao alimento líquido e ao alimento sólido. Este representa as submissões do corpo e aquele, seu luxo. Um serve em primeiro lugar para alimentar, o outro para celebrar (...). É que, com efeito, diferentemente dos pratos do dia, bastante pessoais, o vinho é bastante social. A pequena garrafa pode conter exatamente um copo, o conteúdo será vertido não no copo daquele que o possui, mas no copo do vizinho, e este efetuará logo um gesto correspondente de reciprocidade. O que se passou? As duas garrafas são idênticas em volume, seu conteúdo semelhante em qualidade. Cada um dos participantes desta cena reveladora, no final das contas, não recebeu nada a mais do que se ele tivesse consumido sua parte pessoal. De um ponto de vista econômico, ninguém ganhou e perdeu. Mas acontece que existe muito mais na troca do que as coisas trocadas" (Lévi-Strauss, in: &lt;em&gt;Les structures élémentaires de la parenté&lt;/em&gt;, 1947).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Citado por Jean-Pierre Poulain, &lt;em&gt;Sociologias da alimentação&lt;/em&gt;, trad. Rossana Pacheco e outros. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2004, p. 162.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8666630403727946562?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8666630403727946562/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8666630403727946562' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8666630403727946562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8666630403727946562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/02/serie-entre-aspas-iii-levi-strauss_04.html' title='Série &quot;entre aspas&quot; III - Lévi-Strauss'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4940738065062648215</id><published>2009-02-03T17:00:00.006-03:00</published><updated>2009-02-09T16:00:19.943-03:00</updated><title type='text'>Papai Noel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma noite escura e fria, papai Noel saiu de casa e foi perambulando sem rumo. Encontrou pelo caminho três órfãos, que o olharam com olhos súplices, mas papai Noel olhou-os sem os ver. Seguiu na penumbra, chutando folhas secas e assoviando um assovio que procurava imitar o som do vento. Ao dobrar uma esquina, tropeçou em um saco de estopa cinzento e roto, que devia ter servido para embalar carvão mas que agora estava vazio. O velho apanhou-o e jogou-o às costas, para se aquecer.&lt;br /&gt;Este papai Noel não era pai de ninguém. E nem se lembrava de um dia ter sido sequer filho. Morava sozinho num cômodo escuro e frio como esta noite, à diferença de esta noite não ter fim. Do seu cômodo, papai Noel podia ver os outros cômodos entulhados uns sobre os outros, desordenadamente, mas agora ele via a imensidão escura do céu, e nela havia incontáveis pontos luminosos, também atulhados desordenadamente, uns sobre os outros.&lt;br /&gt;E como estivesse já cansado de andar sem rumo, papai Noel resolveu seguir a luz de uma destas estrelas. Não era uma estrela qualquer. Era a mais ofuscante, a mais vaidosa e fugidia. E papai Noel a seguia, resignado.&lt;br /&gt;E como também fosse um velho um tanto distraído, e como ainda tivesse de dividir sua atenção entre a luz da estrela e o caminho, constantemente ele tropeçava em algo. Assim, papai Noel começou a juntar dentro do saco esfarrapado tudo o que encontrava à beira do caminho. Já amanhecera e ele prosseguia em sua caminhada. O saco às costas, tocado pelos raios vermelhos no céu, estava quase todo cheio, pesado, e papai Noel seguia com dificuldade.&lt;br /&gt;Parou numa praça abandonada. Sentou-se num banco em que faltava uma das tábuas. Ao seu lado, o saco, abarrotado, reclamava atenção. O velho tomou do saco e, antes de atirá-lo novamente às costas, espremeu dentro dele um pouco de poeira da praça e o saco ficou mais vermelho.&lt;br /&gt;E já era noite de novo. Ele buscava a luz daquela estrela, mas não a encontrava, perdido na noite e no tempo. Caminhou assim mesmo, um largo espaço de noite. E outro dia e outra noite, papai Noel já nem mais as contava, quando a estrela caprichosa apareceu. E já era dia de novo.&lt;br /&gt;Na décima terceira noite, papai Noel avistou um pequeno aglomerado, como que formando uma fila. E viu que, nela, três homens levavam oferendas e as ofertavam a uma criança que não tinha mais que treze dias.&lt;br /&gt;O velho entrou na fila. Ao chegar sua vez, depositou com cuidado o saco vermelho aos pés da manjedoura e saiu devagar, como quem não quer nada. Enfiou as mãos nos bolsos das calças para enganar o frio, e voltou para casa assoviando um assovio que procurava imitar o som do vento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4940738065062648215?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4940738065062648215/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4940738065062648215' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4940738065062648215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4940738065062648215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/02/papai-noel.html' title='Papai Noel'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4847864200590235</id><published>2009-01-18T09:19:00.012-03:00</published><updated>2009-01-22T15:10:32.039-03:00</updated><title type='text'>Atualizações de um poema ou</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;guia prático de sobrevivência nos tempos que seguem&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasci, um anjo torto&lt;br /&gt;desses que vivem na sombra&lt;br /&gt;disse: Vai, Osama! ser Al Qaeda na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As casas espiam os homens&lt;br /&gt;que correm atrás de inimigos.&lt;br /&gt;A tarde talvez fosse azul,&lt;br /&gt;não houvesse tantos conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ônibus passa cheio de soldados:&lt;br /&gt;mas segue sem Shalit, Herzog, Guevara.&lt;br /&gt;Para que tanta guerra, meu Deus, pergunta meu coração.&lt;br /&gt;Porém meus olhos&lt;br /&gt;não perguntam nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem atrás do bigode&lt;br /&gt;parece sério, simples e forte.&lt;br /&gt;Quase não conversa.&lt;br /&gt;Tem poucos, raros amigos&lt;br /&gt;o homem atrás dos campos de concentração e do bigode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, por que me abandonaste&lt;br /&gt;se sabias que eu não era Bush,&lt;br /&gt;se sabias que eu era fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo mundo vasto mundo&lt;br /&gt;se eu me chamasse Obama&lt;br /&gt;seria uma rima, não seria uma solução.&lt;br /&gt;Mundo mundo vasto mundo,&lt;br /&gt;mais vasta é minha organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não devia te dizer&lt;br /&gt;mas essa luta&lt;br /&gt;mas esse combate&lt;br /&gt;botam a gente comovido com o diabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4847864200590235?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4847864200590235/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4847864200590235' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4847864200590235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4847864200590235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2009/01/atualizao-de-um-poema.html' title='Atualizações de um poema ou'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2251567418199044771</id><published>2008-12-02T14:48:00.016-03:00</published><updated>2008-12-03T10:06:56.854-03:00</updated><title type='text'>Match point, Parte II,</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;ou continuação de um filme ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A história se passa numa Londres de, digamos, daqui a uns 20 anos e tem, como pano de fundo musical, um monte de óperas do período pré-cambriano. Um bem sucedido e bem entediado executivo de uma alta empresa (alta no sentido de andar alto do prédio, onde fica o escritório dele, pois não se sabe muito bem o que a empresa compra ou o que vende) sente-se cada vez mais entediado. A megera que ele tem em casa, feia e sem graça, ficou mais sem graça ainda desde que ele a conhecera, há 20 anos atrás, com o agravante de estar gorda, enrugada, flácida e cada vez mais voluntariosa, exigindo que seus desejos idotas sejam satisfeitos pra ontem. Pois bem, para matar o tédio, o tal executivo não arranja nenhuma amante – pois isso ele tem tantas quantas o dinheiro da milionária família da mulher possa arranjar-lhe. Sua diversãozinha mórbida é provocar o filho, um jovem de 20 anos que o odeia, e vice-versa. Até que, numa noite chuvosa – só para variar, em Londres –, o cara enche os cornos de escocês e acaba tendo uma visão que irá repetir-se quase todas as noites: uma super louraça aparece diante dos seus olhos, mas, para seu desespero, vem acompanhada de uma bruxa horrorosa. Atormentado por fantasmas inconfessáveis de um passado distante, o malandro resolve encarar, exorcizando os tais espectros macabros numa sessão espírita. (Para isso, ele pega um avião até o Rio de Janeiro, onde fica sabendo que, para seguir os rituais, precisa bater cabeça toda quinta-feira e vestir branco toda sexta-feira. Bom, detalhes à parte, filme que segue). Ele então descobre que o filho é a reencarnação do filho que ele matou há 20 anos, ainda dentro da barriga da mãe, com um tiro fulminante de espingarda. Para resolver de uma vez a questão, resolve matá-lo novamente. Assim, convida Matheus – é o filho – para uma caçada de fim de semana no campo. Matheus aceita o desafio, pois, embora ele não tenha pegado o filme na locadora, será uma boa oportunidade para exercitar o ódio que ele tem ao pai. E lá se vão, pai, filho e cachorro, para o esporte medievalesco da caçada, cada um com sua espingarda a tiracolo. Mas eis que, num momento de descuido, Chris – é o protagonista do filme – deixa sua espingarda no chão e o provável acontece: Brutus, o perdigueiro, acaba pisando sem querer querendo no gatilho (que já estava devidamente armado) da espingarda, a bala sai em disparada e... ricocheteia numa pedra próxima, voltando para o lugar de onde havia partido. Só que, na trajetória de retorno, o projétil acerta de cheio a cabeça do Chris.&lt;/em&gt; Até tu, Brutus?!,&lt;em&gt; grita ele, caindo completamente ensangüentado!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Brincadeirinha, Woody Allen, mas vê se nos próximos filmes você volta a acertar a mão.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2251567418199044771?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2251567418199044771/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2251567418199044771' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2251567418199044771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2251567418199044771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/12/match-point-parte-ii.html' title='Match point, Parte II,'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7638905623097043639</id><published>2008-12-01T10:27:00.003-03:00</published><updated>2008-12-01T15:43:58.528-03:00</updated><title type='text'>Um estudo sobre Machado de Assis</title><content type='html'>Em comemoração ao centenário de morte do grande Machado de Assis, a revista &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; Miscelânea (Edição atual - vol. 4) está divulgando trabalhos sobre o escritor. Assim, convido os meus 17 leitores a conferirem a revista, no endereço eletrônico &lt;a href="http://www.assis.unesp.br/posgraduacao/letras/miscelanea/edv4.htm"&gt;http://www.assis.unesp.br/posgraduacao/letras/miscelanea/edv4.htm&lt;/a&gt;. Entre os textos disponibilizados, há um de minha autoria, intitulado "O estudo do Conselheiro: o ceticismo machadiano no &lt;em&gt;Memorial de Aires&lt;/em&gt;", que versa sobre o último romance de Machado de Assis. O acesso direto para o trabalho é: &lt;a href="http://www.assis.unesp.br/posgraduacao/letras/miscelanea/pdf/v4oestud.pdf.pdf"&gt;http://www.assis.unesp.br/posgraduacao/letras/miscelanea/pdf/v4oestud.pdf.pdf&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Favor não estranhar umas interrogações fora de lugar no texto: parecem ser as famosas "gralhas" gráficas, que ainda sobrevivem, mesmo no mundo virtual.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7638905623097043639?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7638905623097043639/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7638905623097043639' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7638905623097043639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7638905623097043639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/12/um-estudo-sobre-machado-de-assis.html' title='Um estudo sobre Machado de Assis'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1457055887304960924</id><published>2008-11-28T15:31:00.014-03:00</published><updated>2008-12-03T14:14:38.551-03:00</updated><title type='text'>Série mini-resenhas IV - Barco a seco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dando prosseguimento à série... (esta é do fundo do baú)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O tempo e a verdade em &lt;em&gt;Barco a seco&lt;/em&gt;, de Rubens Figueiredo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguns escritores certamente já passaram pela experiência de escrever um romance a partir de um conto que haviam escrito antes. O romance &lt;em&gt;Vidas secas&lt;/em&gt; (1938), de Graciliano Ramos, por exemplo, originou-se do conto “Baleia”, dedicado ao drama da cachorrinha pertencente à família de nordestinos flagelados pela seca. Outro exemplo famoso é o romance de Machado de Assis, &lt;em&gt;Dom Casmurro&lt;/em&gt; (1899), que foi precedido pelo conto “O agregado”. &lt;em&gt;Barco a se&lt;/em&gt;co (2001), romance de Rubens Figueiredo, parece também trilhar por esse caminho. No entanto, ao contrário dos exemplos anteriores, não teria sido arquitetado a partir de nenhum conto do autor, aparentando antes se tratar de uma bela homenagem a Rubem Braga, um dos cronistas mais brilhantes da literatura brasileira. Como no conto/crônica “O afogado”, de Rubem Braga, escrito na década de 1960, o protagonista de &lt;em&gt;Barco seco&lt;/em&gt;, logo na abertura do romance, luta com o mar por sua vida, diante da força descomunal das águas. Em ambos os textos, o personagem sai da empreitada vitorioso e exausto, repensando os seus valores diante da fragilidade da vida. O quase afogamento do narrador no mar é o mote para Rubens Figueiredo desenrolar a história sobre o enigmático Emilio Vega, um obsessivo pintor de marinhas, que progressivamente torna-se a obsessão de Gaspar, o narrador, um perito em arte que ameça afogar-se - e afogar o leitor - não apenas nas ondas do mar bravio, mas principalmente em suas próprias dúvidas e perplexidades. Assim como Gaspar enfrenta diariamente o dilema de determinar se uma pintura é “falsa” ou “verdadeira”, a narrativa de &lt;em&gt;Barco a seco&lt;/em&gt; oscila entre esses dois extremos: o que é falso? o que é verdadeiro? A frase de abertura do livro parece precisar uma linha divisória entre um lado e outro: “Existe um limite para tudo”. Mas logo constatamos que, no romance, o “limite” pode ser apenas uma linha imaginária, demarcada com trêmula precisão num cenário flutuante. A narrativa de Gaspar é alinhavada ora por lembranças da infância de filho adotivo de pais extremamente pobres ora por impressões resultantes dos seus afetos imediatos. Aos poucos, vai surgindo um vasto cenário que não se circunscreve a nenhuma moldura, mas antes rompe com qualquer espécie de “enquadramento”: paisagem e pintura, cena real e cena imaginária acabam por se fundir/confundir. Nesse cenário, é o tempo que preside a todas as ações, conferindo-lhes algum sentido. Longe de ser rigorosamente linear, o tempo, no romance, possui um caráter mágico, transformando as pessoas e as coisas. Pois é apenas mediante a ação do tempo que a pintura de Vega adquire valor, da mesma forma que é também o tempo que revela a ruína física das pessoas, transformadas em “outro” que não si mesmo, e cuja temporária juventude é apenas um “disfarce” da constante erosão da vida. &lt;em&gt;Barco a seco&lt;/em&gt; sugere assim o falso/verdadeiro encerrado no próprio tempo, que corrói os botes abandonados na areia salgada, desbotando-lhe as cores à medida mesmo em que se dissolvem, enquanto de outro lado confere cada vez mais valor a esses mesmos botes, imobilizados para sempre na pintura de Vega. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1457055887304960924?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1457055887304960924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1457055887304960924' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1457055887304960924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1457055887304960924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/11/mini-resenha-barco-seco.html' title='Série mini-resenhas IV - Barco a seco'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1166767612062238414</id><published>2008-11-25T10:14:00.024-03:00</published><updated>2008-12-05T16:32:53.909-03:00</updated><title type='text'>Prateleira de Machado de Assis*</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;* Conforme listagem dos livros pertencentes a Machado de Assis, apresentada por Jean-Michel Massa e Glória Vianna em &lt;em&gt;A biblioteca de Machado de Assis &lt;/em&gt;(org. José Luís Jobim), Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras/Topbooks, 2001.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="OLE_LINK3"&gt;&lt;em&gt;Legendas: &lt;/em&gt;&lt;/a&gt;(as legendas coloridas a seguir são apenas um indicativo sobre o conteúdo geral tratado nos livros, e não fazem um rigoroso levantamento sobre editores e ano de publicação, como nas listagens de Massa e Vianna. Além disso, também não se trata de quantificar os livros encontrados. A "prateleira" abaixo informa apenas um título de cada obra, mesmo que, na estante real do escritor, alguns desses títulos aparecessem em mais de um volume. Os títulos das obras estão em itálico, separados por vírgula do nome do autor, que está em tipo normal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;[&lt;/span&gt; Arte;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;Auto-ajuda&lt;/span&gt;;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#336666;"&gt;Biografia/Autobiografia;&lt;/span&gt; Ciências Sociais e Humanas; &lt;span style="color:#009900;"&gt;Cultura antiga;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Cultura oriental;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Direito;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Filosofia;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;História;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;História de Portugal; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;História do Brasil;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;História Natural;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;Lingüística; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Literaturas (alemã; espanhola; francesa; inglesa; italiana; norte-americana); &lt;span style="color:#663333;"&gt;Medicina;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Literatura brasileira;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#33ccff;"&gt;Literatura portuguesa;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;Moral;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;Política;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#330099;"&gt;Teologia. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;De la démocratie et des governments mixtes&lt;/em&gt;, Lord Brougham.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;em&gt;La vie psychique des bêtes&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK1"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Dr. Louis Büchner. &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;em&gt;L’homme selon la science&lt;/em&gt;, Dr. Louis Büchner.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Le socialism&lt;/em&gt;, N. Colajanni.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;em&gt;Éloge de la folie&lt;/em&gt;, Erasme.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Critique des systèmes de morale contemporains&lt;/em&gt;, Alfred Fouilee. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;em&gt;La lutte pour le droit&lt;/em&gt;, Rud. von Jhering.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;La linguistique&lt;/em&gt;, Abel Hovelacque.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;Études morales et politiques&lt;/em&gt;, Edouard Laboulaye&lt;/span&gt;. &lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;em&gt;La philosophie&lt;/em&gt;, André Lefèvre.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;&lt;em&gt;Les origins de la civilization (état primitive de l’homme et moeurs des sauvages modernes)&lt;/em&gt;, Sir John Lubbock. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;em&gt;Philosophie contemporaine&lt;/em&gt;, M. Amédée Margerie. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;La science du langage&lt;/em&gt;, M. Max Müller. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;&lt;em&gt;L’espèce humaine&lt;/em&gt;, A. Quatrefages.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;em&gt;Las maladies de la mémoire&lt;/em&gt;, Ribot. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;&lt;em&gt;Prolégomènes à la psychogénie moderne&lt;/em&gt;, Pierre Siciliani.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;Self-help ou caractère, conduite et persévérance&lt;/em&gt;, Samuel Smiles.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;em&gt;Oeuvres complètes de Spinoza&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Spinoza. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;&lt;em&gt;La familla primitive ses origines et son développement&lt;/em&gt;, C. N. Starke. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Réflexions et menus-propos d’un peintre genevois ou essai sur le beau dans les arts&lt;/em&gt;, , vols. 1 e 2, Toppfer.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;em&gt;La civilisation primitive&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Edward Taylor.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;La vie du langage&lt;/em&gt;, Whitney. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Histoire de la caricature et du grotesque dans la littérature et dans l’art&lt;/em&gt;, Thomas Wright. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Premier livre de la Cyropédie&lt;/em&gt;, Xenophon. &lt;em&gt;Théâtre&lt;/em&gt;, Aristophane. &lt;em&gt;Le morale et la politique&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Aristote. &lt;em&gt;Théâtre d’Eschyle&lt;/em&gt;, Eschyle. &lt;em&gt;Histoires&lt;/em&gt;, Hérodote. &lt;em&gt;Ilíade&lt;/em&gt;, Homere. &lt;em&gt;Odysée&lt;/em&gt;, Homere. &lt;em&gt;Oeuvres complètes de Samosate&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Samosate. &lt;em&gt;Oeuvres de Platon&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Platon. &lt;em&gt;Les vies de hommes illustres&lt;/em&gt;, vol. 1 e 2, Plutarque. &lt;em&gt;Traités de morale&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Plutarque. &lt;em&gt;Les tragédies de Sophocle&lt;/em&gt;, Sophocle. &lt;em&gt;Histoire de la guerre du Péloponnèse&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Thucydide.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;La cité antique&lt;/em&gt;, Fustel de Coulanges.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Histoire romaine – Depuis la mort de Marc-Aurèle – Jusqu’à L’avènement de Gordien III&lt;/em&gt;, Herodien.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Histoire romaine&lt;/em&gt;, vols. 1 a 7, Mommsen.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;Les confessions de Saint Augustin&lt;/em&gt;, Saint Augustin.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Oeuvres de Catulle, Tibulle et Properce&lt;/em&gt;, Catulle. &lt;em&gt;Odes et épodes&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Horace. &lt;em&gt;Oeuvres complètes&lt;/em&gt;, Lucrece. &lt;em&gt;Oeuvres complètes&lt;/em&gt;, Petrone. &lt;em&gt;Oeuvres complètes&lt;/em&gt;, Quinte-curce. &lt;em&gt;Oeuvres complètes,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Tacite. &lt;em&gt;Histoire romaine&lt;/em&gt;, vols. 1 a 4, Tite-Live.&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;Confissões&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;do grande doutor da Igreja&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;, Santo Agostinho.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Arte de amar&lt;/em&gt;, vol. 1, Ovídio. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Grinalda da arte de amar de Ovídio&lt;/em&gt;, vols. 2 e 3, José Feliciano de Castilho.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;As geórgicas&lt;/em&gt;, Virgílio. &lt;em&gt;Eneida brasileira ou tradução poética da epopéia de Públio Virgílio Maro&lt;/em&gt;, Virgílio.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt; &lt;em&gt;La femme romaine&lt;/em&gt;, Mlle. Clarisse Bader. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Les romaines au temps de Pline le Jeune, leur vie privée&lt;/em&gt;, Maurice Pelisson.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;A bíblia sagrada&lt;/em&gt;, traduzida em português segundo a vulgata latina de Antonio Pereira de Figueiredo.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;La science des religions&lt;/em&gt;, Emile Burnouf.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;Les déicides, examen de la vie de Jesús et des développements de l’eglise chrétienne dans leurs rapport avec le judaisme&lt;/em&gt;, J. Cohen.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;Philosophie du droite ecclesiastique: des rapports de la religión et de l’état&lt;/em&gt;, Ad. Franck. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;em&gt;Le pape et le concile&lt;/em&gt;, Janus. &lt;em&gt;L’Immaculée Conception – Études sur L’origine d’un dogme&lt;/em&gt;, A. Stap. &lt;em&gt;Histoire littéraire de l’Ancien Testament&lt;/em&gt;, Noldeke.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Buddhisme indien&lt;/em&gt;, E. Burnouf. &lt;em&gt;Histoire ancienne des peuples de l’Orient&lt;/em&gt;, G. Maspero. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;Histoire du Mahométisme&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, (história do maometismo),Charles Mills. &lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Chants populaires du sud de l’Inde&lt;/em&gt;, (estudos sobre religião e filosofia da Índia), autor não citado. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Oeuvres choisies de&lt;/em&gt; (…), (drama hindu), Kalidasa.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Bibliothèque orientale&lt;/em&gt; (literatura persa, egípcia e chinesa), Rigveda.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Gulistan ou le parterre des roses &lt;/em&gt;(literatura persa), Sadi. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;em&gt;Le Ramayana&lt;/em&gt;, (poema sânscrito), vols. 1 e 2, Valmiky.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Sterne inédit&lt;/em&gt;, (literatura inglesa, de autoria de Richard Griffith), Sterne (obra apócrifa). &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Tragedie de&lt;/em&gt; (...), (literatura italiana), Vittorio Alfieri.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;La divina commedia&lt;/em&gt;, Dante Alighieri. &lt;em&gt;La vita, militare, bozzeti&lt;/em&gt;, Edmundo de Amicis. &lt;em&gt;L’Orlando Furioso&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Ariosto.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Storia D’Italia&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Francesco Guicciardini. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Opere di&lt;/em&gt; (...), Giacomo Leopardi. &lt;em&gt;Poesi di Ossian, antico poeta celtico&lt;/em&gt;, vols. 1 a 4, Ossian. &lt;em&gt;Storia della letteratura italiana&lt;/em&gt;, vol. 1, Francesco de Sanctis. &lt;em&gt;Opere di&lt;/em&gt; (...), vol. 2, Francesco de Sanctis.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;La Gerusalemne liberata e l’Aminta di&lt;/em&gt; (Torquato Tasso), Torquato Tasso.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Opere di&lt;/em&gt; (...), vols. 1 e 2, Benedetto Varchi.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Essai sur les oeuvres et la doctrine de Machiavel, avec la traduction littérale du Prince et de quelques fragments historiques et littéraires&lt;/em&gt;, Machiavel. &lt;em&gt;Les fiancés (Histoire milanaise du XVIme siècle)&lt;/em&gt;, Manzoni.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Jérusalem Délivree&lt;/em&gt;, Torquato Tasse. &lt;em&gt;L’Italie mystique: L’histoire de la renaissance religieuse&lt;/em&gt;, Emile Gebhart.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Lucrèce Borgie&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Ferdinand Gregorovius.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Les bouches de marbres de Rome, Pasquino et Marforo. L’ultimo rifugo di Dante Alighieri&lt;/em&gt;, Corrado Ricci.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;El ingenioso hidalgo don Quijote de la mancha,&lt;/em&gt; Miguel de Cervantes. &lt;em&gt;Novelas ejemplares&lt;/em&gt;, Miguel de Cervantes.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Comédias de&lt;/em&gt; (...), Moratin. &lt;em&gt;Poesias líricas&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Guillermo Matta. &lt;em&gt;Chefs d’oeuvre du théâtre espagnol&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Calderon.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#6600cc;"&gt;&lt;em&gt;Ensaio sobre alguns synonymos da língua portuguesa&lt;/em&gt;, vols. 1 e 3, D. Francisco S. Luiz.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#33ccff;"&gt;&lt;em&gt;História de Camões&lt;/em&gt;, Partes I e II, Theóphilo Braga. &lt;em&gt;História do Theatro Portuguez&lt;/em&gt;, Theóphilo Braga. &lt;em&gt;História dos quinhentistas&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(vida de Sá de Miranda e sua eschola)&lt;/em&gt;, Theóphilo Braga. &lt;em&gt;Manual de história e literatura portuguesa&lt;/em&gt;, Theóphilo Braga. &lt;em&gt;Antonio Ferreira, poeta quinhentista&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Júlio de Castilho.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;História de Portugal,&lt;/em&gt; vols. 1 a 4, Alexandre Herculano. &lt;em&gt;Roteiro de Vasco da Gama (1497)&lt;/em&gt;, autor não citado. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Opúsculos (Questões públicas)&lt;/em&gt;, vol. 2, Alexandre Herculano. &lt;em&gt;Opúsculos (Controvérsias e estudos históricos)&lt;/em&gt;, vol. 1 e 3, Alexandre Herculano. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ccff;"&gt;&lt;em&gt;Espelho de casados&lt;/em&gt;, João de Barros. &lt;em&gt;Versão francesa de Os lusíadas&lt;/em&gt;, Camões. &lt;em&gt;Diálogos de&lt;/em&gt; (...), Frey Amador Arraiz. [&lt;span style="color:#000099;"&gt;sem título], vols. 1 e 2, Padre João Lucena. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Chronica de El Rei D. Pedro I&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Fernão Lopes. &lt;em&gt;Chronica de El Rei D. João II&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Garcia de Resende. &lt;em&gt;Annaes de El Rei Dom João III&lt;/em&gt;, Fr. Luiz de Souza. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Obras de Gil Vicente&lt;/em&gt;, vols. 1, 2 e 3, Gil Vicente. &lt;em&gt;Flores do Campo&lt;/em&gt;, João de Deus. &lt;em&gt;A correspondência de Fradique Mendes&lt;/em&gt;, Eça de Queiroz. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Castrioto lusitano ou história da guerra entre Brasil e Holanda durante os anos de 1624 e 1654&lt;/em&gt;, Fr. Rafael de Jesus.&lt;/span&gt; &lt;em&gt;Versos&lt;/em&gt;, Almeida Garret. &lt;em&gt;Versos de Almeida Garret&lt;/em&gt;, Almeida Garret. &lt;em&gt;O amor da pátria&lt;/em&gt;, Francisco Gomes de Amorim. &lt;em&gt;Paquita&lt;/em&gt;, Bulhão Pato. &lt;em&gt;Contos e lendas&lt;/em&gt;, Rebello da Silva. &lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;A guerra da tríplica aliança (Império do Brazil, República da Argentina e República Oriental do Uruguai, contra o governo da República do Paraguai, 1864-1870)&lt;/em&gt;, L. Schneider. &lt;em&gt;História do Brasil traduzida do inglês por Luiz Joaquim Oliveira e Castro,&lt;/em&gt; vols. 1 a 6, Roberto Southey. &lt;em&gt;História da conjuração mineira&lt;/em&gt;, J. Norberto de Souza Silva.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Il Guarany ossia l’indigeno brasiliano, romanzo storico di (...) traduzione di G. Fico&lt;/em&gt;, J. de Alencar. &lt;em&gt;Iracema&lt;/em&gt;, José de Alencar. &lt;em&gt;Obras poéticas de&lt;/em&gt; (...), Tomos primeiro e segundo, Manoel Ignácio da Silva Alvarenga. &lt;em&gt;Caramuru (poema épico do descobrimento da Bahia)&lt;/em&gt;, Fr. José de Sta. Rita Durão. &lt;em&gt;O Uruguay&lt;/em&gt;, José Basílio da Gama. &lt;em&gt;Vinte contos&lt;/em&gt;, Valentim Magalhães. &lt;em&gt;Últimas poesias&lt;/em&gt;, Francisco Mangabeira. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;Minha formação&lt;/em&gt;, Joaquim Nabuco.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Anchieta ou o evangelho nas selvas&lt;/em&gt;, L. N. Fagundes Varella. &lt;em&gt;Americanas&lt;/em&gt;, Machado de Assis. &lt;em&gt;Helena&lt;/em&gt;, Machado de Assis. &lt;em&gt;Histórias sem data&lt;/em&gt;, Machado de Assis. &lt;em&gt;Papéis avulsos&lt;/em&gt;, Machado de Assis. &lt;em&gt;Revista Brasileira&lt;/em&gt;, ano 1, vols. 1 e 2. &lt;em&gt;Várias histórias&lt;/em&gt;, Machado de Assis.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;III centenário do venerável Joseph de Anchieta&lt;/em&gt;, Dr. A. F. de Paula Rodrigues et alii. &lt;em&gt;Novo orbe seráfico brasílico ou chronica dos frades menores da província do Brasil&lt;/em&gt;, vol. 1, Fr. Antonio de Sta. Maria Jaboatam. &lt;em&gt;O Brasil vertido do alemão por Luiz de Castro&lt;/em&gt;, Maurício Lamberg. &lt;em&gt;Ensaio chorográphico do Império do Brasil&lt;/em&gt;, A. José de Mello Moraes e Ignácio Accioli de E. Silva. &lt;em&gt;Memórias para a história do extinto estado do Maranhão&lt;/em&gt;, Cândido Mendes de Almeida, Tomo primeiro. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;Exposição do relatório do Ministro da Indústria, viação e das obras públicas&lt;/em&gt;, Joaquim Murtinho. &lt;em&gt;Um estadista do Império: Nabuco de Araújo: sua vida, suas opiniões e sua época, por seu filho,&lt;/em&gt; vols. 2 e 3, Joaquim Nabuco. &lt;em&gt;Recordações da vida parlamentar de Antônio Rebouças&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, Antônio Pereira Rebouças. &lt;em&gt;Recenseamento Geral da República dos Estados do Brasil (Em 31/12/1890).&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Os varões ilustres do Brazil durante os tempos coloniaes&lt;/em&gt;, vols. 1 e 2, J. M. Pereira da Silva. &lt;em&gt;Tombo das terras municipais que constituem parte do patrimônio da ilustríssima Câmara Municipal da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro,&lt;/em&gt; Dr. Roberto Jorge Haddock Lobo (organizador). &lt;em&gt;The new Brazil its resources and attractions historical, descriptive and industrial&lt;/em&gt;, Marie Robinson Wright.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro&lt;/em&gt;, vols. 1 a 5, Dr. Benjamin Franklin Ramiz Galvão (organizador). &lt;em&gt;Annaes do Parlamento Brazileiro&lt;/em&gt;, sem indicação de autor. &lt;em&gt;Assembléia Constituinte do Império do Brazil – 1823, &lt;/em&gt;sem indicação de autor.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Domingo, o jornal hebdomadário crítico e literário&lt;/em&gt;, a partir do nº 13.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;&lt;em&gt;Iris&lt;/em&gt;, vol. 2, 2º semestre de 1848, coletânea de periódicos redigidos por José Feliciano de Castilho. &lt;em&gt;Iris&lt;/em&gt;, vol. 2, 1849, coletânea de periódicos redigidos por José Feliciano de Castilho.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Periódico &lt;em&gt;Luz da razão&lt;/em&gt;, Jornal philosóphico acadêmico portunhense, (95 números, de 28/07/1867 a 15/06/1871). &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Revista Brasileira&lt;/em&gt;, vol. 1, nº 1, 1895.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brazil&lt;/em&gt;, vol. 1, 1º trimestre de 1839, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brazil,&lt;/em&gt; vol. 2, 1858. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brazil,&lt;/em&gt; vol. 3, 1860. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brazil&lt;/em&gt;, vol. 4, 1863. &lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK6"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; vol. 5, 1865, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico&lt;/em&gt;, vol. 6, 1866, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico&lt;/em&gt;, vol. 7, 1866, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico&lt;/em&gt;, vol. 8, 1866, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico&lt;/em&gt;, vol. 9, 1869. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico,&lt;/em&gt; vol. 10, 1869, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico, &lt;/em&gt;vol. 11, 1869, 2a. ed. &lt;em&gt;Revista Trimestral de História e Geographia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico,&lt;/em&gt; vol. 14, 1851.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 15, 1852. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 16, 1853.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 17, 1854. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 18, 1855. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 19, 1856. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 20, 1857.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 21,. 1858. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 22, 1859.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;a name="OLE_LINK8"&gt;&lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil, &lt;/em&gt;vol.&lt;/a&gt; 23, 1860. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 24, 1861. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 25, 1862. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil, &lt;/em&gt;vol. 26, 1863.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 27, Parte I, 1864.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 28, Parte II, 1864.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil, &lt;/em&gt;vol. 28, 1865. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vols. 28 e 29, 1866. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 30, Parte I, 1867. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 30, Parte II, 1867.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil, &lt;/em&gt;vol. 31, 1868.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 32, 1869.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 33, 1870.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 34, 1871.&lt;em&gt; Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 35, 1872. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 36, 1873. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 36, Parte II, 1873. &lt;em&gt;Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 37, Parte I, 1874&lt;em&gt;. Revista do Instituto Histórico e Geográfico e Etnográfico do Brasil,&lt;/em&gt; vol. 37, Parte II, 1874.&lt;em&gt; &lt;span style="color:#660000;"&gt;Statement submited by the United States of Brazil to the President of the United States of America as arbitror, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;vols. 1 e 3, sem indicação de autor. &lt;em&gt;Exposição que os Estados Unidos do Brasil apresentam ao Presidente dos Estados Unidos da América como árbitro, &lt;/em&gt;vol. 3, sem indicação de autor. &lt;em&gt;Frontières entre le Brasil et la Guyane Française (mémoire présenté par les États Unis du Brasil au Gouvernement de la Confédération Suisse), &lt;/em&gt;vols. 1, 2 e 3, sem indicação de autor.&lt;em&gt; Frontières entre le Brasil et la Guyane Française (Second mémoire présenté par les États Unis du Brasil au Gouvernement de la Confédération Suisse), &lt;/em&gt;vols. 1 a 4, sem indicação de autor. &lt;em&gt;L’Oyapoc et L’Amazone Question brèsiliene et française, &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, sem indicação de autor.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;em&gt;Manuel classique de conversation française et anglaise,&lt;/em&gt; Sadler&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Histoire de la civilisation em Angleterre,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 a 5, Henry Thomas Buckle. &lt;em&gt;The history of the rebellion and civil wars in England together with an historical view of the affairs of Ireland,&lt;/em&gt; vols. 1 a 7, Edward Earl of Clarendon.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Letters and speeches with elucidations by Thomas Carlyle,&lt;/em&gt; vols. 1 a 4, Oliver Cromwell.&lt;em&gt; Critical and historical essays,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, &lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK9"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Lord Macaulay&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Essais literaires,&lt;/em&gt; Lord Macaulay. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;em&gt;Essais politiques et philosophiques,&lt;/em&gt; Lord Macaulay&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Histoire d’Angleterre depuis l’avènement de Jacques II,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 e 2, T. B. Macaulay&lt;em&gt;. Histoire du règne de Guillaume II pour faire suite à l’histoire de la révolution de 1688,&lt;/em&gt; vols. 1 a 4, T. B. Macaulay&lt;em&gt;. Histoire constitutionelle de l’Angleterre depuis l’avènement de George III (1770-1860), &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, Thomas Erskine May.&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;The pilgrim’s progress from this world to that which is to come,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; John Bunyan&lt;em&gt;. The pilgrim’s progress delivered under the similitude of a dream,&lt;/em&gt; John Bunyan&lt;em&gt;. Oeuvres complètes,&lt;/em&gt; vols. 1 a 10, Shakespeare. &lt;em&gt;The beauties of Shakespeare, &lt;/em&gt;Shakespeare&lt;em&gt;. The hand volume,&lt;/em&gt; vols. 1 a 13, Shakespeare. &lt;em&gt;The poetical works of (…),&lt;/em&gt; Robert Burns. &lt;em&gt;The works of Byron,&lt;/em&gt; Lord Byron. &lt;em&gt;The works of Charles Dickens,&lt;/em&gt; vols. 1 a 30, Charles Dickens.&lt;em&gt; Novels of (…),&lt;/em&gt; vols. 2 e 4 (Silas Marner e Scenes of clerical life), George Eliot. &lt;em&gt;Middlemarch, a study of providencial life by (…),&lt;/em&gt; George Eliot. &lt;em&gt;The history of Amelia,&lt;/em&gt; Henry Fielding.&lt;em&gt; Le vicaire de Wakefield,&lt;/em&gt; Oliver Goldsmith. &lt;em&gt;The lives of English poets,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Samuel Johnson.&lt;em&gt; Essais choisis,&lt;/em&gt; Charles Lamb.&lt;em&gt; The poetical works. Paradise lost and paradise regained,&lt;/em&gt; John Milton. &lt;em&gt;O paraíso perdido (epopéia de Milton – em versos por Antônio José de Lima Leitão),&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, João Milton.&lt;em&gt; The poetical works (collected by him-self in five volumes), &lt;/em&gt;vols. 1 a 5, Thomas Moore. &lt;em&gt;The poetical works,&lt;/em&gt; Percy Bysshe Shelley.&lt;em&gt; The dramatic works of right honourable,&lt;/em&gt; Richard Brinsley Sheridan. &lt;em&gt;The life and opinions of Tristram Shandy,&lt;/em&gt; Laurence Sterne.&lt;em&gt; A sentimental journey through France and Italy,&lt;/em&gt; Laurence Sterne.&lt;em&gt; Opuscules humoristiques,&lt;/em&gt; Jonathan Swift. &lt;em&gt;A tale of a tub written for the universal improvement of mankind, &lt;/em&gt;Jonathan Swift. &lt;em&gt;Polite conversation in three dialogues, &lt;/em&gt;Jonathan Swift.&lt;em&gt; The English humourist of the eighteenth,&lt;/em&gt; William Thackeray. &lt;em&gt;Vanity fair, a novel without a hero,&lt;/em&gt; William Thackeray&lt;em&gt;. The poetics works,&lt;/em&gt; vols. 1 a 7, Alfred Tennyson&lt;em&gt;. Harold, a drama,&lt;/em&gt; Alfred Tennyson&lt;em&gt;. Queen Mary, a drama, &lt;/em&gt;Alfred Tennyson&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;La descendance de l’homme et la sélection sexuelle par (...). &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Charles Darwin. &lt;em&gt;L’origine des espèces au moyen de la sélection naturelle ou la lutte pour l’existence dans la nature par (...).&lt;/em&gt; Charles Darwin.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;em&gt;Physyographie,&lt;/em&gt; Th. H. Huxley.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Introduction a la science sociale,&lt;/em&gt; Herbert Spencer.&lt;em&gt; L’individu contre l’état, &lt;/em&gt;Herbert Spencer. &lt;em&gt;Principes de sociologie,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Herbert Spencer.&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;La sélection naturelle essais,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt; Alfred Russel Wallace&lt;em&gt;. Principes de biologie,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Herbert Spencer&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;. &lt;/span&gt;The queen of Sheba,&lt;/em&gt; Thomas Bailey&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;The American Comonwealth the party system – public opinion,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; James Bryce&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; The poetical works,&lt;/em&gt; vols. 1 a 4, Henry Waldsworth Longfellow&lt;em&gt;. Poemas da escravidão, &lt;/em&gt;Henry Waldsworth Longfellow. &lt;em&gt;The works of (…),&lt;/em&gt; vols. 1 a 3, Edgar Allan Poe.&lt;em&gt; The poetical works of (...),&lt;/em&gt; John Greenleaf Whittier.&lt;em&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Etudes sur L’Allemagne,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Charles Philarète&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;Novo dicionário da língua portuguesa e alemã,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt; vols. 1 e 2, H. Michaelis&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;. &lt;/span&gt;Gedichte von Chamisso,&lt;/em&gt; Adelbert von Chamisso&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;S Werke illustrirt von ersten deutschen Künstlern,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; vols. 1 a 4,&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Goethe&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;.&lt;/span&gt; Uli der Knecht, &lt;/em&gt;Jeremias Gotthelf&lt;em&gt;. Ahasver in Rom,&lt;/em&gt; Robert Hamerling&lt;em&gt;. S Werke illustrirt von Wiener Künstlern, &lt;/em&gt;vols. 1 a 6, Heinrich Heine&lt;em&gt;. Brief von Humboldt,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Wilhelm von Humboldt&lt;em&gt;. S. Sämmttliche werke in zwanzig Banden, &lt;/em&gt;Lessing&lt;em&gt;. Blumen, Frucht und Dornen Stücke, oder Ehestand, Tod und Hochzeit des Arnebadvokaten F. St. Siebenkäs von Jean-Paul,&lt;/em&gt; Jean-Paul [Richter]&lt;em&gt;. Der Kleine Adam. Sascha und Saschka von Sacher Masoch,&lt;/em&gt; L. Sacher-Masoch&lt;em&gt;. S. Sämnttliche werke in fünfzehn Banden mit Einlentung von Karl Goedek, &lt;/em&gt;Schiller&lt;em&gt;. Oeuvres de Goethe, &lt;/em&gt;vols 1 a 6 e 8 a 10, Goethe. &lt;em&gt;Conversations de Goethe pendant les dernières annés de sa vie (1822-1832) recueilliès par Eckerman,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Goethe&lt;em&gt;. Entretiens de Goethe et d’Eckermann, &lt;/em&gt;Goethe&lt;em&gt;. Faust,&lt;/em&gt; Goethe&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Lettres sur la vie politique, artistique et sociale de la France,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Henri Heine.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; &lt;/span&gt;La Messiade,&lt;/em&gt; Klopstock&lt;em&gt;. Les Niebelungen,&lt;/em&gt; sem indicação de autor&lt;em&gt;. Oeuvres de Schiller,&lt;/em&gt; vols. 1 a 8. Schiller&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;La religión de l’avenir,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK11"&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Edouard de Hartmann&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;em&gt;Le darwinismo, &lt;/em&gt;Edouard de Hartmann&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Philosophie de l’inconscient,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; vols. 1 e 2, Edouard de Hartmann&lt;em&gt;. Esthétique,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Hegel. &lt;em&gt;La philosophie de Schopenhauer,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, The Ribot&lt;em&gt;. Aphorismen zur Lebensweisheit,&lt;/em&gt; &lt;a name="OLE_LINK13"&gt;Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Aphorismes sur la sagesse dans la vie, &lt;/em&gt;Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. S. Briefe an Becker, Frauenstädt, Doss, Lindner und Asher, sowie andere, bisher nicht gesamnlte Briede aus den Jahren 1813 bis 1860 herausgegeben von Eduard Grisebach,&lt;/em&gt; Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. Ecrivains et style,&lt;/em&gt; Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. Essai sur le libre arbiter,&lt;/em&gt; Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. Le monde comme volonté et comme representation, &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, Arthur Schopenhauer. &lt;em&gt;Pensées, maxims et fragments,&lt;/em&gt; Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. Sur la religion, &lt;/em&gt;Arthur Schopenhauer&lt;em&gt;. Vollständige Sanmlung der parlamentarischen Reden Bismarcks, &lt;/em&gt;vols. 1 a 7, Fürst Bismarck&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Als Redner (Fünfter Band – 1871/1877),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Fürst Bismarck&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Als Redner (Neunter Band – 1877/1878),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Fürst Bismarck&lt;em&gt;. Als Redner (Zehnter Band – 1879),&lt;/em&gt; Fürst Bismarck&lt;em&gt;. Als Redner (Elfter Band – 1880/1881),&lt;/em&gt; Fürst Bismarck&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Eine aegyptische Königtohter, historicher Roman,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 a 3, Georg Ebers&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;. Geschichte des modernen Dramas im Umrissen,&lt;/em&gt; Alfred Klaar&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Zum finfundzwanzig jährigen Bestehen (1865-1890), &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Modenwelt&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993399;"&gt;Dictionaire étymologique de la langue française,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt; Auguste Brachet&lt;em&gt;. Grammaire historique de la langue française, &lt;/em&gt;Auguste Brachet&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Literature et histoire,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; E. Littre&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Essais sur l’histoire de la littérature française, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;J. J. Weiss&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;Essais,&lt;/em&gt; Michel de Montaigne&lt;em&gt;. Oeuvres de Rabelais, &lt;/em&gt;Rabelais&lt;em&gt;. Oeuvres poétiques, &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Boileau-Despraux&lt;/span&gt;&lt;em&gt;. Oeuvres choises, &lt;/em&gt;Descartes&lt;em&gt;. Caratères de Theophraste,&lt;/em&gt; La Bruyere&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Oeuvres complétes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; vols. 1 a 3, La Fontaine&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Réflexions, sentences et maixmes morales, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;De La Rochefoucald.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Lettres écrites à un provincial,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Blaise Pascal&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Pensées,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Blaise Pascal&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK14"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Theâtre&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; Racine.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Mémoires,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; vols. 1, 2, 3 e 5, Cardinal de Retz.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Theâtre suivi de ces poésies diverses,&lt;/em&gt; Beaumarchais&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Pensées, maximes, anecdotes, dialogues, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Chamfort&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;Chefs d’oeuvres dramatiques du XVIII siècle,&lt;/em&gt; sem indicação de autor&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Poésies,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; André Chenier&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Oeuvres de J. F. Regnard suivies des oeuvres choisies de (...),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; N. N. Destouches&lt;em&gt;. Oeuvres choisies de Diderot,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Diderot. &lt;em&gt;France dramatique (Théâtre français), &lt;/em&gt;sem indicação de autor.&lt;em&gt; Histoire de Gil Blas de Santillane,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Le Sage&lt;em&gt;. Mémoires de Malouet,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Malouet.&lt;em&gt; Lettres persanes suivies de Arsase et Isménie et le pensées diverses, &lt;/em&gt;Montesquieu&lt;em&gt;. Histoire de Manon Lescault et du Chevalier et du Chevalier Des Grieux,&lt;/em&gt; Abbé Prevost&lt;em&gt;. Oeuvres de J. F. Regnard suivies de oeuvres choisies de N. Destouches,&lt;/em&gt; J. F. Regnard&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Les confessions de Jean-Jacques Rousseau,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; Jean-Jacques Rousseau&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;em&gt;. Petit chefs d’oeuvres de Rousseau,&lt;/em&gt; Jean-Jacques Rousseau&lt;em&gt;. Emile ou de l’Education,&lt;/em&gt; Jean-Jacques Rousseau&lt;em&gt;. Lettres choises de Voltaire par Louis Moland,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Voltaire&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Romans de Voltaire suivis de ses contes em vers, &lt;/em&gt;Voltaire&lt;em&gt;. Poésies (Premières poésies. Poésies philosophiques),&lt;/em&gt; L. Ackermann&lt;em&gt;. Histoire littéraire de la France sous Charlemagne et Durant les X et XI siècles,&lt;/em&gt; vols. 1 a 3, J. J. Ampere&lt;em&gt;. Oeuvres illustrées de Balzac, La Comédie Humaine, &lt;/em&gt;vols. 1 a 2o, H. de Balzac&lt;em&gt;. Les fleurs du mal,&lt;/em&gt; Charles Baudelaire&lt;em&gt;. Atala, René, le dernier des abencérages les Natchez, &lt;/em&gt;Chateaubriand&lt;em&gt;. Lectures choisies,&lt;/em&gt; Chateaubriand.&lt;em&gt; Adolphe (anecdote trouvée das le papier d’un inconnu),&lt;/em&gt; Benjamin Constant&lt;em&gt;. Oeuvres de Courier,&lt;/em&gt; P. L. Courier&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Du vrai, du beau et du bien,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; Victor Cousin&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Le nabab, Alphonse Daudet. &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Mélanges et lettres avec une introduction par M le Comte d’Haussonville,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; vols. 1 a 4, X. Doudan.&lt;em&gt; Le demi-monde, comédie,&lt;/em&gt; Alexandre Dumas&lt;em&gt;. Julia de Trécaeur et Circe,&lt;/em&gt; Octave Feuillet&lt;em&gt;. Histoire de Sibyle,&lt;/em&gt; Octave Feuillet&lt;em&gt;. Bouvard et Pécuchet,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Correspondence,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Gustave Flaubert&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;La tentation de Saint Antoine,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Gustave Flaubert&lt;em&gt;. L’education sentimentale,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;em&gt;. Lettres de Flaubert à George Sand,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert. &lt;em&gt;Madame Bovary,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;. Salammbô,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;em&gt;. Trois contes,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;L’anneau d’améthyste,&lt;/em&gt; Anatole France&lt;em&gt;. L’étui de nacre,&lt;/em&gt; Anatole France&lt;em&gt;. Le crime de Sylvestre Bonnard,&lt;/em&gt; Anatole France&lt;em&gt;. Nouvelles poésies,&lt;/em&gt; Théophile Gautier&lt;em&gt;. Premières poesies,&lt;/em&gt; Théophile Gautier&lt;em&gt;. Romans et contes,&lt;/em&gt; Théophile Gautier&lt;em&gt;. Les Pléiades par le Gobineau,&lt;/em&gt; Comte de Gobineau&lt;em&gt;. Poémes barbares,&lt;/em&gt; Leconte de Lisle&lt;em&gt;. Nouveau recueil de poésies en français par Monteiro Teixeira,&lt;/em&gt; J. A. Monteiro Teixeira&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Les aveugles,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Maurice Maeterlinck&lt;em&gt;. Carmen,&lt;/em&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. Chronique du règne Charles IX,&lt;/em&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. Colomba, &lt;/em&gt;Prosper Merimée&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;em&gt;. Dernières nouvelles,&lt;/em&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. La double méprise, &lt;/em&gt;Prosper Merimée&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Lettres à une inconnue, vols. 1 e 2,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. Mosaïque,&lt;/em&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. Théâtre de Clara Gazul,&lt;/em&gt; Prosper Merimée&lt;em&gt;. Poésies nouvelles: 1846-1852,&lt;/em&gt; Alfred de Musset&lt;em&gt;. Souvenirs de Jeunessse suivis de Mademoiselle de Marsanet de la neuvaine de la chandeleur, &lt;/em&gt;Charles Nodier&lt;em&gt;. Amours et haines,&lt;/em&gt; Edouard Pailleron&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;. &lt;/span&gt;Oeuvres complétes,&lt;/em&gt; vols. 1 a 3, Edagar Quinet&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#33ff33;"&gt;Caliban, suite de la tempête,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; Ernest Renan&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;.&lt;/span&gt; Histoire des origines du Christianisme,&lt;/em&gt; vols. 3 e 7, Ernest Renan.&lt;em&gt; Histoire du peuple d’Israel,&lt;/em&gt; vols. 1 a 5, Ernest Renan&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#6600cc;"&gt;L’Eclesiaste,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#6600cc;"&gt; Ernest Renan&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#6600cc;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Lettres intimes 1842-1845,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Ernest Renan&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Souvenirs d’enfance et de jeunesse par Ernest Renan,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Ernest Renan&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Galerie des femmes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; George Sand.&lt;em&gt; Mauprat,&lt;/em&gt; George Sand&lt;em&gt;. Letters de Flaubert à George Sand,&lt;/em&gt; Gustave Flaubert&lt;em&gt;. Causeries du Lundi,&lt;/em&gt; vols. 1 a 3 e 5 a 15, C. A. Sainte-Beuve&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Portraits contemporains,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; vols. 1 a 5, C. A. Sainte-Beuve&lt;em&gt;. Corinne ou l’Italie,&lt;/em&gt; Madame de Staël.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;De la littérature considerée dans ses rapports avec les institutions sociales, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Madame de Staël.&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Armance,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Correspondance inédite,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. De l’amour,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. L’abbesse de Castro,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. La Chartreuse de Parme,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Lamiel,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Le rouge et le noir, &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, Henri Beyle Stendhal.&lt;em&gt; Mélanges d’art et de littérature,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Mémoires d’um touriste, &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, Henri Beyle Stendhal.&lt;em&gt; Oeuvres phostumes (Journal de Stendhal 1801-1814),&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Oeuvres phostumes (Nouvelles inédites),&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Oeuvres phostumes (vie de Napoleón, fragments),&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Promenades dans Rome (seule édition complète de préfaces et de fragments entièrement inédits), &lt;/em&gt;vols. 1 e 2, Henri Beyle Stendhal. &lt;em&gt;Racine et Shakespeare,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;em&gt;. Souveniers d’egotisme (Autobriographie et letters inédites), &lt;/em&gt;Henri Beyle Stendhal.&lt;em&gt; &lt;span style="color:#336666;"&gt;Vie de Henri Brulard, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Henri Beyle Stendhal.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;Vie de Haydn, de Mozart et de Métastase,&lt;/em&gt; Henri Beyle Stendhal&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;Esquisses morales, Pensées, reflexions et maximes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; Daniel Sterne. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;De l’Idéal dans l’art,&lt;/em&gt; H. Taine&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;.&lt;/span&gt; Histoire de la littérature anglaise,&lt;/em&gt; vols. 1, a 5, H. Taine&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Les origins de la France contemporaine (L’Ancien Régime et La Révolution),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 e 2, H. Taine&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Nouveaux essais de critique et d’histoire,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt; H. Taine.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;Philosophie de l’art,&lt;/em&gt; H. Taine&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;.&lt;/span&gt; L’idealisme anglais – étude sur Carlyle, &lt;/em&gt;H. Taine&lt;em&gt;. Sa vie et sa correspondence,&lt;/em&gt; vols. 1 a 3, H. Taine&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Histoire de la Révolution,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 e 2, &lt;/span&gt;&lt;a name="OLE_LINK18"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;M. A. Thiers&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Histoire du Consulat,&lt;/em&gt; M. A. Thiers&lt;em&gt;. Histoire de l’Empire,&lt;/em&gt; vols. 1 a 4, M. A. Thiers&lt;em&gt;. Atlas de l’histoire de consulat et de l’Empire dressé et dessiné sous la direction de Thiers,&lt;/em&gt; M. A. Thiers. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Hernani,&lt;/em&gt; Victor Hugo&lt;em&gt;. La légende des siècles,&lt;/em&gt; vols. 1 e 2, Victor Hugo&lt;em&gt;. Les contemplations. Autre fois 1830-1843,&lt;/em&gt; Victor Hugo&lt;em&gt;. Les contemplations. Aujourd’hiu 1843-1856,&lt;/em&gt; Victor Hugo&lt;em&gt;. Les orientales, les feuilles d’autonne, les chants du crépuscule,&lt;/em&gt; Victor Hugo&lt;em&gt;. Odes et ballades, &lt;/em&gt;Victor Hugo&lt;em&gt;. Poèmes et fantasies (1867-1873),&lt;/em&gt; Gustave Vinot&lt;em&gt;. Fábulas de La Fontaine, &lt;/em&gt;tomos I e II, La Fontaine. &lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;Les grands écrivains français: Alfred de Musset,&lt;/em&gt; Arvède Barine&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Rivalité de François Ier et de Charles-Quint,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 e 2, M. Mignet&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;L’esprit &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;révolutionaire avant la revolution: 1715-1789,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Félix Rocquain&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Napoleon, the last phase,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Lord Rosebery&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Annuaire de la presse française et du mond politique: 1893,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Henri Avenel&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Congrès international des americanistes: compte rendu de la première session, Nancy, 1875,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; vols. 1 e 2, sem indicação de autor.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Revue des deux mondes,&lt;/em&gt; vol. 4, sem indicação de autor&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#663333;"&gt;La surveillance maternelle ou hygiène thérapeutique de la première enfance d’aprés la méthode dosimétrique, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;Dr. Burggraeve. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Tunis et ses environs,&lt;/em&gt; Charles Lallemand&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;.&lt;/span&gt; Altväterishe leute und andere Erzählungen von (…),&lt;/em&gt; Nikolas W. Gogol&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;Alexandre Pitoefi le poète de la Révolution hongroise,&lt;/em&gt; Charles Louis Chassin&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#330099;"&gt;Sans dogme,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#330099;"&gt; H. Sienkienwicz&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#330099;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;De sonho em sonho,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Alf. Castro&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;A indústria no Estado de São Paulo,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Antonio Francisco Bandeira Jr.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Apotheoses,&lt;/em&gt; Hermes Fontes&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;Lyrae Carmen,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Francisco Eugênio Brant Horta.&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Annos acadêmicos: São Paulo, 1860-1864,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt; Pessanha Póvoa&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;Les poèmes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt; Edgar Poe&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;Os brilhantes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Rodolpho Theóphilo&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;Medalhas e legendas,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Oscar Lopes&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Excelsior,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Meyer Garção&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Partindo da terra,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Anthero Figueiredo&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;.&lt;/span&gt; José de Castilho, o heroe do Mondego,&lt;/em&gt; D. Antonio Costa&lt;em&gt;. &lt;span style="color:#006600;"&gt;Aerolithes,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Dias de Oliveira&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;Manoel Beckmann (Drama histórico em verso em seis actos),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Domingos Joaquim Fonseca&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;A voz da natureza ou o poder, sabedoria e bondade de Deus, manifestados na creação, na conexão do mundo inorgânico com o mundo orgânico na adaptação da natureza externa à estrutura dos vegetais e à constituição moral e physica do homem,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; Mal. Duque de Saldanha&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#006600;"&gt;Poemas da carne,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt; Mendes Cunha&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1166767612062238414?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1166767612062238414/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1166767612062238414' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1166767612062238414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1166767612062238414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/11/prateleira-de-machado-de-assis.html' title='Prateleira de Machado de Assis*'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5530249708934064029</id><published>2008-10-22T15:28:00.002-03:00</published><updated>2008-10-22T15:34:47.308-03:00</updated><title type='text'>Observações sobre a política carioca – Parte II ou Segundo Turno</title><content type='html'>Ninguém merece mesmo! O cenário do segundo turno das eleições para prefeito da “Cidade Maravilhosa” não poderia ser mais desolador. O tal "pleito político" reduziu-se a uma briguinha bem bairrista (com perdão da má figura de sintaxe). Mas má figura má figura mesmo mesmo fazem os políticos diante dos seus eleitores. Não bastasse os candidatos promoverem entre si uma divisão ridícula “candidato da zona sul” &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; “candidato da zona norte”, agora temos “artistas da zona sul que apóiam o candidato da zona sul” &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; “artistas da zona norte que apóiam o candidato da zona norte”. Que eleitor merece isto?! E eles seguem, artistas e políticos, admirando cada um o próprio umbigo, sem se preocuparem de fato com o que pensam os eleitores. Como as eleições são obrigatórias, o resultado óbvio: empate técnico entre os candidatos nas pesquisas! É... ao que tudo indica, a decisão será por pênaltis, mas quem vai chutar a bola é o eleitor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5530249708934064029?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5530249708934064029/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5530249708934064029' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5530249708934064029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5530249708934064029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/10/observaes-sobre-poltica-carioca-parte.html' title='Observações sobre a política carioca – Parte II ou Segundo Turno'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4928784499939081588</id><published>2008-10-22T15:05:00.004-03:00</published><updated>2008-10-22T15:11:33.221-03:00</updated><title type='text'>Quase auto-retrato...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SP9rlGUT0sI/AAAAAAAAAAg/bGWqhS53am8/s1600-h/Madame+com+livro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260041174887158466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SP9rlGUT0sI/AAAAAAAAAAg/bGWqhS53am8/s320/Madame+com+livro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Arlesiana - Madame Ginoux com livros - Van Gogh, 1890&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4928784499939081588?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4928784499939081588/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4928784499939081588' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4928784499939081588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4928784499939081588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/10/quase-auto-retrato-se-no-tivesse-sido.html' title='Quase auto-retrato...'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SP9rlGUT0sI/AAAAAAAAAAg/bGWqhS53am8/s72-c/Madame+com+livro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8813103095521713277</id><published>2008-10-03T16:45:00.002-03:00</published><updated>2010-02-02T15:53:27.800-03:00</updated><title type='text'>“Eu mereço!” – comentários sobre a política carioca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vésperas das eleições municipais, as coisas não são muito animadoras na cidade do Rio de Janeiro: “homens(e mulheres)-placa” espalhados pelos quatro cantos, desrespeitando o espaço de livre circulação dos transeuntes; horário eleitoral gratuito na tevê com baixo índice de audiência; candidatos com ficha suja, respondendo a processos na justiça; eleitores sendo ameaçados e intimidados, entre outros absurdos. O JB de hoje estampou a notícia: mesmo com a candidatura a vereadora anulada por estar presa no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, Carminha Jerominho continua sendo vista e ouvida nas gigantescas placas de campanha e nos carros de som que infestam a área controlada por ela, por seu pai, Jerominho Guimarães, e por seu tio, Natalino Guimarães – também políticos e também custodeados atrás das grades, no caso, “Bangu 8” (pelo andar da carruagem, o “Bangu 9”, o 10, o 11 não demorarão muito a chegar...).&lt;br /&gt;A disputa pela prefeitura a cada dia está mais indecisa. Quem irá para o segundo turno? (haverá “segundo turno”?). O uso do horário eleitoral pelos candidatos ao cargo de prefeito é lamentável, para não dizer desastroso. Crivella, por exemplo, em vez de apresentar ele mesmo seu programa de governo, coloca alguém, pretensamente identificado com as “comunidades”, para dar seu recado. As poucas vezes em que ele falou foi para dizer que “não era frouxo”, que não tinha medo de enfrentar bandido. Bom, pelo “acidente” ocorrido este ano no Morro da Providência, que resultou na morte de três jovens, entregues a bandidos por membros do Exército brasileiro – que supostamente ali estavam para “ajudar” na execução do programa “Cimento Social” do senador Crivella –, podemos bem imaginar como será esse “enfrentamento” ao crime organizado.&lt;br /&gt;Solange Amaral, candidata do atual prefeito Cesar Maia, anda prometendo às eleitoras que, quando for “a primeira prefeita do Rio”, vai construir o “Hospital da Mulher”. Bom! Muito bom! Mas construir hospitais (e “UPAs” também, alô, Sérgio Cabral) é muito fácil. O difícil é fazê-los funcionar!&lt;br /&gt;Jandira Feghali, do bordão “Jandira já!”: a candidata comunista critica os outros candidatos que não seriam, segundo ela, “identificados com o povo trabalhador” como ela pretende ser. Mas como pode ela dizer isto e em seguida (dia 17/09/08) paralisar com passeata paga (ver matéria do JB on line, “Na passeata por uns trocados”, em &lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2008/09/18/eleicoes/na_passeata_por_uns_trocados.html"&gt;http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2008/09/18/eleicoes/na_passeata_por_uns_trocados.html&lt;/a&gt; ) o trânsito da Av. Rio Branco em pleno “horário de pique”, prejudicando os milhares de trabalhadores que por lá circulam e dependem do transporte público para chegar em casa? Fala sério!&lt;br /&gt;Para Gabeira, por sua vez, o problema do Rio é “falta de gestão e corrupção”. Fala sério mesmo! E ele falou sério mesmo, cometendo, simultaneamente, dois erros gramaticais imperdoáveis: primeiro, a cacofonia “falta de gestão”, que, ouvida, torna-se “falta digestão”. Realmente! Haja digestão para engolir essas pérolas! Segundo, a frase pode sugerir que, além da tal “digestão”, também está faltando corrupção! Mentira! Está é sobrando...&lt;br /&gt;Mas a pior das piores falas é sem dúvida a do Molon. O candidato petista, apegado que só ele ao número 13, vai à tevê não para apresentar qualquer programa de governo, mas para fazer comentários piegas sobre sua própria família, seu namoro, seu casamento e, por fim, sua entrada na política. Com uma sinceridade a toda prova, ele afirma que seu sonho sempre foi “fazer política”. Ora, tudo o que os eleitores não querem é um “fazedor de política”, pois isso, obviamente, todos os políticos são. O que nós, eleitores, precisamos é de políticos que “façam” hospitais e escolas funcionarem, que “façam” desaparecer o desemprego e as desigualdades sociais. E se der, também, que “façam” campanhas sérias, coerentes com sua prática, bem fundamentadas e com um mínimo de respeito à inteligência dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8813103095521713277?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8813103095521713277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8813103095521713277' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8813103095521713277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8813103095521713277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/10/eu-mereo-comentrios-sobre-poltica.html' title='“Eu mereço!” – comentários sobre a política carioca'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7596547767888737083</id><published>2008-09-12T17:41:00.000-03:00</published><updated>2008-09-19T17:14:10.384-03:00</updated><title type='text'>A funcionária</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia ao certo há quanto tempo ela trabalhava ali, a mesa a um canto perto da janela, cercada por quinquilharias diversas em meio a pilhas de papéis inúteis. Rigorosamente, não fazia nada, nem ninguém parecia se preocupar com isso, ou querer saber sobre suas atribuições. Chegava pelo meio da manhã, carregada de misteriosas sacolas de papelão que guardava dentro do armário, trancadas à chave. Gorda, bem gorda, atravessava os corredores e salas com a elegância de um elefante numa loja de porcelanas. Por fim, acomodava-se ruidosamente na larga cadeira de rodinhas, de espaldar alto, uma cadeira antiga que havia pertencido a um funcionário que já se aposentara e que, diziam, até já tinha morrido. De qualquer forma, era a única cadeira que poderia acomodar toda aquela imensidão corpórea. Quando não falava ao telefone, era certo estar martirizando a moça da limpeza ou a copeira.&lt;br /&gt;“Isto não é café!”, reclamava, “tá mais para lavagem”. Insultava com freqüência a faxineira, “essa porca ordinária”, que “nunca limpa nada direito”, exigindo que a outra esvaziasse a sua lixeira a toda hora. A toda hora a lixeira, colocada estrategicamente debaixo da mesa, transbordava: copos descartáveis de água e de café, copinhos de iogurte, latas de refrigerante, guardanapos de papel com restos de sanduíche, cascas de banana, sementes de maçã, caroços de uva, embalagens descartáveis diversas, papéis de bombons, de balas, de chicletes, de biscoitos. Toda uma parafernália de vestígios comestíveis, um verdadeiro sambaqui pós-moderno. Na lixeira sob a mesa, nada que lembrasse atividades de escritório, rascunhos amassados, uma cópia xerox sem serventia ou algo do gênero.&lt;br /&gt;"A Tia", era assim que a chamavam, talvez por não saberem com certeza seu nome. Diziam que ela estava ali desde que a empresa tinha sido fundada, há muito muito tempo, era quase um patrimônio. Diziam que tinha tempo de sobra para se aposentar, mas que não o fazia porque não queria ficar em casa, lidando com o marido doente e demente, entrevado e louco. A versão oposta dizia que havia pouquíssimo tempo que ela estava ali, que na verdade nunca havia trabalhado na vida, que levava uma vida de madame, e que, graças a um revés da sorte, o marido ficara doente e louco, perdera tudo, o que obrigou-a a dar duro todo dia. Justificavam o fato de ser ali, justo naquela empresa, porque o marido tinha sido muito amigo do pai do atual diretor, etc. etc. Havia ainda uma pequena variante da história, que afirmava que primeiro o marido perdera tudo, indo à falência, e só depois ficara doente e louco. Mas, ao certo certo, ninguém sabia.&lt;br /&gt;Ninguém pedia-lhe nada, nem a mandava fazer coisa alguma. Nem ela pedia nada, nem mandava em ninguém, exceto as eternas reclamações do costume, sempre votadas à copeira e à faxineira. Quando não ia, ligava pontualmente, avisando. Geralmente, estava em algum velório, ou visitando parentes muito doentes que, pouco tempo depois, infalivelmente morriam. E ela avisava. “Lembra daquele parente meu, que estava muito mal? Pois é, o velório...” (As más-línguas diziam que ela já havia “matado” – assim mesmo, entre aspas – todos os parentes, e depois passaria a “matar” os amigos dos parentes, e que em breve “mataria” os parentes dos amigos, e depois, talvez, os amigos dos parentes dos amigos ou, quem sabe, os parentes dos amigos dos parentes). Inacreditavelmente, porém, o marido nunca morria.&lt;br /&gt;Um dia, subitamente, a empresa foi vendida. O diretor nem sequer avisara. Não houve despedidas nem transmissão do cargo ao novo ocupante. Nada. Era por volta de umas quatro horas da tarde quando o diretor abriu a porta de sua sala, em mangas de camisa, e disse à secretária que precisava “dar uma saidinha”. Deixou o paletó pendurado na cadeira, atrás da imponente mesa de mogno, e não voltou mais. Os funcionários souberam da venda da empresa pelos jornais. Antes de assumir, o novo diretor mandou publicar, também nos jornais, a demissão dos chefes de todas as seções, bem como as respectivas novas nomeações. Também tivera o cuidado de dispensar sumariamente os funcionários de apoio – copeiras, faxineiras, ascensoristas, mensageiros e seguranças –, substituindo-os prontamente por outros.&lt;br /&gt;Ninguém percebeu que ela também não aparecia mais. Absolutamente sem serventia, a mesa, com seus papéis inúteis e quinquilharias decorativas, continuava intocada. Ninguém a ocupava, ninguém reivindicava o espaço ocupado por ela – um bom espaço, entre a janela e um armário enorme, sempre fechado, que ninguém sabia para quê servia ou o que guardava. E ninguém também parecia se importar. Até que houve uma ordem para a compra de móveis novos, uma política de modernização do atual diretor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em um dia previamente determinado, nenhum funcionário foi trabalhar. Os homens do serviço de manutenção abriram as salas e foram retirando as mesas velhas, enrugadas e desiludidas, antigos armários carrancudos, arquivos desmemoriados e cadeiras capengas, que eram colocados no elevador de serviço e despachados para um caminhão lá na rua. A mesa cheia de quinquilharias e papéis inúteis, a cadeira giratória de espaldar alto e um armário preto, trancado e pesado, que ficavam a um canto perto de uma das janelas da sala do sexto andar, deram mais trabalho. “Deviam ter esvaziado isso aqui, pô!”, reclamou um dos homens. Os outros, suados e sedentos, só pensavam em se livrar daquilo o mais depressa possível. Por isso, empilharam de qualquer jeito dentro das salas os móveis novos, mesas, cadeiras, armários, alguns ainda envoltos em plástico e papelão, fecharam tudo e foram embora.&lt;br /&gt;No dia seguinte à mudança, os funcionários tiveram bastante trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7596547767888737083?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7596547767888737083/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7596547767888737083' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7596547767888737083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7596547767888737083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/09/funcionria.html' title='A funcionária'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2649937287110558482</id><published>2008-08-11T16:59:00.001-03:00</published><updated>2008-08-11T16:59:54.007-03:00</updated><title type='text'>Paralipômeno substantivo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assim a palavra peixe é um substantivo comum, concreto, masculino. A palavra saudade é um substantivo comum, abstrato, feminino. A palavra pedra é um substantivo comum concreto feminino. A palavra amor é um substantivo comum abstrato masculino. A palavra Deus é um substantivo próprio abstrato masculino. A palavra Índia é um substantivo próprio concreto feminino. A palavra Japão é um substantivo próprio, concreto, masculino. A palavra Isabel é um substantivo próprio abstrato feminino. A palavra língua é uma palavra linda. A palavra palavra é uma palavra substantivo(a) feminino(a). A palavra assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2649937287110558482?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2649937287110558482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2649937287110558482' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2649937287110558482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2649937287110558482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/paralipmeno-substantivo.html' title='Paralipômeno substantivo'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-1935663189397852073</id><published>2008-08-05T15:58:00.001-03:00</published><updated>2008-11-28T15:40:00.874-03:00</updated><title type='text'>Série mini-resenhas III - O azul do filho morto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;MIRISOLA, Mirisola. &lt;em&gt;O azul do filho morto&lt;/em&gt;. São Paulo: Editora 34, 2002, 176 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escritos de Marcelo Mirisola parecem ser a confirmação de que a lei de Murphy existe mesmo: quando você pensa que tudo está dando errado, as coisas ainda vão piorar. E muito. A saga do herói “mirisoliano” – um narrador que conta tudo em primeiríssima pessoa, testemunha declarada dos mínimos detalhes, até mesmo do “cocozinho amarelo” da avó entrevada –, com sua obsessão por mamilos, não poderia ser mais crua, cruenta e cruel, para se confirmar tão-somente uma existência irremediavelmente sem sentido. Em &lt;em&gt;O azul do filho morto&lt;/em&gt;, após as inúmeras lambidas de tapumes e azulejos imundos, visitas aos quartos das empregadinhas e trepadas com putas de luxo ou não, ainda tem a compota do feto azul com olhos de girino, o incêndio da “bela casa de praia com vista para o mar” e a combustão dos fantasmas azuis e alaranjados, ao som do tango &lt;a name="OLE_LINK5"&gt;&lt;em&gt;Adios Nonino&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, que Astor Piazzolla compôs para seu pai, e que, com certeza, o filho não nascido do narrador jamais poderia compor-lhe. No entanto, esse narrador parece encontrar algum consolo no “fantasminha boboca metido a sabichão do Machado de Assis”, pois, segundo ele, “pior do que deixar filhos é deixar livros. Os filhos podem esquecê-lo e renegá-lo – a despeito de seu legado, de suas misérias. Até perdoá-lo. Os livros, não. São filhos amaldiçoados (os melhores, evidentemente) e mortos-vivos para sempre”. Como este &lt;em&gt;O azul do filho morto&lt;/em&gt;. Será?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-1935663189397852073?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/1935663189397852073/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=1935663189397852073' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1935663189397852073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/1935663189397852073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/srie-mini-resenhas-iii.html' title='Série mini-resenhas III - O azul do filho morto'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7732233590886064793</id><published>2008-08-04T17:21:00.001-03:00</published><updated>2008-10-22T15:37:19.978-03:00</updated><title type='text'>Fantasmas da informatização. Observações sobre o Orkut</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta primeira década do século XXI, início também de um novo milênio, as antigas especulações sobre a essência do ser, a busca da Verdade transcendente e do sentido da existência, as tentativas de compreender a origem das coisas – pilares básicos da filosofia ocidental – cedem cada vez mais lugar à aceitação da dúvida, das incertezas e da ausência de respostas definitivas, num processo iniciado ainda no século XX, o século que talvez passe à história – ou melhor, à História – como o “século das incertezas”, quem sabe até, o “século da desrazão”. Num mundo cada vez mais tecnológico, a ciência abdicou de vez do papel de oferecer respostas, ampliando, ao contrário, o leque das já inúmeras questões.&lt;br /&gt;Cercado por tantos simulacros, cópias, clones, imagens fantasmáticas as mais diversas, fadadas a transformar o ser humano em mero espectro de si mesmo, o indivíduo não mais se preocupa com “conceitos”. Os conceitos do Ser e da Verdade, formulados pela filosofia platônica, e até mesmo o conceito do não-Ser do sofista Górgia, pouco a pouco vão sendo soterrados na poeira do tempo. Diante da possibilidade – tangível para alguns, meramente fantasiosa para outros – dos andróides, diante da realidade dos clones e do espaço virtual surge não um novo conceito, mas um princípio: o princípio do “trans-humano”.&lt;br /&gt;Na sociedade do simulacro, tudo é fantasma. Mas, como não podia deixar de ser, a nova “sociedade do simulacro”, com suas luminosas e fantasmáticas imagens, é a mesma velha sociedade burguesa-capitalista, responsável tanto por expulsar os sombrios fantasmas medievais, exorcizando-os com sua “razão iluminada”, como por engendrar, ainda nos seus primórdios, os novos fantasmas: os fantasmas tecnológicos.&lt;br /&gt;No curso do século XVIII, a introdução da maquinofatura na Inglaterra deu vida ao primeiro fantasma tecnológico – o fantasma da mecanização –, quando as máquinas passaram a substituir, em larga escala, os teares manuais, pondo fim, assim, às guildas de artesãos e a um modo-de-produção que, decididamente, ficou para trás. Essa revolução industrial marcou a entrada definitiva do mundo “civilizado” – isto é, ocidental e europeu – na modernidade tecnológica e econômica.&lt;br /&gt;Dos relatos de Marx, contidos no primeiro livro de &lt;em&gt;O capital&lt;/em&gt;, fica-se sabendo que este “fantasma”, gerado a partir da nova tecnologia em vigor, causou muito estrago. A figura medieval do mestre-artesão, em torno da qual se agrupavam os aprendizes e jornaleiros, tornou-se obsoleta diante das exigências dos novos tempos. O modo-de-produção que começava a se instalar tampouco foi capaz de aproveitar os artesãos na indústria. A mão-de-obra industrial era arrebanhada na enorme massa de camponeses que, expropriada da terra pelos grandes proprietários para a criação de carneiros que alimentavam a nascente indústria têxtil, era colocada à disposição, em troca de ínfimos salários, do produtor industrial.&lt;br /&gt;Novas configurações na esfera da produção, nas primeiras décadas do século XX, introduziram o mundo capitalista na era do capitalismo financeiro e da produção fortemente monopolizada, voltada, paradoxalmente, para o consumo de um mercado sem fronteiras (leia-se, por exemplo, Coca-cola). Aprofundado no pós-guerra, esse processo, conhecido como globalização, gerou os fantasmas da onipresença e da onipotência, traduzidos, na ficção, pelo Big Brother, de George Orwell, e na teoria, pela invisível rede do poder, de Michel Foucault.&lt;br /&gt;Com a intensificação da informatização, a partir da segunda metade do século XX, o fantasma passou a atender pelo nome de Simulacro, e já assombrou tanto o campo da ficção como o da teoria, sendo que, neste último campo, o “papa” do simulacro é o francês Jean Baudrillard, autor de &lt;em&gt;Simulacros e simulações&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Grosso modo, as ficções que tratam do simulacro podem ser agrupadas em dois segmentos básicos. No primeiro, o mundo não passaria de uma “projeção virtual”, resultante de um programa de computador – como pode ser visto, por exemplo, na trilogia &lt;em&gt;Matrix&lt;/em&gt;, dos irmãos Wachowski –, e os seres humanos seriam as vítimas da ilusão criada em seus cérebros por máquinas, para controlá-los e escravizá-los. No segundo segmento, o simulacro diz respeito não ao mundo mas aos próprios indivíduos, tornados meros andróides programados para substituir a humanidade e, assim, inaugurar um mundo livre das mazelas “humanas, demasiado humanas”.&lt;br /&gt;Essa mesma informatização, que engendrou delírios tecnológicos como o menino-andróide David, do filme &lt;em&gt;Inteligência Artificial&lt;/em&gt;, parece estar gerando novíssimos fantasmas. Um deles é o Orkut.&lt;br /&gt;Situado num entrelugar que não é nem realidade nem ficção – o espaço virtual –, o “site de relacionamentos” Orkut, bem como outros afins, como MySpace e Friendster, permite, ao mesmo tempo, tanto a simulação do mundo quanto a dos indivíduos. Este “ponto de encontro &lt;em&gt;on-line&lt;/em&gt;” tem por objetivo primordial “conectar pessoas”. Quanto mais pessoas conectadas, melhor. Melhor para o Orkut, claro, e não para as pessoas que, ao se conectarem a ele, deixam de ser propriamente pessoas para serem meros “perfis”.&lt;br /&gt;Quando o Orkut surgiu, em 2004, os internautas conectavam-se a ele por meio de um “convite” eletrônico, recebido, também eletronicamente, de algum conhecido já devidamente “conectado”, criando-se, assim, a falsa ilusão de seletividade, de pertencer a um mundo único, uma “elite”. No entanto, essa “aura” era logo desarticulada no aviso de que “Você está conectado a X milhares de pessoas”, e ainda no convite um tanto intimidador: “aumente a sua rede de amigos agora mesmo!”. Atualmente, é possível criar perfis no Orkut sem necessidade do tal convite, bastando para isso apenas um endereço eletrônico, um email qualquer.&lt;br /&gt;No Orkut, a “esfera do público” e a “esfera do privado”, duramente teorizadas por autores de peso, como Habermas, simplesmente não existem. Ou melhor, não são “esferas”, e muito menos separadas. Tudo é público e tudo é privado ao mesmo tempo. Há os “perfis” individuais que, além de informações particulares, possuem espaços para “depoimentos de fãs”, “recados” e “álbum de fotografias”, e há as “comunidades”, as quais os “perfis” também podem se conectar, tornando-se “membros”, e participar de “fóruns” em que nada é debatido.&lt;br /&gt;Embora volta e meia surjam na mídia notícias sobre coisas escabrosas – e ilegais – ligadas ao Orkut, como tráfico de drogas, crimes premeditados, etc., para cuja prática são utilizados “perfis falsos”, a comunidade &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt;, assim como suas concorrentes pelo mundo afora, oferece um mundo ideal, feito de fotos digitais e comentários piegas, atrás do qual se esconde uma gigantesca montanha financeira. Controvérsias sobre seus supostos benefícios à parte, como fazer amigos, encontrar pessoas, parceiros profissionais, etc., o fato é que o Orkut tornou-se, para muitos pais, o fantasma do momento, que vêem, impotentes, o tempo de estudo dos filhos ser indevidamente tomado, ou “orkutado”, como já o foi um dia pela agora inofensiva televisão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7732233590886064793?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7732233590886064793/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7732233590886064793' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7732233590886064793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7732233590886064793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/fantasmas-da-informatizao-observaes.html' title='Fantasmas da informatização. Observações sobre o Orkut'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5633706714941726279</id><published>2008-08-04T11:23:00.000-03:00</published><updated>2008-08-04T11:33:26.115-03:00</updated><title type='text'>Pequeno tratado de literatura – Parte I: A Poesia</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Isabel Pires&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;1 – Insumo poético&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O lixo não seria somente “aquilo que se varre das casas e das ruas”, como informa o Aurélio. A definição de lixo pode ser muito mais abrangente, como por exemplo a que se encontra na área que trata do meio ambiente: “restos domésticos ou industriais, despejos; resíduos, entulhos, dejetos”. O lixo é, pois, um “excedente” – um resíduo do qual a sociedade não mais necessita e, por isso, pretende dele se livrar. (A noção de “lixo reciclável”, que propõe uma reutilização dos resíduos, parece ainda não ter sido inteiramente assimilada pela sociedade, de forma que permanece a concepção arcaica – isto é, aquela que considera lixo, “lixo”.)&lt;br /&gt;Donaldo Schuller, tradutor, no Brasil, do &lt;em&gt;Finnegans Wake&lt;/em&gt;, de James Joyce, tenta definir a literatura como “lixeratura” – ou seja, algo que, absolutamente, não serve para nada, mas que, não obstante, segue sendo produzida pela humanidade em suas diversas línguas e culturas, desde os mitos indígenas aos gregos, dos romances, contos e poemas mais sofisticados aos folhetins melodramáticos. Como diria Cortázar, cabe de tudo nessa “valise de Cronópio”.&lt;br /&gt;Adélia Prado parece se aproximar dessa noção de “lixeratura”, quando fala, em &lt;em&gt;Cacos para um vitral&lt;/em&gt;, que “a poesia precisa incomodar como cocô de criança na sala de visitas”. Vem a visita, finge que não repara. Mas algo sempre permanece. Algo impossível de se varrer, de se apagar, de se lavar. Algo assim como uma espécie de insumo poético, de que o poeta necessita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 – Ágio poético&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a noção de luxo, em aparência diametralmente oposta à de lixo, aproxima-se paradoxalmente deste último. O luxo, na sua qualidade intrínseca de “supérfluo”, também é um “excedente”, algo de que a sociedade absolutamente não necessita, embora não pense em jogar fora jamais.&lt;br /&gt;Parafraseando o tradutor do &lt;em&gt;Finnegans Wake&lt;/em&gt;, surge a noção de “luxeratura”, algo que, assim como a lixeratura “schulleriana” (desculpe, Donaldo), também não serve para nada. É perfeitamente prescindível, mas autor algum tem coragem de dispensar. A luxeratura é o ágio poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 – O bardo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta trabalha com esses dois excedentes – o lixo e o luxo da palavra. O seu trabalho é interminável como o dos heróis e bandidos mitológicos, porque interminável é a produção excedente de lixo e luxo poéticos. O poeta é o bardo – que, em português, lembra “pardo”, “parvo”, “bando”. O poeta não está sozinho. Assim como são precisos muitos galos para, com seu canto, tecer uma manhã, também são necessários muitos poetas – um bando pardo de poetas parvos, ou, ainda, um parvo bando de poetas pardos – para se tecer um fiozinho, um fiapo de poesia. As antologias são necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4 – A expulsão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão condenava a poesia. Ele devia ter um bom motivo para isso. (Possível que os poetas – sobretudo os sofistas – tenham descoberto algo de muito sórdido na República platônica.) As ontologias não são necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5 – Os poetas-samambaias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sofistas, que, muito antes dos surrealistas, já colocavam em dúvida a noção de “realidade” das coisas, foram os primeiros a praticarem a enumeração caótica na poesia. Pagaram caro por isso. Foram por Aristóteles reduzidos à condição de “plantas que falam”. Por isso, a voz do poeta é rouca. Ela vem dos confins da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6 – A torre&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A arte pela arte, como um fim em si mesma, não existe. A poesia, como meio de sobrevivência, é condição de todo artista. O poeta não tem queixas, gueixas ou deixas e nem está numa torre de marfim. Ele &lt;em&gt;é &lt;/em&gt;a torre de marfim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5633706714941726279?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5633706714941726279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5633706714941726279' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5633706714941726279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5633706714941726279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/pequeno-tratado-sobre-literatura.html' title='Pequeno tratado de literatura – Parte I: A Poesia'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2470404935246154374</id><published>2008-08-01T16:52:00.003-03:00</published><updated>2009-02-05T09:56:13.765-03:00</updated><title type='text'>Série "entre aspas" II - Camus</title><content type='html'>"Um mundo que pode ser explicado pelo raciocínio, por mais falho que seja este, é um mundo familiar. Mas num universo repentinamente privado de ilusões e de luz o homem se sente um estranho. Seu exílio é irremediável, porque foi privado da lembrança de uma pátria perdida tanto quanto da esperança de uma terra de promissão futura. Esse divórcio entre o homem e sua vida, entre o ator e seu cenário, em verdade constitui o sentimento do Absurdo" (Albert Camus, in: &lt;em&gt;Le Mythe de Sisyphe&lt;/em&gt;, 1942).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Citado por Martin Esslin, &lt;em&gt;O Teatro do Absurdo&lt;/em&gt;. Trad. Bárbara Heliodora. Rio de Janeiro: Zahar, 1968, p. 19.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2470404935246154374?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2470404935246154374/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2470404935246154374' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2470404935246154374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2470404935246154374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/srie-entre-aspas-ii.html' title='Série &quot;entre aspas&quot; II - Camus'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-2046569441461826235</id><published>2008-08-01T16:40:00.004-03:00</published><updated>2009-06-23T15:38:43.593-03:00</updated><title type='text'>Série "entre aspas" I - A explicação de Jauss</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E como hoje é o dia da "seção série", lá vai mais uma: a "Série Entre Aspas", que traz para este blog fragmentos de textos famosos citados em outros textos, de outros autores. E o primeiro &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; da série é uma explicação bastante razoável sobre as citações: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“As citações não constituem apenas um apelo a uma autoridade, com o propósito único de sancionar determinado passo no curso da reflexão científica. Elas podem também retomar uma questão antiga visando demonstrar que uma resposta já tornada clássica não mais se revela satisfatória, que essa própria resposta fez-se novamente história, demandando de nós uma renovação da pergunta e uma solução.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;JAUSS, Hans Robert. A&lt;em&gt; história da literatura como provocação à teoria literária&lt;/em&gt;. Trad. Sérgio Tellaroli. São Paulo: Ática, 1994, p. 9.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-2046569441461826235?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/2046569441461826235/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=2046569441461826235' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2046569441461826235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/2046569441461826235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/srie-entre-aspas.html' title='Série &quot;entre aspas&quot; I - A explicação de Jauss'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8405884485540646066</id><published>2008-08-01T16:01:00.001-03:00</published><updated>2008-11-28T15:41:04.466-03:00</updated><title type='text'>Série mini-resenhas II - O mágico de verdade</title><content type='html'>Lá vai outra mini-resenha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;BERNARDO, Gustavo. &lt;em&gt;O mágico de verdade&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. 104 p.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um brasileiro entra no avião e vê, sobre a poltrona que lhe está destinada, uma maleta. Dirige-se ao passageiro ao lado, um português, e pergunta “esta mala é sua?”. O português prontamente responde: “não, é da minha tia, que m’a emprestou para viajar”. Velha conhecida dos brasileiros, a piada também faz parte do repertório humorístico português. No entanto, enquanto por estas bandas os brasileiros riem-se da resposta do português, do lado de lá, na “terrinha”, os portugueses também riem-se a valer, mas da pergunta “óbvia e mal colocada” dos brasileiros, que nunca sabem perguntar exatamente o querem perguntar. Esta história foi contada por Gustavo Bernardo em &lt;em&gt;O mágico de verdade&lt;/em&gt; (Rocco, 2006), que, em meio às mágicas poderosas do Mágico de Verdade – apresentadas num programa televisivo, o “Programa de Domingo”, por um inacreditável apresentador que, porém, lembra bastante um outro apresentador “de verdade” –, vai desmontando a nossa percepção e mostrando que existem outras perspectivas, outras formas de “ver”, uma não sendo necessariamente “melhor” que a outra. A partir disso, conceitos como “cá” e “lá” tornam-se apenas relativos. Por meio de delicadíssimos estranhamentos – por exemplo, somos levados a visualizar a estátua do Cristo Redentor sentada no alto Corcovado, na mesma posição do “Pensador”, de Rodin –, embarcamos por instantes na mágica da ficção, ou seja, aquela que permite mergulhar na “verdade do texto” e viajar, junto com o mágico, junto com o apresentador e toda a platéia, no Senhor Tapete, que – segundo momento da viagem – nos leva a refletir sobre aquilo que se revela a cada passo da leitura: a preocupação com a capacidade do espanto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8405884485540646066?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8405884485540646066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8405884485540646066' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8405884485540646066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8405884485540646066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/srie-mini-resenhas-ii.html' title='Série mini-resenhas II - O mágico de verdade'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7810834939533371981</id><published>2008-08-01T15:35:00.002-03:00</published><updated>2010-02-02T16:05:27.440-03:00</updated><title type='text'>Série mini-resenhas I - O inimigo do rei</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje resolvi criar uma “seção especial” neste blog de 16 leitores (acabo de contar os “comentários”!), dedicada a resenhas rápidas de textos que li, anotei alguma impressão e deixei de lado sem pensar mais no assunto. São textos diversos que li há mais ou menos tempo. Bom, vamos à primeira mini-resenha, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NETO, Lira. &lt;em&gt;O inimigo do rei: uma biografia de José de Alencar&lt;/em&gt;. São Paulo: Globo, 2006, 431 p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peripécias alencarinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor biografia de José de Alencar ainda é, de longe, &lt;em&gt;Como e por que sou romancista&lt;/em&gt;, a conhecida autobiografia do escritor. No entanto, vale a pena dar uma conferida no livro do jornalista Lira Neto, ganhador do prêmio Jabuti de 2007 na categoria “melhor biografia”. Embora salpicado aqui e ali de algumas cacofonias e redundâncias, de uns poucos erros de regência e de outros defeitos menores, como os erros gráficos (chamados hoje em dia de “pastéis”, e de “gralhas”, no tempo de Alencar), o livro traz um conteúdo saboroso, fácil de digerir, com uma narrativa que prende a atenção do leitor nas reviravoltas e peripécias da conturbada vida do mestre do nosso Romantismo, para, ao fim e ao cabo, nos devolver uma imagem ao mesmo tempo heróica e quixotesca, grandiosa e “fanadinha” – humana, enfim –, raramente encontrada em outras biografias do escritor. Amigo de controvérsias, seja por índole, seja por pura teimosia, seja por defender apaixonadamente suas posições literárias e políticas, o Alencar retratado nas 431 páginas que compõem o livro de Lira Neto em nada lembra um cético. “Anti-pirrônico” por natureza, o criador de &lt;em&gt;Iracema&lt;/em&gt; jamais se calou, defendendo seu ponto de vista sem medir esforços para tentar convencer a todos de que as suas próprias convicções eram melhores e mais certas do que as opiniões contrárias. Sua inquietação quase angustiante também o afastava de qualquer “tranqüilidade”, “pirrônica” ou não, e, aumentando o rol das contradições que desde sempre lhe são imputadas, acabou abrindo caminho àquele que é considerado o mais cético escritor brasileiro: Machado de Assis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7810834939533371981?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7810834939533371981/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7810834939533371981' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7810834939533371981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7810834939533371981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/08/srie-mini-resenhas.html' title='Série mini-resenhas I - O inimigo do rei'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-5062502295358776663</id><published>2008-07-10T10:20:00.005-03:00</published><updated>2010-01-12T14:26:24.688-03:00</updated><title type='text'>A janela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriram por acaso uma infância quase em comum: haviam frequentado a mesma praia, agora tão distante no tempo e no espaço. Esse fato as tornava um pouco mais próximas, mais íntimas. Ficaram contentes com a novidade. "Amigas de infância", afinal...&lt;br /&gt;Seis, sete anos de idade?&lt;br /&gt;Se tanto.&lt;br /&gt;Vai ver, a gente brincava junta, e nem sabia...&lt;br /&gt;Pois é...&lt;br /&gt;No retângulo azul-escuro do tapete, os dois rolavam ferozes, esganando-se mutuamente, em ódio visceral.&lt;br /&gt;Corre, que eles vão se matar.&lt;br /&gt;A troco de quê estão brigando assim, gente?&lt;br /&gt;Parem com isso, já.&lt;br /&gt;Pronto. O quê? Ah, sim. Deixa ele um pouquinho também, tá?&lt;br /&gt;Tudo bem?&lt;br /&gt;Tudo...&lt;br /&gt;Os meninos sossegaram em frente ao &lt;em&gt;videogame&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Um controle só é complicado.&lt;br /&gt;Dá briga.&lt;br /&gt;Se dá.&lt;br /&gt;As ondas verdes e quentes balançando no mar. Na praia, sal, areia, céu azul, vento.&lt;br /&gt;Tubarão...&lt;br /&gt;Que cê disse?&lt;br /&gt;Eu? Nada não. E o café?&lt;br /&gt;A cozinha parecia pouco amigável, mergulhada numa meia-penumbra excessivamente fresca, que o clarão instantâneo da lâmpada só conseguiu aquecer aos poucos. Dentro da chaleira, as bolhas espocavam como fogos. Ou pipocas. Dava para ouvi-las perfeitamente.&lt;br /&gt;Os meninos?&lt;br /&gt;Correram para a sala. As almofadas brancas, salpicadas sobre o azul escuro do tapete, pareciam pequenos blocos de gelo sobre um pedaço quadrado de mar imóvel. O sofá, geleira branca à beira desse mar, vazio. Na tela da tevê muda, um carro capotado, fumaça, sangue, fogo.&lt;br /&gt;Cadê eles, santo Cristo!&lt;br /&gt;A porta escancarada denunciava a travessura. As duas à janela, ansiosas. Os vidros das janelas das casas miniaturizadas, amontoadas em frente, soltavam faíscas vivas, como lavas incandescentes. Barraco mesmo, de parede de madeira e teto de zinco furado, daqueles que, à noite, coavam estrelas no chão, quase não se via mais. Aqui e acolá, um prédio rapidamente erguido em uma semana, às vezes, menos. Dois, até três andares. Tudo calmo. Vez em quando, um galho se agitava. Uma bola? Um olheiro? Finalmente, os meninos despontaram no &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;, logo abaixo.&lt;br /&gt;Subir agora.&lt;br /&gt;Mas mãe...&lt;br /&gt;Já.&lt;br /&gt;Pô, mãe, deixa.&lt;br /&gt;Só um pouco, vai.&lt;br /&gt;Só um pouco então.&lt;br /&gt;Tá.&lt;br /&gt;O café!&lt;br /&gt;Na cozinha, um vapor forte se despendia da chaleira, o açúcar quase virando melado no fundo.&lt;br /&gt;Então, e a praia? A gente ia lá sempre... nas férias...&lt;br /&gt;Pois é, nós também. Antes de morrer, meu pai quis porque quis ir para lá. Ninguém tirava da cabeça dele essa idéia. Vendeu a casa, comprou um apartamento. Minha mãe dizia apertamento. Mas fez a vontade. Ficou quase um ano lá. Até morrer. Mas para ela sozinha, dá, né?&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;O apertamento...&lt;br /&gt;Ah, é.&lt;br /&gt;O pão era de mais de meia hora atrás.&lt;br /&gt;Quer que esquente?&lt;br /&gt;Não precisa...&lt;br /&gt;Na sala, o caos recomeçou. O carro correndo feito louco fugindo dos bandidos. Ou seria da polícia? No caminho, a destruição. Muros derrubados, pedestres atirados para fora como bonecos sem vida, postes arrancados. Um motoqueiro voou com moto e tudo, bateu na amurada da ponte antes de cair no mar metálico da tecnologia.&lt;br /&gt;Atira, atira!&lt;br /&gt;Não dá.&lt;br /&gt;Foge então.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Game over&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Agora sou eu!&lt;br /&gt;Calma gente. De novo?&lt;br /&gt;Não tem um jogo menos violento?&lt;br /&gt;Quem foi que deu esse jogo a vocês?&lt;br /&gt;O menino concentrado, apertando os botões de comandos, xis quadrado círculo. Direita esquerda subir descer.&lt;br /&gt;Entra no avião.&lt;br /&gt;Não dá, cara. Calma aí.&lt;br /&gt;A faca cortava implacável o queijo-minas, enquanto as lembranças iam emergindo aos poucos, em pedaços teimosos.&lt;br /&gt;Meu pai sempre buscava a gente na escola, eu e minha irmã. Segurava forte nossas mãos, que era para a gente não correr, imagina. Eu ia amassando com a conguinha azul as folhas secas que encontrava pelo caminho. Minha irmã, pendurada do outro lado do meu pai, tagarelava coisas que ninguém entendia. Quando ela ficava quieta, meu pai assoviava uma música comprida comprida, até a gente chegar em casa.&lt;br /&gt;O rá-rá-tá-tá eletrônico da metralhadora virtual recomeçou na sala.&lt;br /&gt;Joguinho chato esse, hein?&lt;br /&gt;É... mas pelo menos a gente sabe que eles estão lá.&lt;br /&gt;E você?&lt;br /&gt;Eu? Ah! Quando saía da aula, eu ia correndo pra casa. A molecada toda se mandava, rua abaixo, rua acima. A aula acabava às cinco em ponto. E ninguém queria perder um seriado antigo, que passava nesse horário. Todo mundo correndo feito doido, pra não perder o começo.&lt;br /&gt;E nossas mães reclamavam, hein?&lt;br /&gt;Riram, enquanto o tiroteio prosseguia implacável na sala, pum-pum.&lt;br /&gt;Uma das mães alteou um pouco a voz, o rosto virado em direção à sala.&lt;br /&gt;Fizeram o dever?&lt;br /&gt;Hã-hã.&lt;br /&gt;Riram de novo.&lt;br /&gt;É?... não quero dever saindo da mochila às dez horas da noite, hein?&lt;br /&gt;Tá!&lt;br /&gt;O meu, deixa sempre para as dez da manhã do dia seguinte. Um caos!&lt;br /&gt;Na sala, o caos se intensificava mais, insuportável. Os tiros quase se confundiam com tiros de verdade, rá-tá-tá, pum-pum, pac-pac, até que de repente cessaram.&lt;br /&gt;A cozinha agora era agradável, iluminada e quente. O café escorreu para dentro das xícaras, grosso, preto, forte. Aconchegante. O cheiro espalhou-se pela casa.&lt;br /&gt;Bom...&lt;br /&gt;Estão quietos...&lt;br /&gt;Mais uma mordida no pão farto de queijo, um gole de café preto, bem preto.&lt;br /&gt;Quer leite?&lt;br /&gt;De jeito nenhum!&lt;br /&gt;Mais café, então.&lt;br /&gt;Vou pegar manteiga.&lt;br /&gt;Tá.&lt;br /&gt;A geladeira, imponente, tomava conta da cozinha, toda branca. Abriu-a, à procura da manteiga. Abaixada, distraída, consultou os pequenos.&lt;br /&gt;Querem iogurte?&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;Ela fechou a porta da geladeira devagar.&lt;br /&gt;Ei vocês, querem iogurte?, repetiu mais alto.&lt;br /&gt;Elas se entreolharam, meio assustadas.&lt;br /&gt;A janela! A janela! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu Deus!&lt;br /&gt;A maldita janela! Desde que foram morar ali, receava a janela, bem de frente para o morro, onde não tinha hora para haver troca de tiro entre traficantes e polícia. Inútil pedir ao marido para  mudar a disposição dos móveis na sala, deixando a tevê bem de frente para a janela, em vez do sofá.&lt;br /&gt;Sem coragem, aproximaram-se pé ante pé da sala, o coração saltando na boca, perturbadas, sem cor.&lt;br /&gt;Uma rajada de vento meio frio sacudia de leve a cortina de tecido transparente que emoldurava a janela. A tarde desmaiava, um alaranjado sem fôlego tomando conta de tudo. Os meninos, muito quietos no sofá, liam, cada um, seu gibi, esquecidos do &lt;em&gt;videogame&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ah!&lt;br /&gt;Abriram um sorriso largo, entreolhando-se mutuamente, mal disfarçando a comoção.&lt;br /&gt;Voltaram para a cozinha.&lt;br /&gt;Pois é, na minha época, gibi, nem pensar.&lt;br /&gt;Minha mãe também proibia, mas meu pai às vezes comprava, e a gente lia escondido.&lt;br /&gt;E voltaram ao café, eternamente recomeçado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-5062502295358776663?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/5062502295358776663/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=5062502295358776663' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5062502295358776663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/5062502295358776663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/07/janela.html' title='A janela'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-81323277739311538</id><published>2008-07-09T14:30:00.005-03:00</published><updated>2008-12-05T16:07:06.179-03:00</updated><title type='text'>Outra prateleira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc66cc;"&gt;O rival Rosemary Carter.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ff0000;"&gt;Sociologia da alimentação Jean Pierre Poulain.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;Poemas suíços Flávio Carneiro de Mello.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#006600;"&gt;O cavalo perdido e outras histórias Felisberto Hernández.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Em torno de Jacques Derrida Evandro Nascimento Paula Glenadel (Org.).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Tu, só tu, puro amor... Machado de Assis.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:times new roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Teoria do drama burguês Peter Szondi&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Veneno pirrônico Renato Lessa.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Revista Semina vol. 25.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#66ff99;"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Revista Alea vol. 4/2.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Revista Alea 7/2.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;Revista Línguas e Letras vol. 6 nº 1.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;A História do Pensamento Econômico Robert Heilbroner.&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;&lt;strong&gt;Literatura e ceticismo Gustavo Bernardo. &lt;span style="font-family:times new roman;color:#006600;"&gt;Ciranda de Pedra Lygia Fagundes Teles.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Memórias de um sargento de milícias Manuel Antônio de Almeida.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Esaú e Jacó Machado de Assis. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;O ceticismo filosófico André Verdan.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;Técnica de Redação Magda Becker Soares Edson Nascimento Campos.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Jacques Derrida por Geoffrey Bennington &amp;amp; Jacques Derrida.&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A PERSONAGEM DE FICÇÃO antonio candido anatol rosenfeld décio de almeida prado paulo emílio salles gomes.&lt;/span&gt; Minha vida de menina Helena Morley. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Sinfonia em Branco Adriana Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33ccff;"&gt;Brazil, Mercosur and the free trade areas of the Americas vol 1. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Brazil, Mercosur and the free trade areas of the Americas vol 2.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Poemas Fernando Pessoa.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#009900;"&gt;Analisis Economico de la Contaminación de Aguas en America Latina Jorge A. Queiroz (Editor).&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Esbozos Pirrónicos Sexto Empírico.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Pesquisa e planejamento econômico v. 30 n. 1. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Memória de minhas putas tristes Gabriel Garcia Márquez.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;O inimigo do rei: uma biografia de José de Alencar Lira Neto. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;O MÁGICO DE VERDADE Gustavo Bernardo.&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-family:lucida grande;color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;A hora da estrela Clarice Lispector.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Rei Édipo Antígone Sófocles. Prometeu acorrentado Ésquilo.&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Lucíola José de Alencar.&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Triste fim de Policarpo Quaresma Lima Barreto.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:times new roman;font-size:100%;color:#ffcc00;"&gt;Novas seletas de José de Alencar por Gustavo Bernardo.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;color:#cc33cc;"&gt;Quem é Capitu Alberto Schprejer.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A filha do escritor Gustavo Bernardo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-81323277739311538?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/81323277739311538/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=81323277739311538' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/81323277739311538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/81323277739311538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/07/outra-prateleira.html' title='Outra prateleira'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6501618118988560148</id><published>2008-07-04T18:08:00.000-03:00</published><updated>2008-07-07T11:31:48.722-03:00</updated><title type='text'>Estação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes de se aderir tão completamente à paisagem, o homem havia sido de carne e ossos. Dentes, músculos, cigarros e poemas. Tivera mulheres tivera dinheiro tivera cabelos. Só não tivera filhos. Filhos não os tivera. Nem unzinho só. Nem sequer um projeto, uma sombra, um talvez. Antes, o homem certamente vivera – para infortúnio seu. Mas isto foi há muito tempo (coisa que ele já esqueceu como era). Porém, antes de se dar tudo aquilo com ele, ou, ao invés, de nada se suceder depois, tinha morado num sobrado antigo, onde viveu, sozinho, com algumas experimentações. Foi ao banco, pediu um empréstimo. Contratou pedreiros. Começou trocando o piso. Abriu mais janelas, levantou umas paredes, derrubou outras. Reforçou as maçanetas. Trocou algumas telhas. E só então, no exato instante em que partia, o jornal dobrado debaixo do braço, só então o homem se deu conta de que não iria mais precisar de nenhuma casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6501618118988560148?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6501618118988560148/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6501618118988560148' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6501618118988560148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6501618118988560148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/07/mudana.html' title='Estação'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-7353850542107819182</id><published>2008-04-02T10:43:00.000-03:00</published><updated>2008-04-02T10:44:50.139-03:00</updated><title type='text'>Poema de um jovem poeta morto</title><content type='html'>DECÁLOGO DO BOM VIVER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serei um homem de fé e de princípios;&lt;br /&gt;Serei nobre em meus sentimentos e atos;&lt;br /&gt;Serei amigo e companheiro para todos;&lt;br /&gt;Serei leal e honrado em tudo, com todos;&lt;br /&gt;Serei um homem de sacrifícios e de bem;&lt;br /&gt;Sustentarei a juventude em meu espírito;&lt;br /&gt;Conservarei com saúde meu corpo e mente;&lt;br /&gt;Não terei ódios nem egoísmos;&lt;br /&gt;Saberei perdoar e esquecer.&lt;br /&gt;Se os homens são meus irmãos,&lt;br /&gt;as crianças são meus filhos&lt;br /&gt;e os velhos são meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiano José Passos Pires&lt;br /&gt;(26-08-1962 - 13-07-1985)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-7353850542107819182?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/7353850542107819182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=7353850542107819182' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7353850542107819182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/7353850542107819182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/04/poema-de-um-jovem-poeta-morto.html' title='Poema de um jovem poeta morto'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-8286685803311563799</id><published>2008-02-12T15:44:00.012-03:00</published><updated>2011-01-28T15:54:08.522-03:00</updated><title type='text'>O livro através dos tempos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SczfDZSFt6I/AAAAAAAAAB0/n3lg9jZQu38/s1600-h/vangogh2(PAG15).jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317870509437073314" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SczfDZSFt6I/AAAAAAAAAB0/n3lg9jZQu38/s320/vangogh2(PAG15).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;"&gt;(&lt;em&gt;A Bíblia&lt;/em&gt;, de Van Gogh)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando os sumérios inventaram, na região da antiga Mesopotâmia, um sistema de escrita, em toscas placas de argila e sinais cuneiformes, há cerca de seis mil anos atrás, talvez não imaginassem que a sua invenção fosse algo tão revolucionário, a ponto de inaugurar a própria História da humanidade. Posteriormente, os fenícios criaram 22 signos visuais, que, combinados, permitiam escrever as palavras. Mas foi somente com os gregos, na época helenística, que o alfabeto tornou-se aperfeiçoado, com 24 caracteres divididos em vogais e consoantes. A partir do alfabeto grego, surgiu o alfabeto latino, muito difundido durante a Antiguidade Clássica pela expansão do Império Romano. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na Antiguidade, os livros, em formato de rolos, eram escritos em pergaminho, material caro e escasso, o que fazia do livro um produto muito oneroso. O meio de reprodução dos livros era cansativo em excesso, pois implicava copiá-los manualmente, um a um, o que podia gerar algumas distorções e falhas, como trocas de letras que alteravam o sentido da frase ou mesmo omissões de trechos inteiros. Por ser considerada uma atividade sem nobreza alguma, a transcrição dos textos para o pergaminho era feita por “escribas” especialmente contratados para essa função, e que atendiam não apenas a filósofos e dramaturgos, como Aristóteles e Eurípedes, por exemplo, mas também aos grandes oradores das tribunas romanas, para quem os escribas muitas vezes transcreviam os discursos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Havia também os famosos “palimpsestos”, os pergaminhos reaproveitados para uma nova escrita sobre a anterior, que por sua vez, e na medida do possível, era apagada. Dependendo do estado do pergaminho, as camadas de textos anteriores ficavam perfeitamente visíveis, podendo ser lidas mesmo sob a nova escrita. Geralmente, os palimpsestos eram utilizados em textos “descartáveis”, como bilhetes e cartas pessoais, ou que não houvesse interesse na sua conservação. Por economia, apenas os textos que seriam preservados, como obras literárias e filosóficas e documentos públicos, eram copiados em pergaminhos novos e guardados em bibliotecas, como a biblioteca de Alexandria, responsável pela preservação de grande parte da cultura greco-romana. Mas não foi nessa época que o livro alcançou seu apogeu. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por volta dos séculos VIII a X, na Alta Idade Média, os livros já haviam adquirido uma forma plana, encadernada, não sendo mais lidos em rolos, como os livros antigos. Porém, ainda eram confeccionados em pergaminhos e continuavam a depender de reprodução manual, agora feita não pelos antigos escribas, mas por copistas – os &lt;a name="OLE_LINK1"&gt;&lt;em&gt;scriptoria&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; –, longamente preparados, no interior silencioso dos mosteiros, para essa função. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na época medieval, a leitura e a escrita eram controladas pela Igreja. A maioria da população européia se constituía de analfabetos, incluindo membros da própria nobreza. A leitura não era um hábito e tampouco era considerada uma atividade essencial, como a guerra santa, as cruzadas, e até mesmo as caçadas, atividades desenvolvidas largamente pelos nobres. Havia homens cultos, interessados no saber, bem como havia as grandes bibliotecas dos príncipes. No entanto, era mesmo aos monges enclausurados que se reservavam as “atividades do espírito”. Foram eles, os monges, os responsáveis pelo desenvolvimento e valorização do livro. Confeccionados muitas vezes em velino, um delicado pergaminho feito de pele de vitela, com capa em couro – que substituiu as antigas e pesadas capas de marfim, cobre e até mesmo de prata – e escritos cuidadosamente a bico de pena, o livro medieval tornou-se pouco a pouco uma verdadeira obra de arte, uma jóia rara, quase uma relíquia sagrada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao analisar a reprodução técnica da arte, Walter Benjamin comparou as primeiras fotografias produzidas no século XIX com as imagens religiosas encerradas nas igrejas medievais. Para o filósofo, aquelas fotos, em forma ovalada, possuíam uma “aura” única, análoga somente à aura de religiosidade e misticismo que cercava as imagens dos anjos e santos católicos em seus nichos indevassáveis, protegidos de olhares curiosos. No caso do livro medieval, porém, não era mera aura (com o perdão da má figura da sintaxe) que o cercava. Ele próprio tornara-se alvo de culto e veneração. Tratava-se de um objeto único, produzido por iniciados para o deleite apenas de iniciados. O livro beirava a perfeição. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com o passar do tempo, porém, a Igreja enfrentava seus próprios desafios, e o maior deles era a entrada praticamente massiva em suas fileiras de gente do povo. Formada antes quase que exclusivamente por membros da nobreza que renunciavam à vida de desregramentos e ostentação, a Igreja medieval havia se tornado demasiadamente elitista. No entanto, com o declínio do feudalismo a partir do século XI – quando se inicia a Baixa Idade Média –, essa elite religiosa foi progressivamente se abrindo a novas experiências. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A larga entrada no clero de pessoas de origem plebéia se deveu a vários fatores, mas era principalmente uma tentativa de fugir ao alistamento militar obrigatório, que fornecia soldados em tempos de guerra. Como se sabe, a Europa nunca primou por ser um território pacífico e, desde sua ocupação, enfrentou guerras localizadas ou espalhadas pelo continente, mas que de todo modo dizimavam as populações. Além das guerras locais por território, houve também as Cruzadas, ou "Guerras Santas", contra os muçulmanos para tomada da Terra Santa e de Jerusalém. Essa série de guerras foi incentivada pelo Papa Urbano II, que prometia a salvação aos que morressem em combate. Iniciadas em 1096 com a Primeira Cruzada, que durou até 1099, as Cruzadas tiveram fim em 1272, com a Nona Cruzada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os “novos religiosos” que ingressavam na Igreja freqüentemente abandonavam-na quando o período mais turbulento das guerras tinha fim. No entanto, a sua passagem pelas fileiras clericais lhes rendia um ganho cultural inestimável, uma vez que lá eles se instruíam, aprendendo, entre outras matérias, latim e música sacra. Foi assim que surgiram os chamados Goliardos, os &lt;em&gt;clerigo ragante&lt;/em&gt;. Esses grupos, formados basicamente de artistas de diversas origens sociais, egressos da Igreja, valiam-se dos seus conhecimentos eruditos, adquiridos no mosteiro, para dedicar-se à canção de caráter crítico e debochado, apresentada em espetáculos itinerantes. Especialistas em parodiar os dogmas católicos, deturpando-lhes o sentido, os goliardos surgiram primeiramente em Colônia, na Alemanha, expandindo-se depois por toda a Europa. A expressão &lt;em&gt;Universais ante Rem&lt;/em&gt;, base do teocentrismo medieval, é transformada por eles em &lt;em&gt;Universais in re&lt;/em&gt; (“as coisas só existem quando acontecem”). Essas deturpações demonstram a visão materialista que os goliardos possuíam do mundo, verificada também na máxima &lt;em&gt;Carpe diem&lt;/em&gt; (“viva o momento”). Por outro lado, sua poesia lírica possuía um viés marcadamente platônico. Um volume do século XII, com mais de 200 canções goliardas, entre líricas e satíricas, foi encontrado em uma abadia na Baviera, em 1803. Posteriormente, em 1847, esses textos foram publicados na coletânea intitulada &lt;em&gt;Carmina burana&lt;/em&gt;. A partir dessa herança goliarda, o compositor alemão Carl Off compôs, em 1937, uma cantata, também intitulada &lt;em&gt;Carmina burana&lt;/em&gt;, ajudando deste modo a divulgar a cultura goliarda na época atual. Os Goliardos esmolavam muitas vezes, mas freqüentemente também eram sustentados pela burguesia em ascensão, e acabaram influenciando outros grupos, como os Hablet. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Atenta aos novos tempos, a Igreja antecipou-se, fundando universidades e colégios laicos, nos quais ser religioso não era requisito obrigatório para se ter acesso ao conhecimento – embora este ainda fosse ministrado por quem o detinha, ou seja, o corpo clerical. O interesse da aristocracia pela cultura também se ampliou, graças, em parte, ao gosto pelas canções dos trovadores, que haviam conseguido penetrar nas cortes palacianas para divertir os nobres – o que permitiu gerar o conceito de “amor cortês”, cunhado por Gastón Paris no século XIX. Originados na cultura popular oral, os cancioneiros passam, a partir do século XII, a ser coletados e registrados por escrito, sobretudo em galego-português, a “língua literária” da Península Ibérica. Alguns reis – como Afonso X, o Sábio, rei da Galícia, ele próprio compositor de canções religiosas e de amigo – incentivavam a cultura trovadoresca, financiando as despesas para que as canções fossem copiadas em livros e, claro, guardadas em bibliotecas. Da época do Trovadorismo, dominada pelos aedos, bardos, jograis e menestréis, restaram algumas importantes coleções de cancioneiros – o Cancioneiro da Ajuda, do século XIII, que contém somente cantigas de amor, de origem provençal, e os Cancioneiros que se encontram sob a guarda da Biblioteca Nacional e da Vaticana, todos em Portugal. Na prosa, o grande destaque eram as novelas de cavalaria. Os textos que compõem a &lt;em&gt;Demanda do Santo Graal&lt;/em&gt;, a mais importante do gênero, foram reunidos pela primeira vez, por escrito, por Chrétien de Troyes, na França, entre 1162 e 1182. Nessa novela, as lendas do Rei Artur, herdeiras da cultura céltica-bretã, se misturam à história do Santo Graal, pertencente ao cristianismo, verificando-se assim uma associação entre magia e religião que caracteriza as “maravilhas” – mágicas, feitiços, interferência divina, etc. – presentes na narrativa. Em menor escala, as hagiografias, escritas em latim e patrocinadas pela Igreja, também são representativas da prosa do final da Idade Média. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com a difusão cada vez mais acelerada do conhecimento, os &lt;em&gt;scriptoria&lt;/em&gt; dos mosteiros já não conseguiam suprir a demanda por livros. Assim, a função de copista também se laiciza e os livros passam a ser copiados por profissionais, recrutados entre artesãos. O material utilizado deixa de ser o delicado velino dos monges e passa, a partir do século XII, a ser um papel fabricado de trapos, grosso e escuro, chamado de “pergaminho de trapo”, inventado pelos chineses ainda no século II e introduzido na Europa com a invasão da Península Ibérica pelos judeus e muçulmanos. Iniciava-se o declínio do livro como artefato cultural mítico, um objeto quase “sagrado”, venerado e cultuado pelos monges medievais. Embora alguns exemplares ainda ostentassem uma encadernação luxuosa, feita por ateliês especializados para atender a encomendas de mecenas e ricos bibliófilos, as páginas dos livros eram compostas pelo papel de trapo, material bastante rústico em comparação com o pergaminho e sobretudo com o velino. Com o grande emprego do papel de trapos, os custos dos livros barateiam relativamente, permitindo alguma expansão na sua produção. As bibliotecas de universidades se instalam a partir do século XV, mas, antes disso, ainda no século XIV, já se verificava um considerável aumento no número e tamanho de bibliotecas particulares, pertencentes a burgueses abastados, para quem os livros, ainda em pergaminhos, funcionavam como forma de entesouramento, devido ao seu alto valor de mercado. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A partir de 1450, na Alemanha, com o advento da imprensa, que facilitou ao extremo a reprodução do livro, a demanda por papel se acelera vertiginosamente, elevando novamente os custos, devido à escassez da matéria-prima utilizada – os trapos de roupas velhas, insuficientes para dar conta da nova procura. Nessa época de “incunábulos” – como são conhecidos os primeiros livros impressos –, o livro mais reproduzido era a &lt;em&gt;Bíblia Sagrada&lt;/em&gt;, sendo a mais famosa a Bíblia de Guttenberg, chamada de B-42 por apresentar, em cada uma das 1.282 páginas, duas colunas com 42 linhas. A imprensa, a “reprodução técnica da escrita” que provocou “gigantescas transformações”, nas palavras de Walter Benjamin, porém, não acabou de vez com os copistas, que continuaram sua atividade até meados do século XVI. No entanto, teve o mérito de alargar o público leitor, gerando “bibliotecas mínimas” (conforme expressão de Pierre Aquilon), constituídas não mais pelos homens cultos da Idade Média, como médicos, advogados, procuradores, juízes ou oficiais do rei, que, por força do ofício, necessitavam consultar os livros, mas por gente simples do povo, como oficiais subalternos, vigários de localidades humildes, etc. Progressivamente, foram surgindo bibliotecas em que a literatura e a língua vernáculas ganhavam um espaço cada vez maior nas estantes, embora a maioria das obras continuasse sendo publicada em latim, a “língua da cultura”. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As intensas atividades comerciais e marítimas das cidades de Gênova e Veneza, entre os séculos XIV e XV, ajudaram a disseminar o interesse dos primeiros humanistas italianos pela cultura clássica, antes restrita ao interior dos mosteiros medievais. O resgate da cultura greco-romana, que caracterizou o início da Renascença, transformou radicalmente os valores do homem comum europeu. O teocentrismo medieval foi sendo deixado de lado, substituído pelo antropocentrismo que tomou conta da filosofia e das artes, da religião e da ciência. Surge o protestantismo, pregando a volta ao cristianismo primitivo, baseado no Novo Testamento e na figura do Cristo humanizado, em substituição aos abusos cometidos pela Igreja em nome do Deus vingativo do Antigo Testamento. As novelas de cavalaria deste período abandonam o teocentrismo por completo. Assim, os seus heróis não são mais “guerreiros de Deus” em busca do cálice sagrado, como na &lt;em&gt;Demanda do Santo Graal&lt;/em&gt;, mas passam a ser devotados ao amor casto de uma dama, por quem lutam. A novela mais representativa do período é o &lt;em&gt;Amadis de Gaula&lt;/em&gt;, cuja versão mais antiga já conhecida foi impressa por Rodriguez de Montalvo em 1508, em castelhano, a partir de uma versão em português do século XIII, de Vasco de Lobeira, não coletada por escrito. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com suas feiticeiras, magos, monstros, princesas, donzelas e cavaleiros, o &lt;em&gt;Amadis de Gaula&lt;/em&gt; sem dúvida dá continuidade à valorização da cultura céltica, presente também na &lt;em&gt;Demanda do Santo Graal&lt;/em&gt;. Nesta última, porém, as “maravilhas” recebem forte influência do cristianismo, tornando-se assim um produto tanto do paganismo céltico quanto dos valores cristãos medievais. A figura do mago Merlin, espécie de semideus, representa, na &lt;em&gt;Demanda&lt;/em&gt;, uma perfeita síntese destes dois mundos, detendo o poder sobre ambos e possuindo o conhecimento do passado, do presente e do futuro. O &lt;em&gt;Amadis de Gaula&lt;/em&gt;, por seu turno, misturando crenças célticas e lendas de origem greco-romana, irá execer grande influência em toda a Europa, dando origem ao surgimento de “continuações” da história ou a novas novelas, como &lt;em&gt;Palmerim de Inglaterra&lt;/em&gt;, em Portugal. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Durante o Renascimento, na esteira do Humanismo reinante, a onda de &lt;em&gt;celticismo&lt;/em&gt;, isto é, o conjunto de crenças pagãs que havia dominado as novelas de cavalaria, será substituída por uma onda de &lt;em&gt;ceticismo&lt;/em&gt; que teve lugar, na Europa, graças ao resgate da obra de Sexto Empírico, médico grego adepto da corrente empirista e da doutrina cética, fundada por Pirro no século III a. C. &lt;a name="OLE_LINK5"&gt;Composta em dez livros confeccionados em rolos de pergaminho – cada “livro” corresponderia a um rolo, oscilando entre 1.800 e 3.600 linhas, o que equivaleria a cerca de 50 a 100 páginas de um livro atual –, &lt;/a&gt;a obra de Sexto Empírico foi escrita em grego por volta de 200 a 220 d. C. Os três primeiros livros (com 2 mil, 2.100 e 2.500 linhas, respectivamente) constituem as &lt;em&gt;Hipotiposis pirronicas&lt;/em&gt;, enquanto os outros sete são designados pelo título de &lt;em&gt;Adversus mathematicus&lt;/em&gt;. Em 1562, o &lt;a name="OLE_LINK2"&gt;editor francês &lt;/a&gt;Henri Estienne publica uma tradução das &lt;em&gt;Hipotiposis&lt;/em&gt; para o latim, e em 1569, Gentien Hervert, outro editor francês, publica o &lt;em&gt;Adversus mathematicus&lt;/em&gt;, também em latim. Finalmente, em 1580 são publicados &lt;em&gt;Os ensaios&lt;/em&gt;, de Montaigne. Dessa coletânea, um dos ensaios, “A apologia de Raymond Sebond” , tornou-se célebre, por trazer à discussão a obra de Sexto Empírico. Deste modo, Montaigne, retomando o ceticismo de Sexto Empírico no contexto do Renascimento, o faz amplamente conhecido e debatido nos meios intelectuais europeus. Mais tarde, na literatura, o ceticismo marcaria presença no &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt;, de Cervantes. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Publicada em castalhano em 1605 e considerada a precursora do romance moderno, a obra de Cervantes, satirizando e parodiando os valores e ideais do imaginário medieval, que tinha na figura do “monge-guerreiro” o seu maior símbolo, elimina por completo o elemento mágico presente nas novelas de cavalaria medievais, conferindo ao seu herói, o “cavaleiro da triste figura”, uma condição essencialmente humana. Abandonado pelas forças ocultas da magia e pelo transcendentalismo da religião, o cavaleiro de Cervantes se defronta com um mundo subitamente desprovido de fronteiras – o mundo da Europa renascentista –, com o qual está sempre a pelejar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ênfase na condição humana bem como no papel desempenhado pelas circunstâncias, elementos ressaltados pelo ceticismo e fartamente presentes no &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt;, serão ingredientes retomados e trabalhados pelos escritores de língua inglesa, considerados os “pais do romance moderno”, como Daniel Defoe, autor de &lt;em&gt;Robinson Crusoe&lt;/em&gt; (1719), Henry Fielding, com o seu &lt;em&gt;A história de Tom Jones&lt;/em&gt; (1749), Lawrence Sterne, que escreveu durante dez anos &lt;em&gt;A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy&lt;/em&gt; (1759-1769), Walter Scott, considerado o fundador do romance histórico, com &lt;em&gt;Ivanhoé&lt;/em&gt; (1819) ao lado de inúmeros outros títulos, e finalmente Charles Dickens, dono de numerosa obra, dentro da qual se encontra &lt;em&gt;Oliver Twist&lt;/em&gt; (1837-1839). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto ao papel empregado na produção dos livros, até 1750 era predominante o uso do “pergaminho de trapos”, inventado pelos chineses desde o século II e que havia sido introduzido na Europa apenas no século XII. Somente a partir da segunda metade do século XVIII, o papel sofre um considerável aperfeiçoamento, apresentando uma textura acetinada e livre de sulcos, graças a qual foi batizado de “papel velino”. Adotado imediatamente por alguns impressores franceses, seguidos dos italianos, esse tipo de papel, porém, era bem menos resistente que o papel de trapos anterior. No final do século XVIII, inaugura-se a era da fabricação de papel em grande escala, com a utilização de máquinas de produção continuada. No entanto, o avanço tecnológico não barateou os custos dos livros. A matéria-prima continuava sendo os velhos trapos, cada vez mais insuficientes para dar conta da demanda, ampliada desmesuradamente pelos jornais, cuja tiragem passou a ser diária. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Julho de 1836 marca a data em que Émile de Girardin, editor do jornal francês &lt;em&gt;La Presse&lt;/em&gt;, começa a publicar em capítulos semanais, no rodapé do jornal (em que se publicavam “variedades”, como críticas literárias, resenhas teatrais, anúncios diversos e receitas culinárias), o romance &lt;em&gt;La Vieille Fille&lt;/em&gt;, de Balzac, dando origem assim aos folhetins que dominaram o século XIX. A inovação tecnológica da rotativa, acelerando a tiragem do jornal, que passou de 1.100 páginas impressas por hora para 18 mil páginas, aumentou a competição entre os principais jornais parisienses, como &lt;em&gt;La Presse&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Le Siècle&lt;/em&gt;. Na disputa pelo público leitor, os jornais passaram a lançar mão do romance-folhetim, dos horóscopos e dos quadrinhos, elevando as vendas e pressionando ainda mais a demanda por papel. Para supri-la, fez-se necessário buscar-se outras fontes de matéria-prima para a confecção de papel. Surge assim, no século XIX, o papel feito de polpa de madeira, a celulose, utilizado comumente hoje em dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, se o pergaminho havia exigido o sacrifício de grande número de animais – problema que o papel de trapos dos chineses conseguiu contornar –, a produção do papel de celulose atual traz consigo outras questões, como a questão ambiental, que faz parte da agenda de debates políticos e econômicos. Num tempo em que cada vez mais se populariza o uso do computador e da Internet, o &lt;em&gt;e-book&lt;/em&gt; já é uma realidade. Muitas obras de domínio público encontram-se disponíveis na rede virtual, podendo ser lidas na tela fosforescente do computador, ou mesmo em páginas de papel reciclado. Se a produção do humilde papel de trapos – utilizado, porém, como suporte para muitas obras-primas da literatura – não é mais viável industrialmente, e se a indústria da celulose traz conseqüências indesejáveis ao meio-ambiente, formas alternativas de reprodução dos livros certamente devem ser tentadas, e o computador, sem dúvida, terá papel decisivo nesses esforços. Os “efeitos coletarais”, se existirem, de tal tentativa, apenas o tempo poderá revelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este trabalho se beneficiou da leitura dos seguintes textos:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BENJAMIN, Walter. &lt;em&gt;Obras escolhidas&lt;/em&gt;. V. 1. Trad. Sergio Paulo Rouanet. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAMPOS, Arnaldo. “O livro de papel”. Publicado originalmente com o título “A arte do livro” em BERND, Zilá (org.), &lt;em&gt;A magia do papel&lt;/em&gt;. Porto Alegre: Riocell/Marprom, 1994. Disponível, com autorização do autor, em &lt;a name="OLE_LINK3"&gt;www.escritoriodolivro.org.br/historias/arnaldo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EMPÍRICO, Sexto. &lt;em&gt;Esbozos pirrónicos&lt;/em&gt;. Introducción, traducción y notas de Antonio G. Cao e Teresa M. Diego. Madrid: Editorial Gredos, 1993.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MONGELLI, Lênia M. de Medeiros. “A novela de cavalaria: A Demanda do Santo Graal”. In: MALEVAL, Maria do Amparo Tavares (Org.). &lt;em&gt;A literatura portuguesa em perspectiva&lt;/em&gt;. Direção de Massaud Moisés. São Paulo: Atlas, 1992, p. 55 a 78.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PIRES, Isabel. “Antropocentrismo, ironia e modo de produção cultural na literatura cética”. In: BERNARDO, Gustavo (editor). &lt;em&gt;Dubito Ergo Sum&lt;/em&gt; – Caderno de ficção e filosofia. Site na internet em: &lt;a href="http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/orientando04.htm"&gt;http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/orientando04.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________. “O folhetim”. In: Pires, Isabel (editora). &lt;em&gt;O dragão de São Jorge&lt;/em&gt;. Blog de literatura na internet em &lt;a href="http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2005_06_01_archive.html"&gt;http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2005_06_01_archive.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SARAIVA, A. J. e LOPES, O. &lt;em&gt;História de Literatura Portuguesa&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Publicações, 1969.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SARAIVA, José Hermano. &lt;em&gt;Pequena História das Grandes Nações: Portugal&lt;/em&gt;. São Paulo: Círculo do Livro. (s/d)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VERGER, Jacques. &lt;em&gt;Homens e saber na Idade Média&lt;/em&gt;. Trad. Carlota Boto. Bauru: Edusc, 1999. (O capítulo III, “Os livros na Idade Média”, está disponível na internet, no endereço &lt;a name="OLE_LINK4"&gt;www.escritoriodolivro.org.br/historias/idademedia.html &lt;/a&gt;– com autorização da editora.) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-8286685803311563799?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/8286685803311563799/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=8286685803311563799' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8286685803311563799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/8286685803311563799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2008/02/o-livro-atravs-dos-tempos.html' title='O livro através dos tempos'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/SczfDZSFt6I/AAAAAAAAAB0/n3lg9jZQu38/s72-c/vangogh2(PAG15).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6763649713653836728</id><published>2007-12-13T15:40:00.001-03:00</published><updated>2010-01-09T21:10:13.982-03:00</updated><title type='text'>Uma dose a mais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era domingo. O senhor Marciano Brasil acordara feliz. “Marciano Brasil” vamos chamá-lo assim nesta história, para evitar possíveis constrangimentos, já que se trata de um caso completamente verídico. Vamos aos fatos.&lt;br /&gt;O senhor Marciano Brasil, um idoso de 83 anos, aposentado do SUS, era contudo feliz. Tinha quatro filhos, oito netos e três bisnetos. Um homem aparentemente realizado, embora viúvo e muito embora ainda não tivesse escrito um livro nem plantado nenhuma árvore. Mas, pela robustez com que encarava a vida, parecia que não iria faltar-lhe tempo para isso. Ele havia acordado feliz porque aquele domingo era especial. A neta Ana Brasil tinha convidado toda a família para o aniversário de dois anos do ...&lt;br /&gt;Vamos chamar de Brasil Neto o bisneto do senhor Marciano. Continuemos.&lt;br /&gt;Brasil Neto ganharia uma festinha - a primeira de aniversário, já que, no ano anterior, a bisavó Maria Brasil, esposa do senhor Marciano, houvera por bem enfartar de felicidade, por assim dizer, bem às vésperas do aniversário de um ano de Brasil Neto. O primeiro bisneto. Seis meses depois, nasceriam os gêmeos,&lt;br /&gt;Bom, vamos dar aos gêmeos, nesta história real-fictícia, os nomes de Pedro Brasil I e Pedro Brasil II, ok?&lt;br /&gt;, mas dona Maria Brasil não chegou a ver as carinhas iguais de Pedro Brasil I e Pedro Brasil II, nem soube da felicidade que havia tomado conta em dobro do clã Brasil.&lt;br /&gt;Mas desta vez era diferente. O senhor Marciano Brasil esbanjava saúde, bem entendido, para a idade dele. Nem sequer tomava medicamentos. Não precisava. Até lia os jornais, via perfeitamente as horas no seu velho relógio de ponteiros, quase tão longevo quanto ele próprio.&lt;br /&gt;Ele também seria homenageado na festinha de Brasil Neto. Por isso, estava tão feliz. Satisfeito.&lt;br /&gt;Contudo, a nossa história começa após a festa da família Brasil. O senhor Marciano Brasil voltou para casa. Ainda estava feliz. Foi dormir feliz na noite daquele domingo. Porém, por motivos que escapassem talvez até mesmo a Freud, o senhor Marciano Brasil aquela noite teve um pesadelo.&lt;br /&gt;Um pesadelo que, também não se sabe muito bem porquê, fê-lo cair da cama.&lt;br /&gt;Um acontecimento quase banal, não fosse a idade do senhor Marciano Brasil. Ele quebrou o fêmur. Foi levado, ainda de madrugada, ao hospital.&lt;br /&gt;Internado, o senhor Marciano Brasil foi submetido a uma cirurgia de urgência, isto na terça-feira seguinte, após passar toda a segunda-feira colhendo sangue, fezes e urina. Quando se descobriu que o senhor Marciano Brasil sofria de insuficiência renal. Pobrezinho, nunca se queixava, repetia, admirada, a neta Ana, a mesma mãe de Brasil Neto, filha de Marciano Brasil Filho.&lt;br /&gt;Uma cirurgia quase de rotina, na verdade. Muitos idosos caíam, em casa ou na rua, quebravam pernas e bacias. Um procedimento quase simples. Precisava apenas fixar a perna do senhor Marciano Brasil com um parafuso. Para isso, bastava perfurar o osso com uma broca, colocar o pino, e pronto. Viu como foi fácil?!&lt;br /&gt;Quando a cirurgia já ia terminando, porém, houve um acidente. O hospital – público, esquecemos de dizê-lo – abriu depois uma sindicância para apurar responsabilidades. Há que se achar culpados e puni-los exemplarmente. Tudo na forma da lei. À letra fria da lei. Dura lex sed lex. A broca, não.&lt;br /&gt;A broca se partiu e a ponta dela foi se cravar justo na barriga do senhor Marciano Brasil.&lt;br /&gt;O senhor Marciano Brasil foi levado da mesa de cirurgia ao raio X. A ponta da broca tinha perfurado a bexiga do senhor Marciano Brasil, constataram os médicos. Ainda sedado, o senhor Marciano Brasil voltou ao bloco cirúrgico. Os médicos abriram seu abdômen e suturaram a bexiga. Tudo resolvido.&lt;br /&gt;No dia seguinte, uma quarta-feira, levaram o senhor Marciano Brasil de volta para a UTI, porque ele tinha começado a inchar, devido à insuficiência renal, certamente agravada pela perfuração na bexiga. Inchou tanto, que os pontos do abdômen arrebentaram e começou a vazar ruim um líquido de cheiro muito ruim. Os médicos limparam o local, mas, devido à inchação, não puderam dar novos pontos. Apenas cobriram o corte com gaze, para que não ficasse exposto.&lt;br /&gt;O inchaço, porém, progredia, indiferente aos cuidados dos médicos. Na tarde da quinta-feira, o senhor Marciano Brasil foi submetido a uma hemodiálise.&lt;br /&gt;Ana, a neta do senhor Marciano Brasil, tentou, junto com outros Brasis, transferi-lo para um hospital particular. No entanto, o corpo médico do Hospital ...&lt;br /&gt;Vamos omitir o nome do hospital, já que esta história, a bem da verdade, poderia ter tido lugar em qualquer hospital público - municipal, estadual ou federal.&lt;br /&gt;O fato é que o hospital não autorizou a transferência. Afinal, o paciente estava medicado e bem cuidado.&lt;br /&gt;Às 23 horas da mesma quinta-feira, o senhor Marciano Brasil sofreu uma parada cardíaca. Os médicos submeteram-no aos procedimentos de praxe, em casos como esse: utizaram o desfibrilador.&lt;br /&gt;A pressão exercida pelo desfibrilador, porém, acabou abrindo mais ainda o corte no abdômen, e os órgãos internos ficaram completamente expostos.&lt;br /&gt;Na madrugada da sexta-feira, o senhor Marciano Brasil foi submetido a uma nova cirurgia, para recolocar os órgãos em seus devidos lugares. Seguiu depois para a UTI, onde se acha até agora, em coma induzido, respirando por aparelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O nome dos personagens&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria que essa história fosse mera ficção, mas não é. Circulou dia desses, na versão&lt;em&gt; on line&lt;/em&gt; do jornal O Globo. Infelizmente, é o retrato escrito da saúde pública no Brasil. Muitas frases foram retiradas textualmente da notícia. Apenas os nomes dos personagens são fictícios, não o fato. O nome Marciano é uma referência à Marte, que significa “guerra”. Marciano, portanto, é um guerreiro, como todos os brasileiros, mas também é “extraterrestre” em sua própria terra, sem direito à saúde nem a condições dignas de vida e mesmo de morte. Ana é corruptela do nome da personagem real. Pedro Brasil I, Pedro Brasil II e Brasil Neto representam as sucessivas gerações de brasileiros, que, duros como pedra, insistem em resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6763649713653836728?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6763649713653836728/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6763649713653836728' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6763649713653836728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6763649713653836728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/12/uma-dose-mais.html' title='Uma dose a mais'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-3627573727905779763</id><published>2007-06-13T17:50:00.000-03:00</published><updated>2007-06-14T14:56:03.137-03:00</updated><title type='text'>Aparências</title><content type='html'>"Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso." &lt;br /&gt;(Pirro, século III a. C.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-3627573727905779763?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/3627573727905779763/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=3627573727905779763' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/3627573727905779763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/3627573727905779763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/06/aparncias.html' title='Aparências'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4956195361262040537</id><published>2007-05-18T11:39:00.000-03:00</published><updated>2007-05-18T15:46:17.091-03:00</updated><title type='text'>Hai Kais à moda de passarinho</title><content type='html'>(ou hai kais em língua-pássara)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino chorando&lt;br /&gt;gaiola aberta&lt;br /&gt;passarinho voando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gato sorri feliz&lt;br /&gt;gaiola aberta&lt;br /&gt;passarinho por um triz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bico torto&lt;br /&gt;asa inerte&lt;br /&gt;pássaro morto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4956195361262040537?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4956195361262040537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4956195361262040537' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4956195361262040537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4956195361262040537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/05/hai-kais-moda-de-passarinho.html' title='Hai Kais à moda de passarinho'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-6189029253798738378</id><published>2007-05-07T17:54:00.000-03:00</published><updated>2007-05-18T11:43:54.934-03:00</updated><title type='text'>Hai kai de sonho</title><content type='html'>Menino dormiu&lt;br /&gt;sonhou&lt;br /&gt;acordou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem acordou&lt;br /&gt;sonhou &lt;br /&gt;dormiu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-6189029253798738378?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/6189029253798738378/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=6189029253798738378' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6189029253798738378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/6189029253798738378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/05/hai-kai.html' title='Hai kai de sonho'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-4227291720845566617</id><published>2007-03-19T17:02:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T16:11:01.124-03:00</updated><title type='text'>Contraste urbano às quatro horas da tarde</title><content type='html'>sobretudo&lt;br /&gt;pipas coloridas&lt;br /&gt;em guerra no céu&lt;br /&gt;atrás delas&lt;br /&gt;janelas envidraçadas&lt;br /&gt;refletem o azul&lt;br /&gt;intenso&lt;br /&gt;garantia de tempo bom&lt;br /&gt;sobre o Rio de Janeiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-4227291720845566617?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/4227291720845566617/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=4227291720845566617' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4227291720845566617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/4227291720845566617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/03/contraste-urbano-s-quatro-horas-da.html' title='Contraste urbano às quatro horas da tarde'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-116955453174782938</id><published>2007-01-23T09:09:00.001-03:00</published><updated>2009-03-04T10:09:48.883-03:00</updated><title type='text'>Um bom Argumento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sa59lXRlz7I/AAAAAAAAABs/09EF_9K6ho8/s1600-h/Capa+rev+Argumento+n+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309319091572821938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sa59lXRlz7I/AAAAAAAAABs/09EF_9K6ho8/s320/Capa+rev+Argumento+n+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dirigida por Barbosa Lima Sobrinho, a revista &lt;em&gt;Argumento&lt;/em&gt;, considerada um marco cultural de resistência ao poder estabelecido pela força das armas – leia-se “ditadura militar” – no Brasil, teve apenas quatro números publicados, correspondentes aos meses de outubro e novembro de 1973 e janeiro e fevereiro de 1974. Embora a luta desigual da palavra contra as armas tenha favorecido estas últimas, pondo fim à promissora publicação, encontram-se, nesses quatro números, textos fundamentais, felizmente publicados depois em livros, e que sem dúvida deram a sua contribuição para o debate sobre a cultura e a sociedade no Brasil. Lá estão, por exemplo, os ensaios “Literatura e subdesenvolvimento”, de Antonio Cândido, “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento”, de Paulo Emílio Salles Gomes, e “Criando o romance brasileiro”, de Roberto Schwarz. As idéias de Anatol Rosenfeld, Jean Claude Bernardet, Celso Lafer, Fernando Peixoto, Ismail Xavier, Thomas Skidmore, Angel Rama, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Antonio Callado, Gianfrancesco Guarnieri, Otto Maria Carpeaux, entre outros, também estão presentes nas páginas da Argumento, contribuindo para o pensamento crítico sobre o Brasil, num período tão &lt;em&gt;crítico&lt;/em&gt; da história brasileira. Eis o que traz o editorial de abertura da revista, constante em seu primeiro número:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A natureza social tem horror ao vácuo cultural e tende a preenchê-lo de uma forma ou de outra. Umas das formas de fazê-lo é utilizando a dependência, a acomodação, o arrivismo.&lt;br /&gt;A nossa pretende ser a outra forma, a que se definirá no percurso do nosso grupo. Este é vário na idade e na preocupação, mas se unifica no entendimento em criar um vínculo novo para o que há de vivo, válido e independente na circunstância cultural brasileira; e um ponto de encontro com o pensamento de outras terras, notadamente as do continente.&lt;br /&gt;Os obstáculos que eventualmente encontrarmos e os estímulos que recebermos serão igualmente indicativos da utilidade de nossa função. Muito intelectual brasileiro foi arrancado de seu mundo e é preciso que encontre um terreno onde possa novamente se enraizar. A limitação de nosso campo poderá ainda ser restringida, mas sempre haverá um papel a ser cumprido pelo intelectual que resolva sair da perplexidade e se recuse a cair no desespero.&lt;br /&gt;Nascemos sem ilusões e não está em nosso programa nutri-las. A independência custa caro e não encoraja as subvenções. Não temos propriamente o que vender mas nos achamos em condições de propor um esforço de lucidez. Esta não é artigo de luxo ou de consumo fácil mas em qualquer tempo é alimento indispensável pelo menos para alguns. Sua raridade é, aliás, sempre provisória; tudo que a lucidez revela tende a se transformar em óbvio.&lt;br /&gt;Contra fato há argumento.”*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio, 22/01/07&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Este espaço virtual é dedicado à anotação de rascunhos, textos, fragmentos, ensaios sobre literatura e cultura, observações diversas, que possam eventualmente conter transcrições parciais ou integrais de textos de outros autores. Caso os detentores do &lt;em&gt;copyright&lt;/em&gt; aqui transcrito não concordem com a sua divulgação neste &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, basta solicitar a sua retirada, pelo mecanismo do “comentário”, que atenderei prontamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-116955453174782938?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/116955453174782938/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=116955453174782938' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116955453174782938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116955453174782938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2007/01/um-bom-argumento.html' title='Um bom Argumento'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sa59lXRlz7I/AAAAAAAAABs/09EF_9K6ho8/s72-c/Capa+rev+Argumento+n+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-116681240140751191</id><published>2006-12-22T15:25:00.001-03:00</published><updated>2008-11-06T16:41:49.806-03:00</updated><title type='text'>Um estudo de O cortiço de Aloísio Azevedo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, de Aloísio Azevedo, e o novo paradigma&lt;br /&gt;na literatura brasileira oitocentista: o Naturalismo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A PARTIR DA COMPARAÇÃO feita por Antônio Cândido, no texto &lt;em&gt;De cortiço a cortiço&lt;/em&gt; (1993), entre &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, de Aluísio Azevedo, e &lt;em&gt;O germinal&lt;/em&gt;, de Émile Zola, pode-se perceber que o Naturalismo no Brasil, tal como o Romantismo, ainda irá importar um modelo de romance europeu, sobretudo francês. Para Cândido, porém, enquanto Zola apresenta simplesmente o modo de vida do operário francês, num cortiço cuja característica mais marcante é a verticalidade como resultado do processo desordenado de urbanização, o cortiço de Aluísio Azevedo representa “aspectos que definem o país todo” (p. 138), superando assim a obra que lhe serviu de modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da importação de moldes literários também é abordada por Silviano Santiago (1978), em “Eça, autor de Madame Bovary”. Nesse texto, de 1970, o autor se propõe a analisar “o problema da passagem de uma estrutura existente em dada cultura, no caso a francesa, para outra, ou outras, a portuguesa e a brasileira” (p. 54), estudando as relações entre &lt;em&gt;O primo Basílio&lt;/em&gt;, de Eça de Queirós, e &lt;em&gt;Madame Bovary&lt;/em&gt;, de Flaubert. Assim, podemos chegar à conclusão de que houve em Portugal, tanto quanto no Brasil, a adoção de um modelo francês de literatura na segunda metade do século XIX. Para Silviano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) a obra segunda guarda pouco contato com a realidade imediata que rodeia o seu autor. Por isso, são inúteis e mesmo ridículas as críticas que se dirigem à alienação do autor, impondo-se antes uma revisão da propriedade com que utiliza um texto já no domínio público e sobretudo a tática que inventa para agredir o original, abalando os alicerces que o propunham como elemento único e de reprodução impossível” (Santiago, op. cit., p. 58-9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Cândido (op. cit.), ao contrário, percebe, na adoção do modelo de romance francês, no Brasil, algo para além de uma simples relação periferia-metrópole:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se pudermos marcar alguns aspectos dessa interação talvez possamos esclarecer como, em país subdesenvolvido, a elaboração de um mundo ficcional coerente sofre de maneira acentuada o impacto dos textos feitos nos países centrais e, ao mesmo tempo, a solicitação imperiosa da realidade natural e social imediata” (Cândido, op. cit., p. 125).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, enquanto para Santiago a adoção de um modelo literário da metrópole européia resulta numa espécie de “alienação” do autor em relação à sua realidade imediata, para Cândido, ao contrário, a problemática da realidade imediata geraria uma superação do “texto segundo” em relação ao seu modelo. Isso se deve, segundo a ótica de Antônio Cândido, à posição de “ambigüidade do intelectual brasileiro, que aceitava e rejeitava a sua terra, dela se orgulhava e se envergonhava, nela confiava e nela desesperava, oscilando entre o otimismo idiota das visões oficiais e o sombrio pessimismo devido à consciência do atraso” (Cândido, op. cit., p. 139). Para ele, o Naturalismo brasileiro, ao propor o determinismo do meio e da raça como fatores incontroláveis de degradação da sociedade, faz com que os intelectuais e os políticos da época percam de vista “a dimensão mais acessível, que são os aspectos sociais, onde está a chave” (p. 139), e que seriam revelados somente mais tarde, com os estudos sociológicos de Gilberto Freyre.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flora Sussekind (1984), por sua vez, tem visão diversa sobre o Naturalismo no Brasil. Para ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao invés de proporcionar um maior conhecimento do caráter periférico do país, o texto naturalista, na sua pretensão de retratar com objetividade uma realidade nacional, contribui para o ocultamento da dependência e da falta de identidade próprias ao Brasil. Pressupõe que existe uma realidade uma, coesa e autônoma que deve captar integralmente. Não deixa que transpareçam as descontinuidades e os influxos externos que fraturam tal unidade. Como o discurso ideológico, também o naturalista se caracteriza pelo ocultamento da divisão, da diferença e da contradição.” (Sussekind, op. cit., p. 39)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o que é apresentado por Cândido como contradição inerente ao Naturalismo brasileiro, decorrente de uma posição sobretudo ambígua, Flora vê, nesse mesmo texto, um “ocultamento” da contradição de que é formada a sociedade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando, porém, de lado as questões ideológicas subjacentes ao Naturalismo no Brasil — como, de resto, a todos os estilos literários, brasileiros ou não — tentaremos enfocar, no texto de Aluísio Azevedo, aspectos do paradigma que ele se propõe a adotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, a mistura das raças, que começa a ser abordada pela literatura no Brasil como um dado concreto da sociedade brasileira, é vista incontestavelmente como algo negativo e mesmo degradante na conformação dessa mesma sociedade. A “Estalagem de São Romão”, ou seja, o cortiço onde se desenrola a história do livro, abrigando imigrantes italianos, colonos portugueses, brasileiros pobres, mulatos e mestiços de todo o tipo transforma-se, na ótica de Aluísio Azevedo, num lugar brutal, onde vida e morte pouco valem, espécie de charco no qual fermentam vícios e paixões animalizadas, expondo o lado vil da existência humana. Assim, o meio também se revela, pelo paradigma naturalista adotado, como fator de conformação social. Em &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, pois, o paradigma naturalista irá substituir o paradigma de literatura como “documento da história”, presente no Romantismo. Deste modo, no ambiente do cortiço, os personagens, de acordo com o novo paradigma, são reduzidos à condição de “documentos humanos” (Riedel, s/ data), servindo de estudo da “patologia” da sociedade, em que a raça e o meio têm papel preponderante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cortiço, embora composto por personagens individualizados, cada um com sua história de vida própria, se sobrepõe à individualidade para ser “a comuna” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 113), tornando-se assim um personagem coletivo, resultante da mistura orgânica entre a “terra fumegante e a umidade quente e lodosa” (op. cit.,p. 26). A essa organicidade do cortiço, onde fermenta e lateja a vida, como grande laboratório a céu aberto, se opõe a inorganicidade da “imponente pedreira”, ao fundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meio-dia em ponto. O sol estava a pino; tudo reverberava à luz inconciliável de dezembro, num dia sem nuvens. A pedreira, em que ela batia de chapa em cima, cegava olhada de frente. Era preciso martirizar a vista para descobrir as nuanças da pedra; nada mais que uma grande mancha branca e luminosa, terminando pela parte de baixo no chão coberto de cascalho miúdo, que ao longe produzia um efeito de betume cinzento, e pela parte de cima na espessura compacta do arvoredo, onde se não distinguiam outros tons mais do que nódoas negras, bem negras, sobre o verde-escuro” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 47).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedreira surge, então, como o simétrico oposto do cortiço. Essa oposição simbólica entre os dois “personagens” — a pedreira, de um lado, e o cortiço, do outro — irá ser o referente básico para as diversas dicotomias trabalhadas no interior da narrativa.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Assim, o cortiço será identificado diretamente com a dimensão orgânica, enquanto a pedreira, por seu turno, identificará a dimensão inorgânica da narrativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 26)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que os contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito.” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 48)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre, deste modo, uma clara oposição entre a pulsão de vida, representada pela organicidade de que o cortiço é portador, e a pulsão tanática, de morte, que remete à pedreira. Assim, o cortiço é o habitat natural das lavadeiras, que “procriam com a regularidade de gado”, enquanto a pedreira é o mundo dos cavouqueiros, temida como algo capaz de “mandar um para o demo” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 49).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, pois, a pedreira, o imponente monstro de pedra, que, ao fundo, assiste impassível à luta diária dos habitantes do cortiço pela sobrevivência. No entanto, a essa dimensão material da existência — da qual a pedreira é o símbolo por excelência — se opõe uma dimensão ideal, representada pelas ambições pessoais de cada personagem, razão da própria luta do dia-a-dia. O português Miranda, amargando um casamento desiludido com uma “brasileira mal-educada e sem escrúpulos de virtude” (&lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;, p. 27), almejava um título de nobreza, enquanto, por sua vez, o ideal de João Romão, o dono do cortiço, é enriquecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações” (O cortiço, p. 25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Firmo, o capoeira amante de Rita Baiana, queria ser contínuo numa repartição pública:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) mas depois desgostou-se com o sistema de governo (...) pois não conseguiria nunca o lugar de contínuo numa repartição pública — o seu ideal! — setenta mil-réis mensais: trabalho das nove às três” (O cortiço, p. 63).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leocádia, mulher adúltera do ferreiro Bruno, sem filhos, almejava engravidar e tornar-se ama-de-leite, para ganhar também setenta mil-réis mensais, mesmo valor por sinal da ambição do português Jerônimo, quando ele se emprega na pedreira de João Romão, à frente do trabalho dos cavouqueiros. O sonho da velha Paula, cabocla “meio idiota”, conhecida por “Bruxa”, era por fogo ao cortiço, enquanto Pombinha e a mãe, Dona Isabel, pretendiam, com o casamento da primeira, voltar à sua antiga condição social. Até mesmo o cortiço rival, Cabeça-de-Gato, igualmente uma entidade coletiva, possuía um ideal bem definido:&lt;br /&gt;“(...) conservar inalterável, para sempre, o verdadeiro tipo da estalagem fluminense, a legítima, a legendária; aquela em que há um samba e um rolo por noite; aquela em que se matam homens sem a polícia descobrir os assassinos; viveiro de larvas sensuais (...)” (O cortiço, p. 202).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única exceção era o Costa, noivo de Pombinha, “passivo e resignado, aceitando a existência que lhe impunham as circunstâncias, sem ideais próprios (...); era mais um animal que viera ao mundo para propagar a espécie” (O cortiço, p. 130). Mesmo a prostituta Léonie idealizava ter Pombinha em seus braços, enquanto Rita Baiana, embora aparentemente não tenha qualquer ideal, levando uma vida de “pândegas”, ambiciona possuir o português Jerônimo e ser possuída por ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranqüila seriedade de homem bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior” (O cortiço, p. 151).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é na ambição de Rita de se unir à “raça superior” que o paradigma naturalista, adotado em O cortiço, fica bastante evidente, acompanhado pela “imposição do meio”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cavouqueiro, por seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata” (O cortiço, p. 151).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência do meio será ainda evidente no “abrasileiramento” de Jerônimo, cujos costumes de “aldeão português” acabam por ser substituídos pelos “usos e costumes” brasileiros. E, assim como ocorre o “abrasileiramento” de Jerônimo, ocorre também uma espécie de “aportuguesamento” da negra Bertoleza, que trabalhava duro, “sempre suja e tisnada, sempre sem domingo nem dia santo” (O cortiço, p. 57), ao lado do “amigo”, o português João Romão. Bertoleza, porém, na visão deste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(..) era o torpe balcão da primitiva bodega, era o aladroado vintenzinho de manteiga em papel pardo; era o peixe trazido da praia e vendido à noite ao lado do fogareiro à porta da taberna; era o frege imundo e a lista cantada das comezainas à portuguesa” (O cortiço, p. 189).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não é somente na conjugação dos fatores raça e meio que a adoção do paradigma positivista se evidencia na obra de Aluísio Azevedo. Este também é claramente demonstrado pela pretensa imparcialidade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; com que o ponto de vista de cada personagem é apresentado. Ou seja, é oferecida ao leitor, igualmente, a visão — ou “versão” — que cada um possui acerca dos fatos em que se envolvem: Rita Baiana e Piedade, Jerônimo e Firmo, João Romão e Bertoleza, Leocádia e Bruno, Dona Estela e Miranda, etc., numa perfeita simetria, tal como a existente entre a pedreira e o cortiço, e que fica bem denotada na primeira luta entre Jerônimo e Firmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora a luta era regular: havia igualdade de partidos, porque o cavouqueiro jogava o pau admiravelmente; jogava tão bem quanto o outro jogava a sua capoeiragem” (O cortiço, p. 112).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações de gênero, dentro da narrativa, também serão mediatizadas por uma flagrante oposição: Bertoleza versus João Romão, Estela versus Miranda, Rita Baiana versus Firmo, Piedade versus Jerônimo, Leocádia versus Bruno, etc. Tal oposição seria, mais uma vez, simbolizada, pela oposição fundamental pedreira versus cortiço, evidenciada nas profissões de Leocádia e do marido: ama-de-leite e ferreiro, remetendo, a primeira, à fertilidade e à organicidade, enquanto Bruno, cuja profissão remete à inorganicidade, seria também estéril, não conseguindo engravidar sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aspecto simétrico da obra, porém, não surge apenas em seu caráter de oposição, mas também como similaridade. Nesta ótica, os personagens Botelho e Libório — o parasita pobre que leva uma vida de aparência no sobrado rico e o mendigo que tinha um tesouro escondido no seu quarto miserável do cortiço — são mais similares que opostos. Do mesmo modo, o sobrado do Miranda e o cortiço do João Romão mais se aproximam do que diferem, como se evidencia na fala do soldado de polícia Alexandre, defendendo os companheiros das ofensas do dono do sobrado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se os moradores da estalagem jantavam em companhia dos amigos, lá em cima o Miranda também estava comendo com os seus convidados!” (O cortiço, p. 66).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, sobrado e cortiço surgem simetricamente não mais em oposição, mas como similares, na medida em que o primeiro encerra ainda os mesmos elementos que fundamentam o segundo: a figura do português, o Miranda, a brasileira “mal-educada e sem escrúpulos”, representada por Dona Estela, os trabalhadores, as mestiças, e, finalmente, a “flor pura e inocente”, Zulmira, simétrico-similar de Pombinha. O sobrado afigura-se, desta forma, como um cortiço miniaturizado, exibindo mesmo a presença de um hóspede, o Henrique, que — tal como os “hóspedes” de João Romão, que custeiam o seu aluguel na estalagem — tem a sua estadia na casa do Miranda também custeada, não com o seu próprio trabalho, mas com a gorda mesada do pai fazendeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, no final do livro as rígidas fronteiras entre o sobrado e o cortiço se dissolvem, não apenas com a perspectiva do casamento de João Romão e Zulmira, mas principalmente com a reconstrução da estalagem após o incêndio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“À esquerda, até onde acabava o prédio do Miranda, estendia-se um novo correr de casinhas de porta e janela, e daí por diante, acompanhando todo o lado do fundo e dobrando depois para a direita até esbarrar no sobrado de João Romão, erguia-se um segundo andar” (O cortiço, p. 181).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, mais um traço do paradigma positivista da ciência adotado em O cortiço pode ser percebido pela ausência de julgamento da conduta dos personagens, cujo extremo é a impunidade dos crimes cometidos (os roubos e falsificações de João Romão, o assassinato de Firmo por Jerônimo e seus cúmplices, os excessos da polícia, etc.). Nesse aspecto, O cortiço se distancia drasticamente do Romantismo, e em especial da obra de José de Alencar, que encerra juízos de valor, com conseqüente “julgamento” e “condenação” da conduta dos personagens, como ocorre em Lucíola, com a morte da prostituta Lúcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do livro, o suicídio de Bertoleza é acompanhado de uma ironia que, porém, ao contrário da fina ironia contida nos textos de Machado de Assis, é apresentada de forma bastante caricatural:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas que vinha, de casaca, trazer [a João Romão] respeitosamente o diploma de sócio benemérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas” (O cortiço, p. 207).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AZEVEDO, Aluísio. &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;. Traços biográficos, bibliografia e introdução de Dirce Cortes Riedel. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s/d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________ . &lt;em&gt;O cortiço&lt;/em&gt;. Texto integral cotejado com a edição original (Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1890). Prefácio de Rui Mourão e posfácio de Carlos Faraco. 36ª ed. São Paulo: Ática, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________ . &lt;em&gt;O mulato&lt;/em&gt;. Textos selecionados por Antônio Dimas. São Paulo: Abril Educação, 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CÂNDIDO, Antônio. "De Cortiço a Cortiço". In: &lt;em&gt;O discurso e a cidade&lt;/em&gt;. São Paulo: Duas Cidades, 1993, p. 123-152.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FREYRE. Gilberto. Introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. &lt;em&gt;Casa grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal&lt;/em&gt;. 1º vol., 8ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1954.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SANTIAGO, Silviano. "Eça, autor de Madame Bovary". In: &lt;em&gt;Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural.&lt;/em&gt; São Paulo: Perspectiva/Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, 1978.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUSSEKIND, Flora. &lt;em&gt;Tal Brasil, qual romance? &lt;/em&gt;Rio de Janeiro: Achiamé, 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Embora conservador, o pensamento sociológico de Gilberto Freyre se contrapõe ao racismo de Oliveira Vianna e de outros sociólogos contemporâneos a ele, que viam no fenômeno da mestiçagem ocorrida no Brasil um fator de degradação da raça brasileira. Para Freyre, ao contrário, a mistura das raças era um fator positivo na formação do povo brasileiro. Dessa idéia, nasceu o mito da democracia racial brasileira, base de todo o pensamento do sociólogo pernambucano. Segundo esse mito, o fenômeno da miscigenação representa uma “confraternização” entre as três raças formadoras da sociedade brasileira — o português, dominador, o índio, natural da terra, e o negro, vindo da África em posição subalterna (ver Freire, 1954).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Dirce Cortes Riedel (s/d) destaca a oposição sobrado versus cortiço, a qual, segundo o seu ponto de vista, encobre a oposição “ganância x ganância, ladinagem x ladinagem, exploração x exploração” (Riedel, op. cit., p. 14). Rui Mourão (2000), por sua vez, considera como a “verdadeira oposição” de O cortiço a que se dá entre “cabras e galegos”, ou brasileiros e portugueses.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Flora Sussekind (1984) questiona a pretensão de imparcialidade adotada pelo Naturalismo brasileiro, vendo no texto naturalista um “truque” ou “ilusão extratextual” com o objetivo de despertar no leitor a impressão de uma “materialidade dos ‘fatos’ do ‘real’” (Sussekind, op. cit., p. 98).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-116681240140751191?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/116681240140751191/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=116681240140751191' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116681240140751191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116681240140751191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/12/um-estudo-de-o-cortio-de-alosio.html' title='Um estudo de O cortiço de Aloísio Azevedo'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-116664451420197290</id><published>2006-12-20T16:52:00.000-03:00</published><updated>2006-12-20T16:55:14.203-03:00</updated><title type='text'>Arrebol ou: nada como um dia depois do outro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7749/1059/1600/359296/Arrebol%202.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7749/1059/320/346774/Arrebol%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-116664451420197290?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/116664451420197290/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=116664451420197290' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116664451420197290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116664451420197290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/12/arrebol-ou-nada-como-um-dia-depois-do.html' title='Arrebol ou: nada como um dia depois do outro'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-116664412568187897</id><published>2006-12-20T16:45:00.000-03:00</published><updated>2006-12-20T16:48:45.720-03:00</updated><title type='text'>Não, não é fácil...</title><content type='html'>“Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados. / Ah que medo de começar e ainda nem sequer sei o nome da moça. Sem falar que a história me desespera por simples demais. O que me proponho contar parece fácil e à mão de todos. Mas a sua elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que está quase apagado e que mal vejo. Com mãos de dedos duros enlameados apalpar o invisível na própria lama.” (Clarice Lispector, em &lt;em&gt;A hora da estrela&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-116664412568187897?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/116664412568187897/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=116664412568187897' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116664412568187897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116664412568187897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/12/no-no-fcil.html' title='Não, não é fácil...'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-116129194994667256</id><published>2006-10-19T17:59:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T18:05:49.996-03:00</updated><title type='text'>Profissão: escritor-bacharel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Los jóvenes escritores no leen, escriben. Peor aún: no escriben, publican.&lt;br /&gt;(Efraim Medina Reyes, escritor colombiano)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra, surgem na mídia, com grande estardalhaço, notícias dando conta da criação de faculdades que, pretensamente, se dedicam a formar escritores. Ou seja, o aluno, após um curso superior regular de alguns anos, obtém um diploma que o habilita a exercer a “profissão de escritor”. A novidade, alarmista, para alguns, traz, em si, questões que são debatidas no calor da hora: um diploma de escritor é mesmo algo necessário para se escrever? Como fica o talento? E a vocação? O que pensariam os grandes escritores disso? E desfiam-se exemplos tradicionais para ilustrar a idéia de que um escritor “de verdade” não precisa de diploma algum, menos ainda o de escritor, pois em tal matéria ele já seria “naturalmente” versado.&lt;br /&gt;A questão crucial, porém, não seria tanto se a simples obtenção do diploma habilitaria de fato alguém a escrever. A pergunta que se impõe é: que papel desempenharia essa nova modalidade acadêmica, validada pelo título? De imediato, imagina-se que ela possa gerar “profissionais legais”, que estariam “habilitados” a escrever. (Quanto a escrever &lt;em&gt;de fato&lt;/em&gt;, isto já é outra história.) Ou seja, tais figuras – a dos “escritores-bacharéis” – permitiriam o surgimento massivo de &lt;em&gt;ghost writes&lt;/em&gt;, a exemplo do que já ocorre com a “profissão de jornalista”: pessoas “habilitadas” a assinar a “autoria” de um livro – ou artigo, ou ensaio, ou reportagem, tanto faz – escrito por alguém sem diploma, mas com mais talento e, talvez, imaginação. Por outro lado, a criação de tal curso pode estar ligada a uma espécie de “divisão do trabalho”, refinada em alto grau, a que nós, os “latino-americanos”, além de não estarmos lá muito habituados, não compreendemos muito bem. De qualquer forma, seria preciso, ainda, encontrar um sentido para tal realidade, num país em que poucas pessoas se interessam pela leitura e, menos ainda, pela literatura. Em outras palavras – e para utilizar uma expressão cara aos gringos que aprendem a língua e a cultura brasileiras –, estão passando os carros adiante dos bois. Afinal, não é preciso ter leitores antes de escritores? Como diz Efraim Medina Reyes, escritor colombiano, “mais do que produzir escritores incessantemente, temos que formar leitores; um livro sem leitor não passa de um objeto triste e inútil”.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; In: RESENDE, Beatriz (org.). &lt;em&gt;A literatura latino-americana do século XXI&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005, p. 76.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-116129194994667256?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/116129194994667256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=116129194994667256' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116129194994667256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/116129194994667256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/10/profisso-escritor-bacharel_19.html' title='Profissão: escritor-bacharel'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-115013584863430461</id><published>2006-06-12T15:09:00.000-03:00</published><updated>2006-06-12T15:10:48.650-03:00</updated><title type='text'>Epígrafe dos dias</title><content type='html'>"Viver é perigoso".&lt;br /&gt;Guimarães Rosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-115013584863430461?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/115013584863430461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=115013584863430461' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/115013584863430461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/115013584863430461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/06/epgrafe-dos-dias.html' title='Epígrafe dos dias'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114901184347975039</id><published>2006-05-30T14:51:00.000-03:00</published><updated>2006-05-30T14:57:23.483-03:00</updated><title type='text'>Narciso e a violência</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os estudos atuais sobre a violência no Brasil se dividem em três principais vertentes. Para alguns economistas, o problema da violência tem raízes na má distribuição de renda e, deste modo, poderia ser resolvido por programas governamentais que garantissem uma renda mínima para todos. Os sociólogos vêem a violência urbana e rural como decorrência da própria formação da estrutura da sociedade brasileira, originada, desde a sua fundação, em dicotomias do tipo senhor-escravo, branco-negro, que posteriormente evoluíram para dicotomias mais perversas, como rico-pobre, morador do asfalto-morador da favela, patroa-empregada, etc. Programas de inclusão social e investimento em educação, como formas de oferecer melhores oportunidades aos menos favorecidos, minimizariam o problema da violência. E há, também, a vertente antropológica, que leva em conta a violência não como um “produto” social ou econômico, mas como algo inerente ao ser humano e que, por isso mesmo, deve ser reconhecida como um problema social e humano a ser enfrentado, e não varrido para debaixo dos tapetes institucionais da sociedade, que buscam antes encobri-la, afastando-a do convívio “harmonioso” dos “homens de bem”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De um lado, a estrutura social institucionalizada de repressão ao crime, à desordem, à violência: as penitenciárias, os hospícios, os reformatórios de crianças e adolescentes. De outro lado, os criminosos, os loucos, os rebeldes que se mirariam nessa mesma estrutura para reproduzi-la de modo subvertido, contra a ordem estabelecida. Exatamente como um espelho. Ocorre que a violência não se exerce num território delimitado, que pertence somente aos bandidos e marginais, ao “crime organizado” que estaria “do outro lado do espelho” social. Neste “espelho”, bandido e polícia parecem não apenas se mirar, mas fazer a clássica pergunta da madrasta má, embora bela, da Branca de Neve: “espelho, espelho meu, existe alguém mais violento do que eu?”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda forma de violência parece ter, em sua base, um condicionamento narcísico. Ou seja, por pura vaidade, os indivíduos, os grupos, as classes, os países levam ao extremo suas divergências. Pela vaidade, em última análise, de se saber “o mais forte”, “o mais belo”, “o mais inteligente”, “o mais rico”, “o mais poderoso”. Afinal, não foi daí que surgiu o nazismo e suas idéias sobre a “pureza da raça”? E não foi do nazismo que se originou uma violência sem precedentes na história humana?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A própria vaidade, no entanto, impede os seres humanos – pelo menos, os “ocidentais” – de reconhecerem a violência como algo inerente à condição humana. O ser humano, criado “belo e perfeito”, à “imagem e semelhança de Deus”, não deve abrigar em si o feio, o hediondo, pois, nestes casos, a punição é severa. Assim, a violência, a face deformada de Narciso, é tratada paradoxalmente como algo anormal, divergente, patológico. Algo que deve ser oculto, excluído da convivência social, uma vez que contradiz o princípio mesmo do humano, aproximando-se do animal, do irracional e do ilógico. Porém, seria somente a partir do reconhecimento da condição “humana, demasiado humana” da violência, que a sociedade poderia, senão bani-la, pelo menos encontrar formas que pudessem proteger a todos do monstro que mora em cada um de nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rio, 29/05/06.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114901184347975039?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114901184347975039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114901184347975039' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114901184347975039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114901184347975039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/05/narciso-e-violncia_114901184347975039.html' title='Narciso e a violência'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114470463118819520</id><published>2006-04-10T18:23:00.000-03:00</published><updated>2006-04-10T18:30:47.993-03:00</updated><title type='text'>O homem de dez milhões de dólares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O tenente-coronel da Aeronáutica, Marcos Pontes, o “primeiro astronauta brasileiro”,  retornou dia 8 de abril de seu passeio de foguete em total segurança. Diretamente da Estação Espacial Internacional, onde ficou por dez dias, ele deu notícia, via satélite, de que os cinco grãos de feijão “plantados no espaço” haviam brotado. Sorrindo um sorriso sempre puro e franco, Marcos Pontes também fez poesia e filosofia no espaço: “Olhar as estrelas, ver o planeta e a passagem da noite para o dia a cada 40 minutos é tão bonito que muda a maneira como pensamos a vida”, revelou Marcos Pontes, numa constatação que custou aos cofres públicos a bagatela de dez milhões de dólares (americanos). Seis alunos, “com notas altas em ciências” e bom desempenho escolar, tiveram o privilégio de fazer perguntas por meio de telões a Marcos Pontes, o homem de dez milhões de dólares, que sorria enquanto flutuava e respondia. Outros milhões, mas de crianças, sem notas em ciências e sem escola, não puderam perguntar nada ao glorioso astronauta, ou porque fazem parte das “estatísticas invisíveis” por serem Pessoas Sem Registro Civil, ou porque as próprias escolas é que estão invisíveis – não foram construídas ou estão indo a pique – ou as duas coisas juntas. Esse é o Brasil, que não dá para ser visto nem do espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt; espacial, a ficção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tinta dourada nos cabelos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estirado em seu catre, Clóvis emite gemidos cada vez mais espaçados. A sensação de poder – efeito do último delírio provocado pela febre – começava a abandoná-lo, e ele já retornava ao estado de normalidade, daquela normalidade em que ele se encontrava desde que fora lançado naquele estado. Talvez fosse preciso amputar a perna, a esquerda. Talvez não precisasse. Mas não era isso o que o preocupava no momento. Do cômodo ao lado vinham os ruídos produzidos por Anna, às voltas com a trempe de cozinhar. Ele chamou-a:&lt;br /&gt;— Anna! Anna!&lt;br /&gt;Os ruídos cessaram momentaneamente para em seguida recrudescerem, mais fortes.&lt;br /&gt;—Anna! Anna!&lt;br /&gt;Havia uma parede separando os cômodos, o que fazia com que Anna ficasse fora do campo de visão de Clóvis. De qualquer modo, ele não poderia enxergá-la. Estava cego.&lt;br /&gt;— Anna!&lt;br /&gt;Anna finalmente entrou no cômodo, enxugando as mãos no avental encardido.&lt;br /&gt;— O que você quer, velho?&lt;br /&gt;— Que horas são?&lt;br /&gt;— Para quê você quer saber as horas? Não temos relógio.&lt;br /&gt;— O meu mingau. Você fez o meu mingau, Anna?&lt;br /&gt;Anna senta-se num banco, próximo à cama.&lt;br /&gt;— Você não fez o mingau, Anna?&lt;br /&gt;— Escuta aqui, velho. Você pensa que fico o tempo todo por sua conta? Que não tenho minhas necessidades também?&lt;br /&gt;Sério, Clóvis talvez pensasse no que responder a Anna, sentada ao lado do catre.&lt;br /&gt;— Necessidades? Que necessidades, hein, Anna?&lt;br /&gt;Anna levantou-se, brusca.&lt;br /&gt;Vou terminar o meu serviço, disse ela, mas não se mexeu do lugar, fixando os olhos na perna devastada de Clóvis.&lt;br /&gt;— Volta aqui, Anna.&lt;br /&gt;Como Anna não respondesse, Clóvis pôs-se a berrar a plenos pulmões:&lt;br /&gt;— Meu mingau! Traga o meu mingau! Anna, sua velha safada! Volta aqui e me diz que necessidades são essas que você tem, Anna. Anna!&lt;br /&gt;Anna empurrou mais o banco para perto da cama de Clóvis. Sentou-se novamente.&lt;br /&gt;— Você quer mesmo saber, velho?&lt;br /&gt;— O meu mingau, Anna.&lt;br /&gt;— Está aqui o seu mingau.&lt;br /&gt;Anna pega um prato cheio de mingau na mesinha postada à cabeceira da cama de Clóvis. Coloca ao seu lado e entrega-lhe uma colher, que ele pega, sôfrego e vacilante.&lt;br /&gt;— Está frio.&lt;br /&gt;Clóvis cospe o mingau.&lt;br /&gt;— Está sem açúcar.&lt;br /&gt;— Essa é boa. Você sabe muito bem que não pode mais com açúcar.&lt;br /&gt;— Anna, coloque açúcar no meu mingau.&lt;br /&gt;Ela abana a cabeça, negando. Mas Clóvis não viu o gesto. Clóvis não pode ver Anna e o seu avental sujo, o rosto cansado, a poeira que gruda nos sulcos fundos das rugas.&lt;br /&gt;— Anna, me diz uma coisa. Você coloca açúcar no seu mingau?&lt;br /&gt;— Eu não tomo mingau. Isso é coisa de velho doente. Vou terminar o meu serviço. Mais alguma coisa, velho?&lt;br /&gt;Anna aguarda por instantes. Então pega o prato e a colher e se dirige para o cômodo ao lado, para sua lide. Clóvis grita:&lt;br /&gt;— Anna, sua megera. Volta aqui, Anna. Você não quer saber o que eu quero?&lt;br /&gt;Os barulhos recomeçam, fortes, decididos, no cômodo ao lado, enquanto Clóvis grita.&lt;br /&gt;— Eu? Eu quero uma coisa, Anna. Volta aqui, Anna!&lt;br /&gt;Ela retorna, de espanador na mão, sem fazer ruído. Clóvis continua a plenos pulmões:&lt;br /&gt;— Sabe o que eu quero? Eu quero os meus vinte anos, Anna. Anna, você pode me dar de volta os meus vinte anos?&lt;br /&gt;Anna aproxima-se o suficiente de Clóvis para berrar-lhe no rosto:&lt;br /&gt;— Não!&lt;br /&gt;Clóvis se aquieta, calado. Está um tanto pálido, mas não demonstra qualquer comoção. Quando retoma a voz, fala pausado, quase para dentro de si mesmo.&lt;br /&gt;— Anna, Anna, sua bruxa. Você lembra de quando nos conhecemos? Eu tinha vinte anos. Você também tinha vinte anos, Anna. E fazia tanta questão de dizer que era Anna com dois enes. A diferença é que eu não tenho mais vinte anos. Você me tomou os meus vinte anos, e agora só você tem vinte anos, Anna. Anna? Lembro que naquela época você pintava os cabelos.&lt;br /&gt;Eu continuo com dois enes no nome. E ainda pinto os cabelos, velho, respondeu Anna, ajeitando os fios grossos maltratados e pintados com uma coloração muito escura, que contrastava com o cabelo ralo e sem cor de Clóvis. Pinto os cabelos desde os quinze anos, ela revelou, e o seu tom era ligeiramente melancólico. Sentou-se na beira da cama, bem perto de Clóvis, enquanto ele, com mãos tateantes, procura os cabelos de Anna.&lt;br /&gt;— Anna, por que você cortou os cabelos?&lt;br /&gt;— É muita tinta, velho. Com tantos remédios para comprar, temos condição para isso?&lt;br /&gt;Clóvis, com ar vago, continua afagando os cabelos de Anna. Um sorriso quase se faz presente no canto do lábio.&lt;br /&gt;— Anna...&lt;br /&gt;— Está na hora do remédio, velho.&lt;br /&gt;— Você tinha os cabelos dourados. E eles eram suaves como um raio de sol da manhã.&lt;br /&gt;— Deixe-se de poesias baratas, velho bobo.&lt;br /&gt;Anna levanta-se e começa a espanar com furor.&lt;br /&gt;— Você ainda tem os cabelos de ouro, Anna?&lt;br /&gt;— Tinta dourada custa mais caro.&lt;br /&gt;Anna sacode a toalha pendurada num prego, dobra as roupas espalhadas sobre a velha cômoda a um canto. Guarda coisas nas gavetas.&lt;br /&gt;— Ai! Está doendo, Anna.&lt;br /&gt;— Vou lhe dar o remédio.&lt;br /&gt;Anna vai buscar um copo de água e o entrega, junto com dois comprimidos que Clóvis ingere de uma vez só.&lt;br /&gt;— Quero mais.&lt;br /&gt;Ele estende a mão, apalpando a mesinha da cabeceira, onde encontram-se os medicamentos. Com algum esforço, Anna arrasta a mesa e leva-a para o outro lado do cômodo, sob a janela fechada.&lt;br /&gt;— Velho murrinhento. Fique quieto no seu canto.&lt;br /&gt;Anna pega a vassoura e, com certa pressa, varre todo o cômodo.&lt;br /&gt;— Anna?&lt;br /&gt;Ela não responde, empenhada no trabalho.&lt;br /&gt;— Anna, por que é que você está arrumando tudo, hein, Anna? Quem é que vem aqui, Anna com dois enes?&lt;br /&gt;Anna desaparece por instantes e retorna carregando uma pá de lixo. Clóvis começa uma crise de asfixia.&lt;br /&gt;— Deus!&lt;br /&gt;Anna larga a pá, e a pá produz um barulho estrondoso, que ecoa pelas paredes escurecidas de tempo do quarto. Ela corre e segura Clóvis, sufocado e vermelho. Aplica-lhe massagens cardíacas e, aos poucos, Clóvis recobra a respiração, exausto.&lt;br /&gt;— Velho, qualquer dia você me mata de susto.&lt;br /&gt;Clóvis segura os braços de Anna, apalpa-lhe a cintura, os quadris.&lt;br /&gt;— Você engordou, Anna.&lt;br /&gt;— Velho idiota.&lt;br /&gt;Ela levanta-se e desaparece no cômodo ao lado, não sem antes tropeçar na pá de lixo, largada no caminho. Anna solta um palavrão – o palavrão mais cabeludo que conhece e que Clóvis não escuta. Ele está longe, bem longe, embora não possa sair do seu catre. Os barulhos retornam, furiosos, ampliados, enquanto Clóvis delira, a febre muito, muito alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114470463118819520?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114470463118819520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114470463118819520' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114470463118819520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114470463118819520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/04/o-homem-de-dez-milhes-de-dlares.html' title='O homem de dez milhões de dólares'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114434822454963092</id><published>2006-04-06T15:23:00.000-03:00</published><updated>2006-04-06T15:30:24.563-03:00</updated><title type='text'>As cabras e O código secreto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leio no jornal matéria de há alguns dias a respeito de superlotação de cabras na ilha de Trindade, “a maior montanha do Brasil”, com 5.500 metros dos seus 6.100 totais submersos no Atlântico. As cabras, levadas para a ilha pelos colonizadores do Brasil na época do Império, estão agora sendo exterminadas a tiros de espingarda por serem consideradas ameaças ao delicado ecossistema da ilha. Enquanto isso, a uns mil quilômetros dali, no continente, as ilhas de fome, “urbanas”, “rurais” ou “suburbanas”, se multiplicam e se alastram pela superfície do território brasileiro, formando verdadeiros arquipélagos. E a “pergunta que não quer calar”: por que, em vez das cabras, não exterminam antes a fome, com as próprias cabras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a ficção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O código secreto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três palmas soaram, anunciando a chegada do Guardião ao recinto onde o Imperador Sereno o aguardava com uma ponta de ansiedade escorregando pelo brilho do olhar.&lt;br /&gt;O Guardião prostrou-se diante do Imperador, e com ele todos os que o acompanhavam, até que Sereno mandou erguerem-se.&lt;br /&gt;Majestade!, fez O Guardião, aproximando-se mais e tomando da mão imperial para beijá-la. Sereno, porém, dispensou a bajulação protocolar, retirando depressa a mão sem anéis.&lt;br /&gt;E então? Trouxe?&lt;br /&gt;O Guardião fez um sinal para o Chefe da comitiva. Um imenso baú de madeira ricamente entalhada foi colocado diante do Imperador.&lt;br /&gt;Os Sábios Patrióticos suspenderam a própria respiração, ansiosos. Os Sábios Veneráveis não suspenderam nada, mas fizeram uma cara de quem já tinham visto aquele filme.&lt;br /&gt;O Guardião em pessoa abriu O Baú, e O Explicador foi chamado para retirar de dentro dele O Tesouro. E também para explicá-lO.&lt;br /&gt;Majestade! Essa é a maior descoberta arqueológica da nossa civilização, disse O Guardião, enquanto O Explicador preparava-se didaticamente, ajeitando O Tesouro sobre uma mesa onde todos podiam admirá-lo.&lt;br /&gt;Na mesa não muito rica, como aliás tudo em volta (à exceção do Baú), via-se uma espécie de mala preta, que, aberta, causou grande espanto em todos os presentes. Em uma das metades da mala preta, peixinhos coloridos nadavam despreocupados num aquário com plantas, pedras e conchinhas. De vez em quando, os pequeninos peixes posicionavam-se de frente para a platéia, com os minúsculos olhos arregalados fixos em dezenas de olhos maiores e mais arregalados ainda. Depois, os peixinhos se sacudiam e voltavam ao seu passeio, indiferentes, para a seguir olharem fixamente de novo para a platéia etc. etc.&lt;br /&gt;Trata-se de mera proteção de tela, explicou O Explicador, apertando displicentemente uma das teclas embutidas na outra metade da mala preta.&lt;br /&gt;E o que é proteção de tela?, quis saber o Imperador Sereno, externando a curiosidade dos presentes, inclusive a dos Sábios Veneráveis, que, afinal, nunca tinham visto aquilo.&lt;br /&gt;Trata-se de um computador, um antigo artefato, muito utilizado na III Revolução Tecno-Científica da era da Civilização Tecnológica. Este exemplar foi encontrado quase perfeito, exceto pela alça, que foi perdida, e para cujo desaparecimento ainda não encontramos explicação plausível. Mas o mais importante não é a descoberta em si, senão o que ela contém.&lt;br /&gt;O Explicador apertou novamente uma tecla e, na outra metade da mala aberta, onde antes nadavam os peixes coloridos, surgiram, em profusão, caracteres negros, que reproduziam, contra um fundo branco e de forma ordenada, os mesmos caracteres contidos nas teclas da outra metade da mala preta.&lt;br /&gt;Trata-se de um texto escrito, explicou O Explicador, que começava todas as suas explicações com “trata-se”. Ou melhor, trata-se de um texto digitado, corrigiu ele.&lt;br /&gt;Sim, mas o que significa isso?, inquiriu já nem tão sereno o Imperador Sereno. Como vamos saber o que a descoberta contém?&lt;br /&gt;O código.&lt;br /&gt;Código?&lt;br /&gt;O código secreto. Levamos muito tempo para decifrá-lo. Finalmente estamos de posse da chave para desvendarmos o conteúdo da nossa descoberta arqueológica, e assim, a fantástica descoberta passará a ser uma preciosa descoberta e&lt;br /&gt;Anda logo com isso, intimou Sereno, dando fim ao blábláblá do Explicador.&lt;br /&gt;Atenção todos, pediu O Guardião. É preciso revelar, para que nunca mais fique oculto, o código secreto. E para que principalmente todos tenham acesso a ele.&lt;br /&gt;Trata-se do seguinte (era o Explicador falando). Control t alt zero um cinco um.&lt;br /&gt;Control t alt zero um cinco um, repetiram como numa espécie de transe todos no recinto.&lt;br /&gt;Control t alt zero um cinco um, fez O Explicador, apertando as respectivas teclas da mala preta aberta sobre a mesa. E imediatamente tudo começou a se desfazer: o Imperador Sereno, os Sábios Veneráveis e os Patrióticos, a comitiva do Baú e seu Chefe, o Guardião e por fim O Explicador, que ainda teve tempo de dar um último trata-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno palco iluminado do &lt;em&gt;laptop&lt;/em&gt;, o mundo inteiro havia se reduzido a um único travessão.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114434822454963092?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114434822454963092/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114434822454963092' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114434822454963092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114434822454963092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/04/as-cabras-e-o-cdigo-secreto_06.html' title='As cabras e O código secreto'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114383214823308891</id><published>2006-03-31T16:05:00.000-03:00</published><updated>2006-03-31T16:09:08.236-03:00</updated><title type='text'>Diálogo remoto</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;— Que queres tu?&lt;br /&gt;— Vim te ver.&lt;br /&gt;— Sabes muito bem que este aqui não sou eu.&lt;br /&gt;— Calma. Precisamos conversar.&lt;br /&gt;— Não temos nada para falar.&lt;br /&gt;— Pareces insatisfeito? Não era isso o que querias?&lt;br /&gt;— Sim, era isso. Estou apenas cansado.&lt;br /&gt;— Ora, muitos dariam bem mais que um simples quadro para estarem em teu lugar.&lt;br /&gt;— Um simples quadro... Que viestes ver, afinal?&lt;br /&gt;— Cansei-me também. Cansei de contemplar tua dura realidade.&lt;br /&gt;— Tudo cansa.&lt;br /&gt;— Vim ver a aparência. Gosto de iludir-me, também.&lt;br /&gt;— Maldito!&lt;br /&gt;— Não impreques contra teu protetor. Que te aborrece, afinal?&lt;br /&gt;— Já não vejo mais graça. Vá-te embora.&lt;br /&gt;— Não disse que vim para conversarmos?&lt;br /&gt;— Que queres mais?&lt;br /&gt;— Te trarei uma companhia.&lt;br /&gt;— Uma companhia?&lt;br /&gt;— Uma companheira, melhor dizendo.&lt;br /&gt;— Muitas vieram e se foram. Verdadeiras beldades, lindas! Mas o tempo tragou a todas, deixou-as enrugadas, reumáticas, desdentadas. Por fim, a morte as levou, uma por uma.&lt;br /&gt;— Mas esta é diferente. Esta se parece contigo.&lt;br /&gt;— Que dizes?&lt;br /&gt;— Uma companheira eterna. Uma doce, bela, jovem companheira.&lt;br /&gt;— E o que há de errado com ela?&lt;br /&gt;— Como assim? Pensas que te faço tal oferta só porque há problemas?&lt;br /&gt;— A mim você não engana, seu velhaco. O que vais querer em troca?&lt;br /&gt;— Nada.&lt;br /&gt;— Nada?&lt;br /&gt;— Absolutamente nada.&lt;br /&gt;— E a tal beldade? Qual foi o trato, ou retrato, sei lá, com ela?&lt;br /&gt;— Vais conhecê-la. Então me dirás se ela não é mesmo uma maravilha.&lt;br /&gt;— Ela também tem um quadro?&lt;br /&gt;— Não. Mas tem uma escultura.&lt;br /&gt;— Sei, uma escultura grega, naturalmente.&lt;br /&gt;— E literalmente. Ela serviu de modelo a uma das estátuas de Afrodite.&lt;br /&gt;— Então é bem velha. Deve ser muito antiga.&lt;br /&gt;— Não na aparência.&lt;br /&gt;— Estou farto. É melhor não me trazeres essa Afrodite de araque.&lt;br /&gt;— O nome dela é...&lt;br /&gt;— Para que quero saber? Já disse. Não me tragas ninguém.&lt;br /&gt;— Que tens aí? Um controle?! Espera, vamos conversar.&lt;br /&gt;— Agora é tarde.&lt;br /&gt;— Miserável! Você me desli&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114383214823308891?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114383214823308891/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114383214823308891' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114383214823308891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114383214823308891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/03/dilogo-remoto_31.html' title='Diálogo remoto'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114375276227675199</id><published>2006-03-30T17:56:00.000-03:00</published><updated>2006-03-30T18:06:02.300-03:00</updated><title type='text'>Guimarães Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É curioso notar como, na maioria dos estudos atuais sobre a obra de Guimarães Rosa, quase que inexiste a abordagem do contexto histórico em que tal obra foi produzida. Enquanto estudiosos como John Gledson e Roberto Schwartz se empenham em associar os contos e romances de Machado de Assis ao contexto histórico brasileiro de fins do século XIX, conferindo à obra machadiana, muitas vezes, o caráter de “alegoria de uma época”, os que se debruçam sobre a produção “roseana” longe estão de assim proceder. Surge então a questão: isso se deveria à proximidade, no tempo, de uma obra “contemporânea”, tornando “desnecessária” a vinculação a um contexto por demais conhecido? Por outro lado, verifica-se em tais estudos uma preocupação excessiva com a contextualização geográfica – as infinitas tentativas de delimitar o “sertão roseano” na paisagem empírica do interior das Minas Gerais – ou, o que é mais problemático, a insistência em “decifrar os enigmas” da obra, seja à luz do “nome dos personagens”, da “função” que estes desempenham na narrativa ou, ainda, apresentando os personagens “reais” que inspiraram o escritor. Estas drásticas delimitações, no entanto, acabam por negar a tão propalada – muitas vezes, de modo contraditório, por estes mesmos estudos – “universalidade” da obra de Guimarães Rosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para uma melhor compreensão de uma obra literária, porém, é sempre importante atentar para o contexto histórico e social de sua produção. No caso de Guimarães Rosa, por exemplo, a sua obra, que tem início em 1937, com a coletânea de contos intitulada &lt;em&gt;Contos&lt;/em&gt;, publicada em 1946 sob o título de &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, se origina no contexto da II Guerra Mundial e tem continuidade no pós-guerra – fatos que não podem ser ignorados; ao contrário, nos espreitam de muito perto através das páginas roseanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sensação do pós-guerra, experimentada na Europa, é a sensação de que tudo é absurdo, gratuito, sem sentido: a destruição das vidas e das cidades, a desolação dos sobreviventes, o mutismo dos soldados – incapazes de articularem qualquer palavra sobre o horror que vivenciaram, como já observou Walter Benjamin, vítima deste mesmo horror. Desse “sentimento de absurdo” reinante resultaram algumas conseqüências na esfera da cultura européia: a reflexão de Albert Camus sobre a condição humana em &lt;em&gt;O mito de Sísifo&lt;/em&gt; – o herói grego que absurdamente rola uma pedra penhasco acima, penhasco abaixo, atualizado pelo filósofo para o contexto europeu do pós-guerra; o teatro de Samuel Beckett, com suas figuras fantasmagóricas e, no entanto, tão palpáveis, com seus dilaceramentos físicos; a desconstrução do conceito de indivíduo, agora fragmentado ou mesmo despedaçado; o existencialismo de Jean-Paul Sartre. O mundo torna-se cético: diante de tamanha banalização da morte, da violência e da barbárie, a dúvida se instaura nas consciências.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não seria de admirar, pois, que o médico, diplomata e poliglota João Guimarães Rosa, vivendo entre o Brasil e a Europa de 1938 a 1951, fosse atingido em cheio por este “espírito da época”, este &lt;em&gt;Zeitgeist&lt;/em&gt; específico, que, de várias formas, ressurge das páginas cuidadosa e pacientemente construídas pelo escritor. O resultado dessa elaboração artística é uma literatura que concilia o “específico” brasileiro e o “universal” europeu, recriando ficcionalmente, em trajes jagunços, as mesmas questões que atormentam os melhores filósofos e escritores contemporâneos de além-mar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em &lt;em&gt;Grande sertão: veredas&lt;/em&gt;, de 1956, único romance de Guimarães Rosa, o absurdo transborda na extensa fala de Riobaldo. Trabalhando com a memória individual, instrumento essencialmente falível, e, por isso, extremamente precário, o relato confessional de Riobaldo – o ex-jagunço Riobaldo Tatarana, de pontaria certeira, mas que “nunca tinha certeza de coisa nenhuma” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 329) – se revela incerto, cheio de dúvidas e perplexidades: “mesmo eu não acerto no descrever o que se passou (...) nanje os dias e as noites não recordo (...). Agora, que mais idoso me vejo, e quanto mais remoto aquilo reside, a lembrança demuda de valor – se transforma, se compõe, em uma espécie de decorrido formoso” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 301). Ou ainda: “Pelejei para recordar as feições dele [Hermógenes] e o que figurei como visão foi a de um homem sem cara” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 508).A guerra, feroz, do “sistema jagunço” era um “combate sem cabimento” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 185), ao qual Riobaldo aderira sem qualquer objetivo definido, guiado apenas pelos “olhos e tanto de Diadorim [nos quais] o verde mudava sempre, como a água de todos os rios em seus lugares ensombrados” &lt;em&gt;(G. S. V&lt;/em&gt;., p. 252). Em tal combate, inimigos e aliados – zébebelos, hermógenes e riobaldos – mudavam constantemente de lado, “feito se” atravessassem a toda hora, sem se importar com o perigo, o soberano Rio-do-Chico do sertão, “acidente físico e realidade mágica, curso d’água e deus fluvial, eixo do Sertão”, na emblemática definição de Antônio Cândido (1983, p. 297):&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Revés – que, por resgate da morte de Joca Ramiro, a terrível que fosse, agora se ia gastar o tempo inteiro em guerras e guerras, morrendo se matando, aos cinco, aos seis, aos dez, os homens todos mais valentes do sertão? Uma poeira dessa dúvida empoou minha idéia – como a areia que a mais fininha há: que é a que o rio Urucuia rola dentro de suas largas águas, quando as chuvaradas do inverno”. &lt;em&gt;(G. S. V&lt;/em&gt;., p. 317)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A batalha travada na Casa dos Tucanos parece ser o absurdo levado ao extremo: enquanto se empilham os corpos dos companheiros mortos num dos quartos, os cavalos zurram desesperados nos estábulos dias a fio, atingidos impiedosamente pelos tiros dos inimigos. A luta sertaneja descrita por Riobaldo, feroz, infinita e sem sentido, e cujo ódio, já diluído, “forjava as formas do falso” (&lt;em&gt;G. S. V.&lt;/em&gt;, p. 318), poderia mesmo ser tomada como metáfora do próprio “absurdo-existir” humano: “Aí mesmo, no momento, fui ecogitando: que a função de jagunço não tem seu que, nem p’ra que. Assaz a gente vive, assaz alguma vez raciocina. Sonhar, só, não” (&lt;em&gt;G. S. V.&lt;/em&gt;, p. 373).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A marca de um absurdo à maneira “camuseana-becketteana” em Guimarães Rosa também faria parte do conto “A terceira margem do rio”, do livro &lt;em&gt;Primeiras estórias&lt;/em&gt;, de 1962, no qual o personagem encerrado na canoa navega despropositada e infinitamente num rio que também parece não ter fim nem propósito:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia”. (ROSA, 1975, p. 33)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, é no conto “O cavalo que bebia cerveja”, também de &lt;em&gt;Primeiras estórias&lt;/em&gt;, que o horror e o absurdo da II Guerra Mundial parecem ressoar de modo mais nítido. Este conto narra a história de um ex-combatente italiano, “estrangeiro às náuseas”, que mantinha um cavalo branco empalhado em um dos quartos de sua chácara, “meio ocultada” no sertão brasileiro. Refugiado por entre as árvores cerradas, plantadas à volta da casa, à maneira de fortaleza que cerceia até mesmo o falar,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Seu Giovânio conversava mais comigo, banzativo: –&lt;strong&gt; “Irivalíni, eco, a vida é bruta, os homens são cativos...”&lt;/strong&gt;. Eu não queria perguntar a respeito do cavalo branco, frioleiras, devia de ter sido o dele, na guerra, de sua estimação. &lt;strong&gt;– “Mas, Irivalíni, nós gostamos demais da vida...”&lt;/strong&gt; Queria que eu comesse com ele, mas o nariz dele pingava, o ranho daquele monco, fungando, em mal assôo, e ele fedia a charuto, por todo lado. Coisa terrível, assistir aquele homem, no não dizer suas lástimas.” (ROSA, 1975, p. 95).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim se apresenta o absurdo, repassado de ceticismo, impregnado de dúvida e solidão, na obra de Guimarães Rosa. Seria este “absurdo” um modo de suspender a perplexidade diante dos  “gerais planos de areia, cheios de nada” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 461), nos quais “a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça” (&lt;em&gt;G. S. V&lt;/em&gt;., p. 212)?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;CÂNDIDO, Antônio. “O homem dos avessos”. In: COUTINHO, Eduardo F. (Org.) &lt;em&gt;Guimarães Rosa&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / Brasília: INL, 1983, p. 294-309. (Coleção Fortuna Crítica)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ROSA, João Guimarães. &lt;em&gt;Grande sertão: veredas&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. [1956]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;______. &lt;em&gt;Primeiras estórias&lt;/em&gt;. 8. ed. Prefácio de Paulo Rónai à 3. ed. e biografia de Renard Perez. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. [1962]&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114375276227675199?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114375276227675199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114375276227675199' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114375276227675199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114375276227675199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/03/guimares-rosa_30.html' title='Guimarães Rosa'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114201870236398219</id><published>2006-03-10T16:22:00.000-03:00</published><updated>2006-03-10T16:25:02.363-03:00</updated><title type='text'>Furacão Isabel (mansinho mansinho)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7749/1059/1600/isabel%20from%2004.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7749/1059/320/isabel%20from%2004.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114201870236398219?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114201870236398219/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114201870236398219' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114201870236398219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114201870236398219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/03/furaco-isabel-mansinho-mansinho_10.html' title='Furacão Isabel (mansinho mansinho)'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-114001045068605435</id><published>2006-02-15T10:23:00.001-03:00</published><updated>2006-02-15T10:34:10.770-03:00</updated><title type='text'>Para quê serve a ficção, segundo Woody Allen</title><content type='html'>"Faço filmes porque, se não os fizer, não tenho nada com que me distrair. Vivo combatendo a depressão, o terror e a ansiedade. Então se estou constantemente fazendo alguma coisa, escrevendo, atuando, dirigindo e editando é algo terapêutico para mim. Mas não é algo habitual ou pelo dinheiro. Sou capaz de criar um mundo de personagens, de belas mulheres, homens charmosos, períodos, ótimas locações, bons diálogos e situações interessantes para me entreter e não ter de viver durante um ano no mundo real. E, quando termina, tenho de retornar para a vida real e isso é sempre problemático. Portanto crio um novo filme, e me enterro nele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em entrevista por ocasião do lançamento do seu trigésimo sexto filme, &lt;em&gt;Match point&lt;/em&gt;.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-114001045068605435?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/114001045068605435/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=114001045068605435' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114001045068605435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/114001045068605435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/02/para-qu-serve-fico-segundo-woody-allen_15.html' title='Para quê serve a ficção, segundo Woody Allen'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-113865332976672829</id><published>2006-01-30T17:22:00.000-03:00</published><updated>2006-01-30T17:35:29.813-03:00</updated><title type='text'>Quincas Borba, o cinema e a literatura*</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isabel Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, há um amplo consenso em torno da idéia de que estética cinematográfica e literatura caminham de mãos dadas, cada vez mais unidas, gerando uma espécie de “híbrido” cultural que alguns estudiosos, como Therezinha Barbieri, denominam “ficção impura” – conceito que busca caracterizar a contaminação recíproca entre escrita literária e os produtos da chamada “indústria cultural”, entre eles, o cinema. Com efeito, tal “intercâmbio” pode ser comprovado pelas diversas adaptações cinematográficas das mais variadas obras literárias, fenômeno verificado não só no cinema nacional. Autores brasileiros contemporâneos, como Rubem Fonseca, Raduan Nassar, João Ubaldo Ribeiro, Marçal Aquino e, mais recentemente, Sérgio Sant’Anna, entre outros, tiveram obras adaptadas para o cinema.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Na via contrária, a presença de uma “marca cinematográfica” na literatura também é assumida pelos escritores. A respeito da confluência de imagens cinematográficas em sua obra, João Gilberto Noll, por exemplo, declara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu escrevo com o desejo de fazer outra coisa – cinema. Existe um simulacro cinematográfico em minha literatura. Meu desejo está muito mais na realização cinematográfica do que na literatura. Só não fiz cinema porque era muito mais fácil fazer literatura e também porque eu era muito tímido. Mas entre Antonioni e Thomas Mann, fico com Antonioni. E isto lembrando que ler Thomas Mann é algo que me comove até às lágrimas. A voltagem poética da palavra é tão emancipadora quanto a do cinema".  (Em entrevista ao &lt;em&gt;Jornal de Brasília&lt;/em&gt; em 31/10/1990, transcrita por Barbieri, 2003:75).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não seriam poucos os escritores que escreveriam suas obras “roteirizando-as” intencionalmente, de olho não apenas num muito possível mercado cinematográfico, mas exercendo mesmo uma profissão paralela à de escritor: a de “roteirista de cinema”.  Além disso, haveria a adoção de uma “linguagem cinematográfica” pela literatura contemporânea. Como observa ainda Therezinha Barbieri, “no repertório de inovações da linguagem literária, resultantes de seu contato com o cinema, não há dúvida de que o nome de Rubem Fonseca é dos mais representativos, não só por se tratar de um escritor ligado à produção de filmes, fornecedor de argumentos e preparador de roteiros, mas sobretudo porque, em seus contos e romances, adota com sucesso invenções da sintaxe cinematográfica” (2003: 65). Se, nos dias que correm, o cinema não é nenhuma novidade, e se à sua influência – bem como à influência dos variados bens culturais-industriais, como cartazes, rádio, televisão, jornal, revistas, cds, dvs, etc. – estão expostos os autores contemporâneos, que praticariam uma espécie de imersão da palavra literária no caldo turvo da cultura pop-industrial, tornando-a cada vez mais “impura”, o que dizer da escrita de alguém que viveu no Brasil na virada do século XIX para o XX, quando o cinema, ainda incipiente, se restringia praticamente à Europa e estava muito longe ainda de exercer qualquer influência numa escala massificada como a de hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Machado de Assis – que, segundo seus biógrafos, nunca se afastou do Rio de Janeiro – o escritor oitocentista brasileiro que, talvez apenas intuitivamente, talvez na busca consciente de uma nova linguagem, demonstra nos seus escritos uma espantosa proximidade com a técnica recém-descoberta da cinematografia.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado o “realismo fotográfico” do Naturalismo – empenhado em “retratar o real” a fim de esmiuçá-lo à luz de teorias positivistas –, a técnica empregada por Machado de Assis em seus escritos se aproximaria muito mais dos recursos utilizados pelo cinema, como cortes, montagens e emendas. O estudo comparativo das duas versões do romance &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt; – o qual foi publicado em folhetins no período de 15 de junho de 1886 a 15 de setembro de 1891, e em livro em 1891 –, focado na reestruturação narrativa da obra, efetuada pelo autor quando da passagem de uma versão para outra, evidencia uma grande aproximação da técnica machadiana com o mesmo tipo de técnica empregada pelo cinema, anos mais tarde. Assim, ao se valer de recursos coincidentemente utilizados pelo cinema anos depois, o trabalho de reconstrução da narrativa, efetuado pelo autor do Quincas Borba, se afastaria definitivamente da concepção fotográfica dos textos naturalistas, antecipando, na literatura, a revolução que o cinema viria provocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mudanças efetuadas na versão do Quincas Borba publicada em livro são tantas e tais, que levou John Gledson a comentar ser “surpreendente que não haja ainda nenhuma descrição adequada, sistemática, das alterações feitas por Machado” (1986: 69). Com efeito, no cotejo das versões do romance machadiano, pode-se constatar o corte de capítulos inteiros, ou grande parte deles, o que implicou um “lamentável sacrifício literário”, sobretudo de “algumas finas observações psicológicas”, como enfatiza Augusto Meyer (1964: 175). No entanto, diferindo do ponto de vista de Meyer, que considera que tais cortes obedeceram ao princípio de “só deixar o que parecia [a Machado de Assis] menos desarmônico, (...) [n]uma espécie de intuição cirúrgica” (&lt;em&gt;op. cit&lt;/em&gt;., p. 174), considero que, na versão em livro, o foco narrativo foi evidentemente “fechado” sobre a figura de Rubião, eliminando-se deste modo as passagens que não possuem relação direta com o protagonista Rubião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, já na abertura, que se dá em &lt;em&gt;medias res&lt;/em&gt;, toda a cena é dedicada a Rubião, instalado confortavelmente em sua mansão em Botafogo, e pensando na “bela Sofia”. No folhetim, embora Rubião também figure no capítulo de abertura, outro personagem ali impõe a sua presença: o filósofo Quincas Borba, em seu leito de morte. Embora o narrador afirme “não precisar dele”, e que ele “vai morrer, como disse o médico”, a simples presença de Quincas Borba e a expectativa que se cria quanto ao seu estado de saúde obrigam Rubião a dividir a cena de abertura da narrativa com ele. Observe-se ainda que a apresentação de Rubião, “que estava familiarmente sentado na cama”, ocorre de forma bastante passiva na abertura do folhetim, ao contrário da versão em livro, na qual o protagonista domina toda a cena, imbuído de uma total “sensação de propriedade”:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Capítulo I - Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade". (&lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt; – versão em livro)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até o capítulo CXCIV da versão em folhetim, que corresponde ao capítulo CXC do livro, toda a narrativa do Quincas Borba foi praticamente reescrita, com muitos cortes e alguns acréscimos e emendas. A partir daí até o final (capítulo CCI), a narrativa sofre pouquíssimas alterações – reduzidas, basicamente, a substituições de algumas palavras e uns poucos cortes – e se dedica à fuga de Rubião da casa de saúde, onde fora internado como louco, e sua ida com o cão Quincas Borba para Barbacena. Aí, depois de um último delírio, ele morre, “não súdito nem vencido”, mas “vencedor”: “— Ao vencedor, as batatas!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os cortes praticados pelo autor evidenciariam o fechamento do foco narrativo sobre Rubião, também os acréscimos introduzidos na narrativa seguiriam lógica semelhante. Assim, na versão em livro, os trechos inexistentes no folhetim também cumpririam a função de “lançar luzes” sobre Rubião, destacando-o dos demais personagens, e iluminando ora um ora outro aspecto de sua personalidade. No entanto, embora haja maior incidência de luz sobre o personagem, na versão em livro, esta não é uma “luz reveladora”, que facilmente desvendasse para o leitor a intrincada personalidade de Rubião. O seu efeito seria, justamente, o de, conferindo-lhe maior visibilidade, chamar a atenção para o seu lado de obscuridade e impossibilidade de decifração. Ou seja, a “iluminação” sobre o personagem pretenderia destacar o seu aspecto de excentricidade, que lhe confere um caráter “esdrúxulo”. Deste modo, passo ao papel que este personagem desempenharia na narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Rubião “representa o Brasil”, como afirma John Gledson (1986: 71), o Brasil que ele representa é, porém, o Brasil provinciano, arcaico, atrasado e inculto, em eterno contraste e anacronismo com o Brasil que se quer moderno, civilizado, avançado e culto, em perfeita sintonia com as mais desenvolvidas nações ocidentais. Deste modo, a questão da “identidade brasileira”, trabalhada à exaustão pelos românticos, que a percebiam de forma idealizada, parece ser retomada por Machado de Assis, no &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt;, à luz de aspectos que ou foram negados pelo ideário romântico brasileiro, ou foram tratados pelos naturalistas pelo viés das teorias positivistas da “raça” e do “meio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Rubião seria a própria imagem da coexistência do atraso e do progresso numa mesma personagem. Na passagem em que ele se encontra casualmente com a baronesa que vai ao escritório de Camacho (capítulo 62 do livro, parágrafo 595), fica patente a dualidade entre o mundo luxuoso da Corte e os valores provincianos de um mestre-escola simplório. “Apesar do seu próprio luxo”, Rubião sente-se “o mesmo antigo professor de Barbacena”, em contraste com a “senhora titular, cheirosa e rica” da Corte, acostumada à sociabilidade cortesã. Observe-se ainda que essa passagem constitui um acréscimo, uma vez que não existe na versão em folhetim, e representaria um “reforço” da imagem bipartida de Rubião, oscilando entre dois mundos distintos – “luxuoso e cortês”, de um lado, e, de outro, “provinciano e inculto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem bipartida de Rubião, que, porém, configuraria apenas um dos complexos aspectos da sua identidade, é construída, no &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt;, por meio de uma narrativa que privilegia as lacunas, as margens, o meio do caminho, o “não dizer tudo”, sem falar na ambiguidade e na dubiedade, contrariando por essa forma as afirmações idealistas e indubitáveis de românticos e naturalistas. Destacando/“iluminando” o aspecto de um conflito intrínseco, decorrente da “duplicidade cultural” (Soares, 1999) que conforma a sociedade brasileira, o nome do protagonista parece apontar, deste modo, para um confronto entre o grande, o avançado, o luxuoso, o moderno, de um lado, e o pequeno, o retrógrado, o humilde, o arcaico – entre a Corte e a província, entre o Rio de Janeiro e Barbacena, entre “o Brasil do litoral” e “o Brasil do interior”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando o nome do protagonista, John Gledson conclui que Rubião “é um nome incomum, cuidadosamente escolhido, como está patente, e sua mais convincente interpretação é a de que se relaciona com o &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; do café, em meados do século XIX, pois está muito próximo do nome latino do gênero ao qual pertence a planta do café, a &lt;em&gt;rubiaceae&lt;/em&gt;” (1986: 72). No entanto, “Rubião” também pode ser um “rubi” – pedra preciosa extraída do interior da terra – que se pretende “grande”. Assim, “Pedro Rubião” seria uma “pedra rubi grande”, sendo que o Alvarenga sobreposto estaria aí complementando a ironia, conferindo ao nome uma linhagem “nobre”. Tal junção produziria, no entanto, um efeito de incompatibilidade entre a rudeza de Pedro-pedra – embora “rubi” – e a declarada nobreza dos Alvarenga, sugerindo por esta forma a “união” de dois elementos a priori “incompatíveis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confluência de dois códigos distintos e, por natureza, inconciliáveis, que produz a “fratura formal” observada por Roberto Schwarz (1990), teria por conseqüência, na narrativa do &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt;, o “descentramento” de Rubião, personagem “excêntrico”, que tenta acomodar em si uma duplicidade impossível, e acaba, por isto mesmo, duplamente excluído – do “jogo social” e do “jogo amoroso”, culminando por sofrer uma ruína moral e financeira, com a loucura e a falência a que é levado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia encerrada no nome do protagonista de &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt; fica ainda mais patente quando se sabe que existe uma variedade de rubi, “de valor médio, pertencente ao grupo dos espinélios, empregada na confecção de mancais para relógios e instrumentos de precisão”, conforme ensina a &lt;em&gt;Enciclopédia Larousse Cultural&lt;/em&gt;. Dessa forma, Rubião, aquele que se pretende um “rubi grande”, e, por isso, “precioso”, sequer poderia servir de matéria-prima, como os rubis de “valor médio”, para “instrumentos de precisão”. Ao contrário, à sua excentricidade, que culmina em loucura, só resta a imprecisão, a confusão e o delírio mental, somados ao “coroamento do nada”: “Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, – uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BIBLIOGRAFIA CITADA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ASSIS, Joaquim Maria Machado de. &lt;em&gt;Quincas Borba&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / Brasília: INL, 1977, 2ª ed. (Edições críticas das obras de Machado de Assis, v. 14 e Apêndice).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARBIERI, Therezinha. &lt;em&gt;Ficção impura&lt;/em&gt;: prosa brasileira dos anos 70, 80 e 90. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GLEDSON, John. “Quincas Borba”. In: _________ . &lt;em&gt;Machado de Assis&lt;/em&gt;: ficção e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986, p. 58 a 113.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEYER, Augusto. “&lt;em&gt;Quincas Borba em variantes&lt;/em&gt;”. In: ________ . A chave e a máscara. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1964, p. 171 a 189.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCHWARZ, Roberto . &lt;em&gt;Um mestre na periferia do capitalismo&lt;/em&gt;: Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades, 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOARES, Luiz Eduardo. “A duplicidade da cultura brasileira”. In: SOUZA, Jessé de (Org.). &lt;em&gt;O malandro e o protestante&lt;/em&gt;: a tese weberiana e a singularidade cultural brasileira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1999, p. 223 a 235.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÜSSEKIND, Flora. &lt;em&gt;Cinematógrafo de letras&lt;/em&gt;: literatura, técnica e modernização no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Marçal Aquino (&lt;em&gt;Os matadores&lt;/em&gt;, de Beto Brant - 1997), Rubem Fonseca (&lt;em&gt;Bufo &amp; Spallanzani&lt;/em&gt;, de Flávio Tambellini - 2001), Raduan Nassar (&lt;em&gt;Lavoura Arcaica&lt;/em&gt;, de Luiz Fernando Carvalho - 2001), João Ubaldo Ribeiro (&lt;em&gt;Deus é brasileiro&lt;/em&gt;, de Carlos Diegues - 2002), Sérgio Sant’Anna (&lt;em&gt;Crime delicado&lt;/em&gt;, de Beto Brant - 2006).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=12476868#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; O kinetoscópio, de Thomas Edison e W. Dickson, que reproduz o movimento de figuras para apenas uma pessoa de cada vez, foi inventado em 1889 e só chegou ao Brasil em 1894. Já o cinematógrafo dos irmãos Lumière, de 1895, cujas figuras em movimento podiam ser vistas por um grande número de espectadores, foi introduzido no Brasil em 1896 (in: Süssekind, 1987:40). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Versão modificada do ensaio “Rubião: um excêntrico entre a província e a Corte”, publicado em BARBIERI, Ivo (org.). &lt;em&gt;Ler e reescrever Quincas Borba&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2003, p. 107 a 133.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12476868-113865332976672829?l=odragaodesaojorge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/feeds/113865332976672829/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12476868&amp;postID=113865332976672829' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/113865332976672829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12476868/posts/default/113865332976672829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://odragaodesaojorge.blogspot.com/2006/01/quincas-borba-o-cinema-e-literatura.html' title='Quincas Borba, o cinema e a literatura*'/><author><name>Isabel Pires</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06524597477364080594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_TTdNWn1EJR4/Sx-ZyXuwmfI/AAAAAAAAAFU/2mLvt_yb98c/S220/Eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12476868.post-113518582050567694</id><published>2005-12-21T14:20:00.000-03:00</published><updated>2005-12-21T14:23:40.506-03:00</updated><title type='text'>Com Netuno em alto mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Costumava sonhar com o mar – um mar revolto, em fúria, de ondas gigantes, inquietas, que devoravam tudo, tragando casas, pontes, pessoas, bichos. Outras vezes, estava à deriva, em mar alto, náufraga, sem porto onde ancorar. Minha porção portuguesa, feita de sal, nestas ocasiões acordava tremendo, 
